sábado, março 10, 2012

"Quando uma mulher avança nenhum homem retrocede"

Hoje pela manhã e início da tarde participei da Marcha das Vadias de Pelotas, debaixo de muito sol e num calor absurdo mas a marcha aconteceu e estávamos tod@s lá lutando contra o preconceito de gênero, de raça e contra a homofobia. O pessoal tinha cartazes, faixas, pintou o rosto e o corpo na luta por respeito! Algumas mulheres fizeram relatos de situações cotidianas de humilhação, desrespeito e violência. O relato que mais me tocou foi de uma mãe falando do desrespeito de um vizinho com suas filhas. Ela destacou que educa seus filhos para respeitar os outros, mas nem sempre, na casa dos vizinhos acontece o mesmo.

Durante o percurso os manifestantes foram hostilizados por motociclistas, por causa das ruas interrompidas. Outros motoristas não foram simpáticos a causa, mas apenas quem estava nas motos é que ficou acelerando como se a qualquer momento fossem romper a corrente humana dos manifestantes. Alguns não quiseram esperar e invadiram um posto de gasolina ou esperou uma brecha na rua e passou a milhões, podendo bater em alguém. Tais atitudes levaram uma baita vaia!

Nossa manifestação teve o apoio de um personagem muito querido da nossa cidade o Alemão do Círculos, que esteve em meio a preparação, ouviu os discursos e participou da marcha ao lado da mulherada. Havia mães com seus filhos, mulher  grávida, homossexuais e Homens, com H maiúsculo por que são companheiros que não se deixaram contaminar com a ideia de que lugar de mulher é na cozinha, ou que a mulher é uma propriedade. Como foi lembrado por uma das manifestantes que discursou, eles também sofrem preconceito por não se encaixarem no esteriótipo do machão.

E de todos os cartazes que vi e fotografei durante a marcha dois me fizeram pensar, de forma, ainda mais minuciosa nestas questões. Um deles era empunhado por um Homem e referia-se sobre o aborto e a forma como o debate atualmente se atém apenas a questão religiosa. Esta é uma questão que a presidenta assumiu  discutir e ampliar na sociedade, podendo descriminalizar a prática. No entanto, cada vez que a sociedade, digo que nós mulheres, cidadãs trazemos o assunto a pauta, de outro lado erguem-se milhares de religiosos que pegam-se apenas na questão do pecado, sem considerar que quem paga o dito pecado é a mulher que escolhe fazer um aborto. Esta "pecadora" é dotada de um benefício chamado Livre arbítrio através do qual faz escolhas e toma atitudes em sua vida e responde por eles. E que só a ela cabe!
Já escrevi outras vezes sobre o que penso em relação ao aborto. Mas o fato de pensar nas inúmeras formas de prevenção da gravidez, acho que cabe só a mulher decidir que se quer ou não levar a gravidez adiante. É o corpo dela, a consciência dela, a escolha e a vida dela. Devem ser respeitados, embora não concordemos. Além disso, conheço algumas mulheres que interromperam uma gravidez e garanto que estas mulheres não se orgulham disso e muitas sofrem de culpa por isto.
O debate que buscamos em relação ao aborto é a descriminalização. Não quer que a interrupção de uma gravidez ou gestação na adolescência aconteça? Invista na educação! Mas o que ocorre quando as escolas criam mecanismos de trabalhar a sexualidade na escola? Muitos se levantam dizendo que o trabalho é inadequado, que as crianças não estão preparadas.

Existem políticas públicas, é verdade, no entanto, não atingem o país de forma igual. E esta é só mais uma demonstração da desigualdade em que vivemos. Quem tem grana interrompe a gravidez numa clínica com acompanhamento médico, mas quem não tem, faz o procedimento em casa, ou seja lá aonde for, e consequentemente acaba tendo de recorrer ao SUS. Este é um diálogo que deve ser feito, a presidenta precisa dar início a ele.

Mesmo em casos de estupro a interrupção da gravidez é uma polêmica. É um direito da mulher, mas leva tanto tempo para ser concedido que quando chega o momento a gestação está adiantada e realizar o procedimento torna-se ainda mais arriscado.
O outro cartaz, cuja frase deu nome a este post, interpreto de duas formas. A primeira que é a da violência, visto que a força física do homem é maior que a da mulher, e quando uma mulher vai pra cima de um homem, no máximo ele se esquiva do ataque, mas não dá um passo atrás ou se encolhe.

Já a outra, que me parece muito mais abrangente é a questão do avanço da mulher na sociedade. Quando uma mulher avança profissionalmente, nenhum homem retrocede. Quando uma mulher cresce economicamente ou consegue conquistar seu espaço como cidadã, nenhum homem retrocede. Homens não ficam pobres se mulheres enriquecem, por exemplo.  Quando as mulheres passaram a votar ou concorrer na política os homens não foram prejudicados por isto.

É possível crescermos todos juntos respeitando as diferenças, convivendo com tolerância. Como diz o velho ditado, corrigido, "do lado de um grande homem sempre tem uma grande mulher"! É nisso que penso, não é preciso oprimir para crescer, embora durante muito tempo isto tenha ocorrido. A opressão demonstra a fraqueza do opressor que se vale da força, ou do dinheiro, para se manter no poder. Separados podemos ser fracos, mas juntos somos mais, somos fortes.
A caminhada com certeza ainda será muito longa, mas o primeiro passo foi dado. Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!

quinta-feira, março 08, 2012

A mulher - Florbela Espanca

I

Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimento cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!

Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta: sê em Vénus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão-de pisar-te!

Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;

E gritam então vis: "Olhem, vejam
É aquela a infame!" e apedrejam
a pobrezita, a triste, a desgraçada!


II

Ó Mulher! Como é fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma image
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=380#ixzz1oaJyny3k
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quarta-feira, março 07, 2012

Mulheres de Fibra - Isabel Allende

Na postagem de hoje a mulher de fibra que traga está entre minhas escritoras latino americanas que mais gosto e admiro. Isabel Allende é uma jornalista e escritora chilena mundialmente conhecida. Entre seus romances mais renomados estão: A casa dos Espíritos, De amor e de sombras e Paula. Segundo relata, a própria autora no livro Paula, seu primeiro romance foi escrito com o auxílio de seus avós, pois era justamente a história de sua família.

Admiro Isabel não só pelo seu talento, mas principalmente pela sua força e sua história de vida. Filha de um primo irmão de Salvador Allende, ela viveu e lutou ativamente durante a ditadura militar no Chile, ajudando ativistas políticos. Poderia me arriscar a falar coisas de sua vida, pois após ter lido Paula, sinto Isabel como uma pessoa íntima, alguém que conheci no momento de maior sofrimento pra ela. É exatamente isto que deve ter causado esta proximidade, pois toda a história da doença de sua filha, do tempo vivido no corredor de um hospital ansiando que Paula acordasse me fez ver a autora famosa como uma mulher de verdade.

A autora escreveu para a filha, com o objetivo de colocá-la a par, quando acordasse do coma, a história da família e a sua própria. Mas todo o seu sofrimento de mãe foi sendo relatado dia-a-dia, até o momento em que ela precisou despedir-se, deixar que Paula fosse embora e ambas pudessem, cada uma em um mundo, seguir seus caminhos.

Todas as outras personalidades que prestei homenagem aqui na série pelo dia da Mulher são pessoas que eu admiro pelo seu trabalho, pela história de vida e pelas mudanças que fizeram no mundo a partir dos seus exemplos. A diferença com a Isabel Allende é sua militância e sua história de vida, tão apaixonante!

Agora um pouco da biografia desta mulher tão especial. Isabel Allende Llona nasceu em Lima, no dia 2 de agosto de 1942. É filha de Tomás Allende e Francisca Llona. Nasceu no Peru, mas logo voltou ao Chile. Atualmente está radicada nos Estados Unidos. Seu reconhecimento literário veio após a publicação do romance A Casa dos Espíritos, editado em 1982. A história dos antepassados virou filme, protagonizado por Meryl Streep e Jeremy Irons.

Fontes: Wikipédia, blog A arte que é poesia e os livros da autora.
A foto é do blog.
Ah! Minha sugestão para que conheçam melhor Isabel Allende, leiam seus livros, vale muito a pena!

terça-feira, março 06, 2012

Mulheres de Fibra - Madre Teresa de Calcutá

Dando seguimento a série Mulheres de Fibra trago uma das personalidades mais marcantes do último século. Madre Teresa de Calcutá é conhecida pela sua vida religiosa, mas principalmente pelo trabalho incansável junto aos pobres, crianças e doentes.
Nascida Agnes Gonxha Bojaxhiu em Skopje a 26 de agosto de 1910 ficou conhecida no mundo inteiro como Madre Teresa de Calcutá ou Beata de Calcutá. A missionária católica albanesa nasceu na República da Macedônia e naturalizou-se indiana. Ela foi beatificada pela igreja católica em 2003 e tornou-se conhecida como "Santa das Sarjetas", vindo a ser considerada por muitos como a missionária do século XX. Madre Teresa fundou a congregação "Missionárias da Caridade".

Ainda muito cedo, com 18 anos ela fez seus votos nas Irmãs de Nossa Senhora do Loreto,na Irlanda, onde viveu por pouco tempo.  Na Índia atuou como professora a serviço desta congregação no primeiro lar infantil ou "Sishi Bavan" (Casa da Esperança) fundada em 1952 e juntou-se ao "Lar do Moribundos", em Kalighat. Inicialmente passou por problemas de ordem religiosa e cultural com grupos que professavam outra fé. Mas com o passar do tempo e o seu trabalho todos aceitaram que sua obra tinha um caráter nobre. Com isto passa a receber donativos de hindus, muçulmanos e budistas entre outros e atua em situações problemáticas e difíceis como o caso de crianças abandonadas, doentes de Aids, mulheres abusadas que engravidavam e leprosos.

Em 1965 a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias de Caridade. Vários países tiveram a presença das missões de Madre Teresa, entre eles Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Sri Lanka|Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China, etc.
"O reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o Prêmio Templeton, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.
Morreu em 05 de setembro de 1997, aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga e falecida ela própria 6 dias antes, num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem."

Seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita  sua sucessora . Várias são as histórias sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá entre elas de que ela usava sua própria saliva para curar os doentes. Verdadeiras estas histórias ou não, não sei. O que sei é que sua bondade é notária e seu amor pelo próximo incontestável.

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”. Madre Teresa de Calcutá

Fonte: Wikipédia
Foto: Google imagens

segunda-feira, março 05, 2012

Mulheres de fibra - Dra. Zilda Arns

Minha intenção era ter começado esta série de mulheres de fibra, guerreiras e exemplares no dia primeiro de março, mas o tempo e o trabalho não me permitiram! Por isto dedicarei esta semana para homenagear mulheres que foram importantes para a história do mundo feminino, algumas ativistas feministas, outras exemplos incontestáveis de que podemos sim, se quisermos, mudar o mundo.
Começo a série falando da Dra. Zilda Arns. Não conheço tão bem a biografia dela, mas fiquei encantada com a admiração que uma colega do curso de doutrina espírita, apresentou em relação a vida da Dra Zilda. Minha colega contou algumas coisas a respeito da médica que criou e  salvou várias crianças da desnutrição e da morte com a "Pastoral da Criança".

