segunda-feira, abril 25, 2011

Encerramento da I Jornada de Estudos sobre ditaduras e direitos humanos

 Neste sábado, dia 30, ocorrerá no Arquivo Público do Estado do RS o encerramento da I Jornada de Estudos sobre ditaduras e direitos humanos. Além das apresentações dos artigos, teremos a presença de Eduardo Solari apresentando "Não dá para esquecer", às 17 horas.

quinta-feira, abril 14, 2011

Projeto Cultural - APERS I Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos:

Sábado, dia 16 de abril acontece a I Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos. Serão apresentados  trabalhos. Confira a programação:
09:00h - Ramiro José dos Reis - “O condor se alimenta de carne podre: versões diversionistas da coordenação repressiva multinacional e a farsa binacional sobre o sequestro dos uruguaios em Porto Alegre.”

09:20h - Jorge Christian Fernandez -“O vôo do Condor em Passo Fundo: o seqüestro do engenheiro argentino, setembro de 1978”

09:40h - Diego Antônio Pinheiro Soca - “O Silêncio do Condor: Os Corpos Devolvidos pelo Mar em Santa Vitória do Palmar e São José do Norte em Abril de 1978 e a Reportagem Censurada de Tito Tajes”

10:30h - Intervalo

10:50h - Miguel dos Santos - “A resistência da oposição ao Regime Stronista: da contestação política a guerrilha armada”

11:10h - Cristiane Medianeira Ávila Dias - “A Ação Popular – e a Operação Fronteira (1969-1972): Rio Grande do Sul, espaço de resistência”

11:30h - Marla Barbosa Assumpção - “Geopolítica do Anticomunismo: o Rio Grande do Sul e a diretriz das “fronteiras ideológicas”

TARDE Comunicações

13:30h - Mateus da Fonseca Capssa Lima - “A Ditadura Civil-Militar e o Controle dos Movimentos Sociais no Rio Grande do Sul”

13:50h - Ricardo Oliveira da Silva - “Uma história em dois atos: A questão agrária no governo João Goulart (1961-1964) e no governo Castelo Branco (1964-1967)”

14:10h - Fernando Kruel de Abreu - “Da confissão ao castigo: as diferentes nuanças da tortura durante a ditadura civil-militar brasileira de 1964-1985”

14:30h - Anna Cláudia Bueno Fernandes - “O ataque ao corpo Durante a Ditadura Militar Brasileira”

15:20h - Intervalo

15:40h - Fernanda de Lannoy Stürmer, Maria Lúcia Ricardo Souto e Valéria Raquel Bertotti - “Contra a censura pela Cultura!”: acervo de textos teatrais do Espaço Sonia Duro do Teatro de Arena de Porto Alegre”

16:00h - Marcos Santos Machry - “Um olhar sobre a ditadura civil-militar brasileira por meio dos livros didáticos utilizados nas escolas públicas do país”

16:20h - José Fabiano Gregory Cardozo de Aguiar - “Canção política e engajamento artístico na música popular uruguaia –1967 – 1973”

16:40h - Francisco Alcides Cougo Júnior - “Entre câmeras e juris: “Os suportes de consenso” da Ditadura Civil-Militar na televisão brasileira”

Contamos com a presença de todos!

Fonte: Projeto Cultural - APERS

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO RS

Fone (51) 3288-9117

Rua Riachuelo, 1031, Centro, 90010-270

Porto Alegre, RS.

quarta-feira, abril 13, 2011

Militares querem proibir exibição da novela Amor e Revolução do SBT

O ator Claudio Cavalcanti denunciou a tentativa de um portal militar de proibir a exibição da novela do SBT Amor e Revolução.  Mais um absurdo destas pessoas que creêm ainda estarem no comando do nosso país. Tiago Santiago fez, e continua realizando, uma pesquisa muito séria sobre o período. Os fatos que relata na trama foram reais. Talvez tanta realidade assuste os milicos, pois há muita coisa que estava escondida sendo vislumbrada na novela, tal como o apoio dos Estados Unidos no golpe.
Muitos criticam e dizem que seria absurdo o Brasil ser um país comunista e que se os milicos não tivessem agido seriam novas Cubas ou Chinas ou Rússias. Certamente para estas mentes privilegiadas seria melhor ser colônica do "Tio Sam", sendo explorados e abusados até o último instante. Com certeza seria melhor obedecer ordens e ficar a mercê do que o presidente dos Estados Unidos a ter na presidência do NOSSO PAÍS UM PRESIDENTE LEGITIMAMENTE ELEITO PELO POVO.
Alguns capitalistas sem argumento costumam mandar a gente, que é a favor da igualdade, ir pra Cuba, ou pra China, já que gostamos tanto do comunismo. Digo a estes, se te agrada tanto o capitalismo porque não vai pros EUA? Lá não é a terra da oportunidade e da liberdade???
Não podemos calar agora. Proibir uma novela pautada em pesquisa séria é um retrocesso!!!!

"A memória histórica do país é patrimônio inalienável do povo brasileiro!"


A novela Amor e Revolução vêm rendendo na internet, apesar da audiência ainda estar aquém do esperado na TV. Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período da ditadura militar no Brasil. Os donos do site querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT. Será que nunca deixamos a ditadura? Será que esses vinte e seis anos, dito de volta à democracia, foi uma farsa e que sempre os militares ditaram os rumos do nosso País? Será que sempre eles disseram o que deve ser passado na televisão, no Brasil? O que esses militares estão tentando fazer e o que já fizeram, criando o tal abaixo-assinado, é um ato de censura e que não cabe em um país que se diz democrático. O tempo da ditadura militar já passou e já passou bem tarde e as consequências de tal período foram muitos mortos, muitas pessoas com sequelas terríveis, tanto físicas quanto mentais; e famílias que ainda choram seus parentes desaparecidos e assassinados. Nada disso é uma coisa pequena. Os militares vivem se metendo em assuntos que envolvem a ditadura militar, pois não querem que suas ações no período sejam reveladas e que fiquem impunes para sempre.

Como não pode-se abrir nem ter acesso a muitos documentos da época, façamos o que estiver ao nosso alcance para que os militares não cometam mais esse absurdo de censurar uma novela que está se mostrando imparcial e não está citando nomes de terceiros de nenhum dos lados - apenas fatos -, e ainda apresenta, no final de cada capítulo, depoimentos de ambos os lados. Chega dos militares quererem mandar, dar opinião em tudo que toque a eles! Chega do dedo militar nos programas televisivos, apontando o que deve e o que não deve ser passado na TV brasileira! Portanto, assine esse abaixo-assinado para dizer que você apoia a transmissão da novela AMOR E REVOLUÇÃO na emissora SBT.

terça-feira, abril 12, 2011

#EUSOUGAY

Sejamos Gays. Juntos.

abril 12, 2011

Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Itarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.
Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com
3) E só :-)


Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.
As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.

http://projetoeusougay.wordpress.com/2011/04/12/sejamos-gays-juntos/

Seminário "Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política"

Seminário resgata e debate Memória do Movimento Estudantil no Rio Grande do Sul

Organizado pelo Instituto Mário Alves (IMA), os três dias de evento acontecerão em Pelotas/RS reunindo além de ex militantes, representantes do movimento social, pesquisadores e estudantes
Acontece amanhã o importante Seminário que marca o lançamento do Projeto “Memória do Movimento Estudantil Universitário Gaúcho no Período da Redemocratização – 1977/1985: Juventude, Cultura e Política”, aprovado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.
O evento que acontecerá nos dias 13, 14 e 15 de abril em Pelotas, abordará debates e discussões com diversos nomes, que, ativamente fizeram parte do Movimento Estudantil em âmbito estadual e nacional. Estão confirmados palestrantes como o ator José de Abreu, o qual em seu período universitário, possuiu militância diante do processo de repressão; a historiadora e professora da UFRGS Maria Isabel Noll; Deputados Federais como Ronaldo Zulk e Pepe Vargas, além de representantes de entidades de resistência na militância estudantil.
Na programação que conta com mesas redondas - desde a organização e a resistência das histórias das lutas da juventude brasileira até os desafios e as perspectivas do Movimento Estudantil na atualidade, - haverá também espaço para mostras e apresentação de trabalhos acadêmicos ou relatos de experiência.
Para mais informações, acesse: www.imapelotas.blogspot.com


O quê: Seminário Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política
Quando: 13, 14 e 15 de abril
Onde: Auditório do Colégio São José, em Pelotas
Realização: Instituto Mário Alves (IMA), através do Ponto de Cultura “Memórias em Movimento”
Teaser do Seminário: http://www.youtube.com/watch?v=l1uWJySTvN4

(release assessoria de imprensa IMA)

terça-feira, abril 05, 2011

Mulher corajosa fala sobre Al Jazeera

video
Recebi este vídeo por email hoje. Não consigui deixar de compartilhá-lo, pois não é todo o dia que sabemos de uma mulher que expõe tão claramente suas ideias nos países muçulmanos. Esta não só fala como critica os atentados a bomba, os protestos com mortes, com argumentos irrefutáveis.

Expor os arquivos da ditadura

Buena Memória - Um ensaio fotográfico de Marcelo Brodsky

(Capa)


(verso que completa a foto da capa)
 A beleza da fotografia   retratando as ausências a que alguns se recusam a admitir! Sutil, bonito, verdadeiro, emocionante.