Dra. Zilda Arns Neumann é natural de Forquilhinha (SC) e residia em Curitiba (PR). Teve cinco filhos e dez netos. Cursou medicina na Universidade Federal do Paraná, especializou-se em "saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário." Sua percepção de que a educação seria o meio de mudar as coisas fez com que criasse uma metodologia muito especial de espalhar conhecimento e solidariedade entre as famílias pobres, inspirada no milagre da multiplicação relatado no Evangelho de São João.

Incansável na busca do conhecimento Dra Zilda foi aperfeiçoando-se em diversas áreas, atuando de forma incisiva contra a fome e a miséria. Em 1983 fundou, a pedido da CNBB a Pastoral da Criança. "Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 de famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social." A forma encontrada para multiplicar a educação e a solidariedade a cada mês eram realizados visitas domiciliares às famílias, dia a do Peso, ou Dia da Celebração da Vida; e reunião Mensal para Avaliação e Reflexão.

Em 2004 a CNBB passou uma nova meta a esta missionária incansável, fundar a Pastoral da Pessoa Idosa, que atende, atualmente, mais de cem  mil idosos, que são atendidos mensalmente por mais de doze mil voluntários de 579 município. São 141 dioceses em 25 estados brasileiros.

Dra Zilda morreu em janeiro de 2010 em Porto Príncipe quando realizava uma missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança. O país sofreu um violento terremoto que fez centenas de vítimas, entre elas a Dra. Zilda Arns.

Um grande exemplo de mulher e de brasileira. Dra Zilda Arns recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005 e o Prêmio "Heroína da Saúde Pública das Américas", concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002.

Fonte: Pastoral da Criança e Wikipédia .
Fotografia de Antônio Marques encontrada na internet, publicada no blog Clau Medori

quinta-feira, março 01, 2012

Marcha das Vadias - 10 de março em Pelotas


Dando largada a semana da mulher aqui no blog, dou destaque a Marcha das Vadias, que ocorre dia 10, em Pelotas. Durante estes dias, que antecedem o dia internacional da Mulher, pretendo destacar grandes personalidades femininas que representaram e representam a nossa luta pela igualdade.
A Marcha das Vadias é uma passeata que chama atenção para um fato recorrente nos casos de estupro que é culpar a vítima pela violência que sofreu. Não importa a roupa, a hora ou o local em que a violência sexual ocorre, É uma violência, é um crime e não se pode culpar a vítima!
Mulheres não são objetos tampouco propriedades de grandes senhores. As mulheres conquistaram um espaço relevante na sociedade, tão importante que a maioria dos chefes de família hoje é mulher. Considerando-se apenas uma área da sociedade, ainda tem a política, a ciência,a economia, o direito, a medicina e tantas outras.

A luta pelo fim da violência contra mulher é uma luta de todos. Há muitos casos de violência doméstica que não vem a tona e há, até, quem considere normal. Mas não é. Quantos de nós ouviu falar de alguém que apanhou do marido, ou pôde escutar os gritos e o choro de uma vizinha? Quantas vezes a briga não virou fofoca nos corredores dos prédios ou nas conversas na calçada, sem resultar em nenhuma atitude de compaixão e solidariedade para com a vítima? "Em briga de marido e mulher não se mete a colher!" dizem alguns, e usam também da maledicência para falar da vida alheia sem usar seu conhecimento para ajudar ou produzir algo de bom.

Ainda que, existam leis e medidas protetivas, ainda existe a vergonha, o preconceito e o medo. Muitos sentimentos que, algumas vezes atrasam as atitudes e o resultado pode acabar sendo fatal.
A violência não se constitui só do tapa, do estupro, ela se forma também das humilhações, das ameaças, da coação, da tortura psicológica, na ameça de tirar a guarda dos filhos e de tantas outras formas que o medo passa a ser a única companhia da mulher, o sentimento mais presente que só dá lugar a angústia e o desespero.

Há alguns meses soube de um caso de violência doméstica, na qual a vítima era uma grande amiga. Violência esta que refletiu em um parto prematuro e a possibilidade do nascimento de uma criança com sequelas. Além da terrível vergonha e da culpa de haver apanhado do companheiro, existia o medo da reação da família. Depois veio o afastamento do trabalho por causa do risco da perda do bebê. Semanas de repouso para evitar a morte do nenê em seu ventre. O nascimento antes do previsto trouxe ao mundo um vitorioso! Meses na UTI pediátrica para o ganho de peso e o acompanhamento médico. E a angústia da mãe que sofria entre culpada e preocupada com a saúde de sua cria. O momento mais tenso veio a seguir com a transferência para um hospital mais equipado para a realização de uma cirurgia de emergência, mas que representava a salvação do bebê. Mas todas as angústias deram lugar a uma imensa alegria depois do sucesso da cirurgia. Com tanto tempo de apreensão a tão sonhada volta pra casa, com o filho nos braços foi de grande felicidade!

Pude ter a compreensão de como podemos nos sentir impotentes diante de uma situação como esta. Quando assistimos na televisão é possível até, num lampejo, questionar, porque ela não vai embora,  ou até realmente Nelson Rodrigues tinha razão, "elas gostam de apanhar"! Mas o acontecimento está muito longe de nós. No entanto, quando atinge uma amiga, uma familiar o sofrimento toma cores mais fortes. Minha reação, ao saber da agressão sofrida pela minha amiga, foi de mandá-la para a delegacia da mulher, foi de dizer que fizesse queixa e pedisse medidas protetivas. Mas minha amiga ficou constrangida de expor sua vida a toda vizinhança na pequena cidade onde residia. Passou um tempo até que a coragem viesse e a denúncia acontecesse. Eu não poderia ficar indiferente, é uma AMIGA MINHA! Mas não podemos ficar indiferentes diante de qualquer tipo de violência!

Recentemente tivemos o maravilhoso exemplo do Vitor, que arriscou sua própria vida na defesa de um morador de rua que estava sendo espancado. Não vamos ficar apenas achando que é uma atitude a ser admirada, vamos admirá-la e multiplicá-la.

Tod@as dizem não a violência contra mulher! Participe da Marcha das Vadias, dia 10 de março, às 11h, na esquina Democrática (Chafariz do Calçadão). Organização DCE da UFPel - Todas as Cores, RadioCom, Instituto Mario Alves, Coletivos Nacional Levante, Barricadas Abrem Caminhos, Juntos!, (Des) Construindo Gêneros e Levante Popular da Juventude!

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Em quê democracia vivemos?

Isto não é um ataque! Mas eu queria realmente compreender o que passa na cabeça daqueles homens e mulheres que estão dirigindo o nosso país e as nossas cidades. Tanto tempo e tanto sangue foi derramado para que chegássemos a liberdade de escolha, de expressão em nosso país e algumas coisas parecem retrocederem sob um escudo muito frágil e mal posto. Tão frágil e mentiroso quanto a desculpa da "Segurança Nacional" que protegia as ações duvidosas e inescrupulosas da ditadura militar. Sob argumentos como perseguição e falta de respeito os defensores do governo acusam qualquer um que levante uma crítica ao governo de serem da direita, de esquerda que a direita gosta e por aí vai. A defesa não se faz a partir de coerência ideológica e não passa pela defesa de ideais. Pelo contrário vai de forma raivosa de encontro ao crítico como um opositor infame de um partido. Partido este que vem renegando toda a sua história de luta junto aos trabalhadores do Brasil.
Não me venham dizer que isto é o que a mídia me faz crer e que tudo não passa de um engodo para me confundir. Quem se confundiu foram os políticos que fazem parte do partido dos trabalhadores, das bases aliadas e das não tão aliadas assim. Antigamente qual fosse o partido no comando do governo sempre havia um dedo em riste apontando coisas erradas, atitudes suspeitas e falhas em governos, licitações e outras coisas. Mas agora? Coligaram-se com os piores inimigos políticos com a desculpa de garantir a governabilidade. A sacanagem é tão grande e tão confusa que estão cada qual mais dentro do bolso do outro, com os rabos presos de forma que no máximo se tira um ministro e se coloca outro, do mesmo partido, da base aliada no lugar. Não, não estou dizendo que são todos iguais, que ninguém presta ou que não existem políticas realmente importantes que sim foram feitas e tratadas com a verdadeira seriedade que mereciam.
O que mais me incomoda é que as possibilidades de debate sobre os assuntos importantes vão se extinguindo cada dia mais e mais para evitar de magoar "os aliados". Questões como a descriminalização do aborto, pisos salariais para categorias  como os professores, os policiais e outras vão sendo deixadas a margem, como se marginais fossem estes profissionais. Questões antes defendidas com unhas, dentes e bandeiras em punho como as causas indígenas, reforma agrária, o Estado Laico e dos direitos humanos vão sendo paulatinamente deixadas de lado ou sendo abafadas por defesas estarrecedoras e estapafúrdias (como as feitas por Bolsonaro). E quando alguém do governo se manifesta de forma contrária a alguma crença da base, o ofendido faz uso da tribuna da Câmara para vociferar e jogar em cara o apoio dado em momentos difíceis, como se este apoio não estivesse sendo garantido por algum acordo, por troca de cargo ou seja o que for. É muito absurdo junto acontecendo no nosso país. E cada vez mais eu me decepciono com o tão sonhado governo de esquerda.
Outra atitude antidemocrática que me estarreceu foi a tentativa do prefeito de Rio Grande, Fábio Branco de tentar processar pessoas que fazem parte de comunidades que criticam seu governo em redes sociais. Aonde já se viu isto!? Não podemos mais dizer que uma determinada atitude de um governante vai contra as promessas feitas por ele em campanha????????? Temos que calar e ficar quietinhos diante de toda e qualquer atitude com a qual não concordamos sob ameaça de sermos processados pelos políticos??????
Eles enrolam licitações e votações, eles desrespeitam a Constituição  e ignoram que fomos NÓS quem os colocou no cargo, eles fazem e desfazem com o NOSSO DINHEIRO e não podemos dizer nada????????? Eles lutaram, e muitos enchem a boca para dizer isto, contra a ditadura militar para virarem tiranos?????
Digo e repito ESTE ANO É ANO DE ELEIÇÃO E A DECISÃO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS! Não votem no menos pior, não vote em quem está no cargo a mais de dois mandatos. Escolha, observe e investigue. Porque, depois que eles estão lá parece que a bunda deles se funde com a cadeira e não há jeito de arrancá-los. A mudança deve começar nos nossos municípios e se estender até o senado e a câmara. A limpeza precisa ser feita e o momento de começar é agora! E digo mais, eu preferia quando o PT era tido e visto pela oposição como um partido ameaçador, como o "bicho papão" de antigamente. Hoje ele flerta, namora e casa com os mais improváveis opositores. E disto eu tenho até vergonha!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

SAFADA WANDO

Chora coração Wando se foi!