Nas páginas internas os textos do curador Diógenes Moura e do fotógrafo Marcelo Brodsky.
Para instigar o desejo de conhecer mais sobre a época, sobre nossa própria história, para não deixar calar as vozes que clamam por suas ausências. Vamos abrir os arquivos! #desarquivandoBR

Museu da Memória

 Ainda fazendo parte da blogagem coletiva #desarquivandoBR estou reproduzindo aqui parte do folder do Memorial da Resistência de São Paulo. Aqui estão a capa e o texto de abertura do panfleto.
Quem tiver interesse em visitar o Memorial da Resistência de São Paulo fica no Largo General Osório, 66 próximo a Estação da Luz. Telefone é (11) 3335 4990. O contato também pode ser feito via email pelo memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br ou podes dar uma olhada no site http://www.pinacoteca.org.br/. A entrada é gratuita e pode ser feita de terça a domingo das 10h às 17h 30min.

Blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da Ditadura #desarquivandoBR

Nasci em 04 de setembro de 1977. Na época a Ditadura Militar ainda era vigente, e a anistia estava recém começando a manifestar-se. Meus pais não se envolviam em política, primeiro porque em 64 minha mãe tinha apenas 10 anos, meu pai tinha 16, mas o fato real é que não sabiam do que se tratava. Ninguém tinha notícias. Eles não faziam parte de nenhum movimento social, pois tinham que trabalhar, correr atrás. A correria atrás do sustento era tanto, que pouco eles se lembram do que acontecia!
Quando entrei na escola, em 1984, não me lembro de reinvindicações políticas, pelo contrário. O fato mais marcante desta época pra mim foi a professora da primeira série falando com a diretora do colégio sobre como seriam os jogos da copa, se iríamos assistir os jogos no colégio ou seríamos dispensados para assistir aos jogos da seleção em casa? A ditadura ainda estava em andamento, embora alguns exilados tivessem sido anistiados e muitas vozes clamassem pelas eleições diretas. Mas a eleição indireta para presidente só veio a acontecer em 1985, eleição de Tancredo e Sarney, dois representantes da situação, indicados pelos militares. Situação esta que apoiou o golpe militar. O Tancredo Neves (que não chegou a assumir e que a morte causou comoção no país inteiro) era um homem muito infiltrado no governo, desde a época do Getúlio Vargas. O Sarney era da UDN, hoje é do PMDB, e mantem-se nas entranhas do governo desde que me lembro de assistir jornal, de ouvir ou assistir telejornal. Resumindo... só o golpe completou 47 anos, calcule aí a quanto tempo Sarney está por aí infectando a política!

Ter nascido justamente neste período, sem ter podido atuar politicamente, por ser uma criança, talvez tenha me feito ter muita curiosidade por esta época. O resultado foi que, para matar a curiosidade, na faculdade comecei a estudar e pesquisar sobre a época. Cada vez que estudava e descobria mais coisas a baita indignação que sentia com todas as injustiças que continuam impunes até hoje só aumentavam.

Como acreditar no futuro de um país justo se coisas tão absurdas haviam acontecido com o consentimento do Estado em nome da tão suprema Segurança Nacional? Como ter esperanças na verdade, se políticos perseguidos, depois de eleitos em altos cargos continuavam mantendo os arquivos secretos, secretos e lacrados? De onde tirar esperanças na nação se centenas de desaparecidos continuavam e continuam desaparecidos e suas famílias seguem chorando sua ausência?


A tortura foi além dos tão falados e discutidos porões da Ditadura! As famílias dos militantes políticos desaparecidos continuam sendo torturadas, pois, não sabem se podem manter sua esperança em reencontrar seus entes queridos ou se encerram seu luto, mesmo sem ter realizado a cerimônia fúnebre, sem ter encontrado os corpos dos seus amados.

Quando comecei a pesquisar meu tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) escolhi a censura nos meios de comunicação para compreender quanto mal esta prática comum no período da Ditadura causou no período atual. Fui em busca de um orientador para o trabalho, o primeiro professor com quem conversei me desestimulou da pesquisa. Alegando que eu teria que brigar com muita gente e o melhor era não mexer no assunto. Seria isto já uma espécie de censura?????