Como boa brega e romântica que sou tenho na minha lista de músicas favoritas muitas canções na voz do sedutor colecionador de calcinhas Wando. Na minha adolescência passava horas na garagem ou na sala de casa escutando os discos do Wando e dançando como uma doida.
Os LPs do Wando mais dançados por mim foram Obsceno e Coração Aceso! Aí como vai fazer falta aquele olhar malemolente do mineiro Wando que nasceu  Wanderley Alves dos Reis, na cidade de Cajuri, em  2 de outubro de 1945. Nesta manhã, (08 de fevereiro de 2012) depois de hospitalizado em Nova Lima, por alguns dias com problemas cardíacos, nosso querido  cantor brega-romântico se foi deixando muita saudade.
Fico triste de nunca ter assistido um show ao vivo dele, de não ter jogado minhas calçolas no palco. Mas pode ter certeza, toda vez que alguém escutar uma música na voz do lindão do Wando ele continuará vivo!

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Ei polícia...


Não é apologia, mas eu não podia deixar de publicar a fotinho! Quase todo o dia passo por esta frase/provocação. Acho mais engraçado do que realmente um problema, embora possa ser visto como apologia a droga.
Minha opinião sobre a afirmação? Não tenho ideia, graças a um trauma de infância com o meu primeiro cigarro nunca aprendi a tragar e me sufoco com a fumaça, desta forma não consigo fazer uso do famoso cigarrinho do capeta. Há quem diga que podemos fazer bolinhos e comer, mas eu francamente prefiro chocolate!

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Uma lágrima pelo #Pinheirinho

Dedico a lágrima tão bem representada neste grafite a desocupação violenta do #Pinheirinho em São José dos Campos. Compreendo que muitas pessoas acham uma violência a ocupação de uma área particular, mas o que mais me deixa indignada é o porquê de a prefeitura ou responsáveis não se manifestarem tão logo a ocupação começa. Como posso achar correto se os responsáveis permitem que os ocupantes construam suas casas e seus barracos, morem anos e simplesmente um belo dia resolvem tirá-los. Sei de muitas histórias de gente que se infiltra nos movimentos sociais na tentativa de tirar vantagens, mas 1.600 famílias?
Outro fato que muito me indigna é um massacre para devolver a um estelionatário (para dizer o mínimo) como Naji Nahas, que há anos é acusado de especulação imobiliária, desvios e mais um monte de crimes ligados a corrupção.
E mais ainda, com tudo isto acontecendo e os assuntos mais falados na internet E nos telejornais era uma falsa gravidez de quadrigêmeos, a tal da Luiza e o caso de abuso sexual naquele reality show. Sinceramente... não tenho o que dizer!

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Super bem estacionado!

O cidadão (ou cidadã) viu a placa de pare e... parou mesmo! Estacionou do lado contrário do que é permitido, se bem que... naquele ponto é proibido estacionar inclusive daquele lado! Fico boba! E nenhum azulzinho ou BM para aplicar uma multinha ou dar uma advertência!
A fotografia foi tirada na terça feira, próximo do meio dia, na Rua Major Cícero.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Em tempos de BBB


Em tempos de BBB e outras cositas más... a crítica social nas paredes do centro de Rio Grande vem bem a calhar!

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Não é tudo a mesma coisa!


Algumas pessoas olham para esta cena e não notam nada demais. Passam direto, não percebem o que não deveria ser, apenas enxergam o que já é natural aos seus olhos. Para alguns até pode ser que "tudo"  ali é a mesma coisa! Mas, preste bem atenção, olhe de novo. Não é TUDO a mesma COISA!
Existe um ser humano ali, embora sujo, ainda que jogado na calçada junto com sacos de lixo com aquelas coisas todas que não queremos mais. Ele é negro, ele vive na rua, ele não tem casa, não tem emprego, sobrevive da ajuda dos outros. A vida e as experiências dele podem ir contra tudo aquilo que nos ensinaram que as pessoas devem ser ou que devem ter. Ele deve ter errado muito, como eu e vocês. Ele vive na companhia da cachaça. E tudo isto talvez te faça pensar, que se dane é a escolha dele. Mas ainda assim, tem um ser humano ali.
Tem muitos pontos que podemos considerar aqui, o livre arbítrio da pessoa, as condições de criação, algum erro grave contra a própria família. Podemos discutir questões filosóficas ou religiosas, mas nenhuma teoria ou argumento vai mudar o fato de ali, bem ali, existir um ser humano. Um ser humano igual a nós de carne e de osso, de sentimentos, de gostos e desgostos. Sempre observo este senhor, fico horrorizada quando o vejo jogado na rua, dormindo no meio da calçada, sob o sol escaldante do verão ou sobre as lajotas congelantes no inverno. Sei que ele, algumas vezes dorme no albergue noturno.
Ele guarda carros nesta quadra. Ele ganha comida de pessoas ali da região. Conversa com outros cuidadores de carros, na maioria das vezes está com uma garrafinha de canha. Algumas vezes tem um conhecido que vem conversar com ele. E ainda que um homem de rua,  os colegas que também guardam carros por ali expressam preocupação por ele beber demais e se jogar, algumas vezes de cabeça, na calçada dura que ele faz de cama sem cobertor.
Alguns dias atrás o país se comoveu com as cenas chocantes de uma mulher agredindo um cachorrinho até a morte. Foi apresentada denúncia contra a enfermeira, teve muita revolta e teve até quem quisesse linchar a dita cuja. Concordo com a denúncia e acho que ela deve sim pagar pelo que fez de errado. Mas não considero mais valiosa a vida de um animal do que a vida de um ser humano. Ainda que ele viva em meio ao lixo, que não tenha casa, família, que a cor da sua pele seja diferente, que seus costumes sejam outros, que seja homo afetivo, ainda que existam mil adjetivos para descrevê-lo e nos fazer reconhecê-lo na multidão o mais importante de todas  as qualidades é que... É UM SER HUMANO. Existe um ser humano ali, uma pessoa. Mesmo que existam algumas como a tal enfermeira, ou que os defeitos sejam menores (ou maiores) isso não quer dizer que todas são iguais. Caso seja para lutar de forma igualitárias por todas as minorias transformando todos os homens realmente em iguais. Se for assim até pode tratar como tudo igual. O que mais queremos é que todos sejamos iguais, colocando todos no mesmo patamar, num patamar bom. Mas se é pra diferenciar as pessoas pela cor da pele, pela quantidade de dinheiro... Não, não é tudo a mesma coisa não!

terça-feira, dezembro 20, 2011

Testemunha ocular - ou mais ou menos isso...

Hoje por volta das 18 horas aconteceu um acidente  nas esquinas da General Osório com rua Dr Amarante. Quando eu estava passando por ali estavam retirando a Kombi que bateu, caiu um poste de luz e causou, além de uma pequena confusão no trânsito falta de luz.

Sempre que vejo um acidente ou coisa do tipo fico pensando no susto que as pessoas levaram dentro de casa ou no trabalho quando deu a batida.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Quarta blogagem coletiva pela revisão da lei da #Anistia

A Niara de Oliveira, do blog Pimenta com Limão convocou a quarta blogagem coletiva pela revisão da Lei da Anistia e o cumprimento integral da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos do caso da Guerrilha do Araguaia. O objetivo é concentrar um esforço coletivo para forçar o governo a rever sua posição tão rígida em relação ao nosso passado recente, mas que deve ser revisto o quanto antes para que a tão sonhada e propagada democracia se construa verdadeiramente.
A campanha Cumpra-se "é um esforço cidadão de indivíduos, coletivos, entidades e movimentos sociais, para que a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos seja cumprida integralmente, visando a afirmação dos direitos humanos no Brasil e o respeito à jurisprudência e à jurisdição internacional da Corte IDH expressa em nossa constituição." E a 4ª blogagem coletiva vem engrossar este coro, junto com as centenas de famílias que ainda buscam por seus familiares desaparecidos durante o regime militar.
Acreditávamos que os arquivos secretos fossem ser abertos e postos a disposição no primeiro mandato de um presidente de esquerda, mas não ocorreu. Também não aconteceu no segundo mandato. Mas ainda existia uma grande esperança de que a Lei da Anistia fosse revista e além dos arquivos secretos, que foram colocados a disposição, os outros vários catalogados como "ultra secretos" fossem retirados do "cofre" e passassem a consulta dos cidadãos, com os responsáveis pelas torturas e mortes punidos e os corpos dos mortos naquela época devolvidos a suas famílias para, enfim, terem o descanso merecido. Nada disso foi feito. Os arquivos ultra secretos foram, mais uma vez, colocados sob sigilo eterno. A revisão da Lei de Anistia não veio e nem o cumprimento da sentença dada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos referente ao caso da guerrilha do Araguaia foi cumprida, mesmo tendo como dirigente da nação uma ex-guerrilheira, que foi presa e torturada nos porões da ditadura militar.
Lembro-me, com muita vivassidade do período em que a esquerda era temida por suas defesas apaixonadas do socialismo. Hoje em dia o que temos é um governo que se conchavou, pra mim de forma vergonhosa, com toda a sorte de políticos, com quase todos os partidos. Poucos são os partidos, realmente de oposição. E infelizmente estes são pequenos, minoria no Congresso e consequentemente com menos poderes. Quanto aos outros... pipocam denúncias de corrupção aqui e ali. A cortina de fumaça se forma,uns apontam para os outros, mas as coisas estão tão misturadas e tão pouco nítidas que mal se enxerga quem é quem.
Este ano comemoramos com, bem pouco entusiasmo, mas com um fio de esperança a criação da Comissão da Verdade, ou será da MEIA verdade, que irá investigar os crimes contra os direitos humanos cometidos no período entre 1946 e 1988. Espero que com especial atenção para o período da ditadura militar. No entanto, não foi permitido que ex-presos políticos ou familiares integrassem a dita comissão.
É estranho que a presidente Dilma Rousseff negue ser pressionada pelos militares para que deixe quietas as questões da ditadura militar, não puna os torturadores e mantenha a tão sonhada abertura, propagandeada como um portão gigante, ainda como uma pequena fresta. Parecia que tudo havia mudado realmente, até uma novela sobre os anos de chumbo esta passando na tevê aberta e ao final de cada capítulo estavam sendo exibidos os depoimentos  de alguém que viveu de perto o período, mas, como muitas coisas no nosso país, as histórias gravadas para exibição foram retiradas do ar sem nenhuma explicação. O autor da novela Thiago Santiago sempre falou com entusiasmo sobre os depoimentos, no entanto, nem mesmo ele sabia o porquê da retirada das declarações.
Eram depoimentos reais, que sabia-se serem verdadeiros. O espaço também era aberto aos militares, que não quiseram participar. Talvez não quisessem "produzir provas contra si mesmos" e desta forma seguem tranquilos sob a proteção de uma lei que deveria beneficiar os que tiveram seus direitos feridos, mas que, na verdade, mantem torturadores bem guardados e intocáveis. E assim, a comissão de meia verdade irá investigar o que? Para quê servirá saber o que aconteceu e quem fez o que, se não se poderá punir? Sob que pilares construiremos a democracia? Que história iremos contar?
Vejo a não revisão da Lei da Anistia e o não cumprimento da sentença da Corte Interamericana dos Direitos Humanos como uma lacuna que não será preenchida. Nossa história será como um quebra cabeças que fora montado faltando peças.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