Mas eu não desisti, procurei outro orientador. Não tive como entrevistar pessoas nos jornais, mas fiz uma revisão bibliográfica rica, e nestes livros e artigos que procurei jornalistas conhecidos assumiam as práticas de censura, sejam elas veladas ou instituídas pelo Estado. Colei grau muito feliz por ter conseguido saber um pouco mais sobre este período obscuro da nossa história. Mas continuei sem ter respostas para questões muito importantes, como o porquê não se abrem os arquivos? Porque os torturadores não foram punidos? Porque que com a anistia liberando das responsabilidades os torturadores os desaparecidos políticos não foram devolvidos a suas famílias? Porque não indicaram e exumaram os corpos sepultados em valas comuns em cemitérios clandestinos?
Fui pesquisar sobre a anistia, fui folhear jornais antigos na Bibliotheca Pública Pelotense para saber como tudo se deu aqui no Rio Grande do Sul, mais especificamente em Pelotas. Minha orientadora foi a mestre Beatriz Ana Lonner, que em nenhum momento me disse que tal assunto não deveria ser abordado. Ela sempre incentivou inclusive após minha defesa, quando revelei que sentiria falta, ela disse temos o mestrado. Todo o estudo que fiz e continuo fazendo sobre o período da Ditadura Militar, todo o livro que leio a respeito me instigam mais a mente, criam mais dúvidas, alertam para questões que continuam sem respostas. Cada depoimento me mostra quanta crueldade aconteceu, quanta dor foi causada, e o quanto não sabemos de nada. Sabemos só o que querem que saibamos. De 1960 a 1980 a América Latina toda passou por este massacre, cada uma com seu ditador, cada ditador mais sanguinário. Todos ainda mantêm esqueletos nos armários.

A diferença na nossa ditadura é que de tempos em tempos outro general assumia a Presidência da República. Vai ver é por isto que alguns reacionários dizem que não era ditadura, que houve democracia. Mas em verdade havia rotatividade de ditadores, mas o povo não tinha direito de opinar em nada. Quem exaltava sua voz, mesmo certo, mesmo tendo sido eleito por voto direto do povo era cassado, era preso, era expulso da sua terra, da sua casa e das suas famílias.

Continuo pesquisando, lendo, trocando informações com pessoas que, assim como eu, acham imprescindível que este período seja dissecado, que os fatos sejam esclarecidos, que os criminosos sejam responsabilizados. Não para que os que fizeram o certo recebam medalhas, não é pra isto. É para que o Brasil se torne realmente um país justo.

Para tal, é extremamente importante que museus e estudos como o Memorial da Resistência de São Paulo existam. É importante que jovens, crianças e adultos que viveram aquele período os visitem e saibam o que aconteceu e como. Caminhar naquele pátio estreito aonde os presos políticos tomavam sol faz com que a gente se transporte para o período. Senti um pouco de culpa por não ser mais ativa, por não cobrar mais. Pois no dia que visitei o Memorial, havia no saguão de entrada uma exposição fotográfica intitulada "Buena Memória". O fotógrafo Marcelo Brodsky produziu um ensaio fotográfico contando a sua história, de sua família, de seus colegas do Colegio Nacional de Buenos Aires. De uma forma muito bonita ele contou sobre a ausência, ou melhor, sobre a boa memória que guardava de seu irmão Fernando, preso e morto pela ditadura Argentina. Minha vida andou pelas mesmas ruas brasileiras aonde a Ditadura comandou o país por 21 anos. Mas em nada, absolutamente nada pode se assemelhar com a dor da ausência da qual sofre Marcelo. Nossa semelhança é ansiar pela verdade.

Caminhar pelas celas do memorial me fez ter uma vaga ideia do quão difícil devem ter sido os dias de cárcere naquele lugar. A única beleza que podemos perceber é a cela com o cravo vermelho. Sei que podem pensar como achar beleza numa cela escura, com portas pesadas e uma garrafa com um cravo de plástico? A beleza que percebi foi do amor, do idealismo, da coragem daqueles jovens que estiveram lá. A beleza está neles terem se mantido puros de espírito e coração. De terem se mantido fiéis as suas crenças, de conseguirem pensar nos que estavam nas celas ao lado mesmo tendo suas feridas para curar. Visitar as celas, ler a cronologia, assistir as imagens, ver as fotos choca e machuca. Mas nada emociona mais do que ouvir, no escuro, os relatos de quem esteve naquele cárcere. Óbvio que não foi possível conter minhas lágrimas depois de conhecer as histórias que Marcelo Brodsky contou com sua Buena Memoria. Claro que não foi possível escutar os sobreviventes daqueles porões contando o que sofreram entre aquelas paredes, a falta que fazem os que se foram como se nada daquilo fosse comigo. Porque é. Eu quero saber o que meu país fez com tantos de seus filhos em nome da sua segurança. Que segurança era esta?

É preciso desarquivar o Brasil! É importante que os crimes sejam esclarecidos e os culpados punidos. Presidenta Dilma, vamos começar o progresso e o desenvolvimento do país #desarquivandoBR.