SÁBADO RESISTENTE - A questão dos desaparecidos políticos

SÁBADO RESISTENTE, amanhã, 10 de dezembro, das 14h às 17h30, no Memorial da Resistência de São Paulo.

A questão dos desaparecidos políticos

Nossa contribuição à Comissão da Verdade

O Memorial da Resistência de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta, no projeto Sábado Resistente, a recente criação da Comissão Nacional da Verdade que coloca a questão das torturas, dos assassinatos e desaparecimentos políticos durante a ditadura militar na ordem do dia, mais uma vez. A aprovação da Lei mostra que a vontade política é fundamental para a revelação da verdade histórica e elucidação de nosso passado recente.

O Sábado Resistente dá sua contribuição à Comissão da Verdade no dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apresentando os relatórios de buscas aos desaparecidos e os resultados obtidos. Com essa iniciativa será possível constatar o que já foi feito e muito do que ainda pode ser feito na revelação dos crimes cometidos pela ditadura que infelicitou o país durante 21 anos.



Programação



14h00 - Boas Vindas de Kátia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência)
Apresentação e coordenação: Ivan Seixas (Núcleo de Preservação da Memória Política)
14h15 - Eugênia Gonzaga (Procuradora Federal do Ministério Público Federal) Relatório sobre as buscas em cemitérios de São Paulo e a localização de mais uma vala clandestina
14h45 - Diva Santana (Familiar de desaparecidos no Araguaia) - Giles Gomes (Secretário Executivo da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da SEDH-PR) Relatório das buscas na região do Araguaia e os resultados obtidos
15h15 - Ivan Seixas (Familiar de desaparecido político) Relatório das buscas realizadas em Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Nordeste e a localização de desaparecidos políticos
15h45 - Dr. Marco Antonio Barbosa (Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP e Presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos) Síntese das ações que poderão contribuir com a Comissão da Verdade e mobilização em torno delas
16h - Debate
17h - Distribuição do livro “Habeas Corpos: que se apresente o corpo”

(Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2010).

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.
 
Fonte: no Memorial da Resistência de São Paulo

Largo General Osório, 66 – Luz
Auditório Vitae – 5o andar

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Seguindo os 16 dias de ativismo pelo #FimDaViolênciaContraMulher

Nasci numa família pobre, mas que com muito trabalho conseguiu conquistar um lugar ao sol. Meu pai veio de baixo, até conseguir formar-se e ir trabalhar no banco, aí nossa vida melhorou. Sempre gostei de escrever, quando dei-me conta já havia optado pela carreira jornalística. Fui morar noutra cidade, tendo de aprender a me virar sozinha, tomar minhas decisões, enfim...
Quando me tornei independente, não precisava de muitas opiniões para decidir o melhor caminho a seguir, avaliava com a razão e o coração. Para encurtar um pouco minha história fui noiva por alguns anos e não deu certo. Foram vários motivos que levaram ao rompimento, o mais marcante, o fato de eu não ter certeza se queria me converter a mesma fé professada pelo meu ex-noivo. Fiquei morando em outra cidade longe da família até conseguir um emprego em outro jornal. Lá conheci várias pessoas, fiz muitos amigos e encontrei um bom companheiro. Ficamos juntos algum tempo, tive duas gestações que foram interrompidas por abortos espontâneos. Fiquei muito mal com isto e o relacionamento pereceu.
Estava decidida a focar na minha carreira jornalística, no meu trabalho e nada mais. Mudei de cidade, de estado. Acabei indo parar ainda mais longe da família e dos amigos queridos. Descobri que não ter a quem recorrer, precisar começar do zero, construindo novo círculo de amizade realmente não é fácil. A decisão estava tomada iria recomeçar... do zero se preciso.
Meu trabalho era tudo o que eu queria. Estava muito feliz. O que não andava lá nas melhores condições eram os amores. Reatei com meu ex e acabei mais de uma vez. Íamos e vínhamos... nada mudava ou será que tudo voltava ao que era? Não sei bem. Decidi romper de vez.
Novos amigos, novos amores. Foi quando o conheci através do próprio trabalho, pois ele era uma das minhas fontes. Eu sei, não devemos nos envolver com as fontes, é antiético, mas não resisti. Namoramos por um tempo. Então descobri minha primeira gravidez. Fiquei com receio de contar, de ele pensar que eu o estava pressionando. Fui deixando as coisas rolarem. Acordei com o chefe que ao final da gestação eu fosse ter meu filho junto da minha família. Acertamos a demissão.
Contei ao meu, então ex-namorado, que estava grávida, que voltaria a minha terra. Ele assumiu o bebê prontamente. Ficamos em contato, mas segui minha vida, agora junto daqueles que amava tanto. Encontrei um novo amor, mas como vocês já devem ter ouvido milhares de vezes não está fácil manter um relacionamento sério hoje em dia. Rompemos após quase um ano.
Nesta época o pai do meu bebê convidou-me para ir até sua cidade, levar o filho para que ele conhecesse. Aceitei e voltei. Ficamos alguns dias de férias, então ele me fez a proposta que me surpreendeu, viver e criar nosso filho juntos. Exitei por vários meses, até pensar em meu filho e no que eu o estava privando. Conversei com algumas pessoas em quem confio muito, mas a decisão já estava tomada. Fui morar com ele e meu filho.
Voltei a trabalhar, cuidava da casa, do meu filho, das roupas do meu marido, da comida. Ele acreditava (e acredita) que faz muito me dando casa e comida. Aos poucos fui percebendo que sua mania militar de organização, silêncio, ordem, horários eram um traço forte de sua personalidade e que chocava-se diretamente com meu jeito livre de ser, coisa que, como boa aquariana refletia na minha desorganização e na minha preocupação em dedicar o máximo de tempo e atenção ao meu bebê. Isto de certa forma incomodava meu companheiro. Fui começando a perceber que sua mania controladora estava extrapolando o bom senso. Brigávamos muito! Por ciúme, por ele vir cheirando a bebida, por sua falta de paciência com o nosso filho, por suas puladas de cerca, por seu machismo.
Ele era tomado por acessos de raiva, gritava, xingava por que a comida estava ruim... enfim... eu me sentia um lixo. Então descobri que havia outra ex-namorada grávida. Ele fez questão de acompanhar toda a gravidez, acompanhava nas consultas médicas, ia visitar. Numa discussão grande por causa do novo bebê ele me bateu pela primeira vez. Bateu, me jogou no chão e foi embora.
Quando tentei conversar com ele mais tarde ele rebateu que não havia me batido, pois se o tivesse feito eu estaria toda quebrada. Conversei com uma amiga, ela me aconselhou a registrar queixa, eu não quis. Fiquei com vergonha porque a cidade é pequena e todos ficariam sabendo. Além disso, ele sendo policial como ficaria a situação? Tentei mais uma vez.
O problema é que as discussões iam ficando cada vez mais frequentes e sua atitude para encerrar o debate era erguer a mão. Até que ele me bateu, novamente. Decidi ir embora, voltar pra casa com meu filho e me afastar de todo aquele sofrimento. Ele começou a ameaçar tirar meu filho. Eu, por minha vez, tentei me consolar. Saí da casa dele e fiquei por um tempo na casa da mãe dele, a única família com quem podia contar nos momentos difíceis. Ela me ajudou muito cuidando meu bebê enquanto eu trabalhava, enfim.
Tentamos reatar mais uma vez... sem sucesso. Ou talvez com sucesso? Sei que muitos me julgarão e me chamarão de burra, como uma mulher com nível superior e independente apanha do marido e ainda assim tem dois filhos com ele? Peço que não me julguem, pois eu faço isso todos os dias, penso nos meus filhos e nos traumas que eles poderão vir a ter e me culpo por toda a violência que sofri. Ninguém mais precisa me dizer o quanto fui fraca, eu sei bem.
Quando contei a ele da gravidez ele enfureceu. Esbravejou, xingou e claro, me bateu mais uma vez. Eu já havia prestado queixa e pedido proteção para poder viajar com meu filho sem que ele me impedisse. Eu estava com dois meses de gestação, a agressão me fez faltar o trabalho e foi preciso contar a minha chefe todo o meu drama. Ela foi solidária comigo. Aos três meses tive um sangramento, mas conseguimos conter. O estresse com o meu ex não cessava. Acabávamos sempre discutindo quando ele vinha visitar nosso outro filho. Entre as acusações mais absurdas estava a de que o neném em meu ventre não era seu. Um tempo depois o médico recomendou-me repouso, tentava trabalhar de casa, mas não foi o suficiente. Comecei a perder líquido amniótico, era preciso repouso total. O obstetra desaconselhou a viagem para ter o bebê em minha terra natal. Meu segundo filho veio ao mundo com seis meses e meio de gestação. Está na UTI neonatal e graças a Deus está se desenvolvedo bem. Faz um mês e cinco dias que meu filhinho nasceu com pouco mais de um quilo. Ficará no hospital até ganhar peso. Todos os dias vou visitá-lo, levar o leite do meu peito, sentir seu cheiro e dizer o quanto o amo.
Durante o tempo em que precisei ficar em repouso a mãe do meu ex-marido muito me ajudou com os afazeres de casa e com meu outro pequeno. Tendo o apoio desta mãe não consigo compreender o caráter violento do pai dos meus filhos. Estou aguardando ansiosa poder ter meu filho nos braços e voltar pra minha terra. Vocês não imaginam o quanto sofri pensando na dor que seria perder meu filho! Como disse antes, tive dois abortos espontâneos e isso me traumatizou muito.
Agora aguardo ansiosa o momento de ir com meus filhos embora e me afastar deste homem que tanto amei, que tanto bem me fez (meus dois filhos) e que tanto mal me causou. Minha história é semelhante a muitas outras que acontecem, muitas vezes, bem próximas de nós. Eu não conseguia imaginar como uma mulher poderia se submeter aos maus tratos de um homem. Hoje, infelizmente, da maneira mais difícil eu sei. Mas consegui me reerguer!

PS.: Este depoimento foi criado por mim baseado na história de uma amiga que amo demais. É verdadeiro, mudei alguns detalhes e omiti os nomes para preservá-la. O bebê nascido prematuro está bem, ainda internado, mas bem.