quinta-feira, junho 28, 2012

Buracos fazendo aniversário e o secretário de serviços urbanos

Faz um certo tempo que não presto atenção no Jornal do Almoço. Tenho até um certo trauma deste telejornal! Sim, quando eu era criança ninguém podia falar na mesa na hora do comentário do Mendes Ribeiro.  É o pai do deputado de mesmo nome. Eu detestava aquele homem que me impedia de fazer qualquer pergunta, de falar qualquer coisa na hora em que estávamos todos reunidos para almoçar. Quando os comentários dele pararam e ele morreu já não dava mais muita bola pro que tava passando na televisão ao meio-dia e como já estava um pouco maiorzinha...
Com a ressalva do comentarista que eu detestava e do Paulo Santana, que me parecia sempre bêbado, o restante do jornal eu até encontrava algum interesse. Mas nos últimos tempos a coisa tá braba, como dizemos por aqui. Cada tragédia ocorrida no mundo obrigatoriamente tem que ter um gaúcho! Tá, eu também carrego meu barrismozinho aqui dentro, mas tem dó! Além disso, as reportagens com mais tempo de duração são as que falam sobre os novos programas da rede de televisão ou sobre amenidades, geralmente exibidas depois de uma matéria de cunho importante, como o caos na saúde, uma denúncia de corrupção ou a segurança precária, entre tantos outros assuntos polêmicos e importantes para o país.
Para mim a fragmentação da notícia e a disposição dos temas na programação é perceptível devida a minha formação em  Comunicação Social. No entanto, a grande maioria das pessoas não percebe e acaba ficando com a análise rasa e fútil muitas vezes do problema mais grave e com muitas informações inúteis sobre os novos personagens da novela.
Vez por outra, e aqui tenho que ser justa, o telejornal faz uma série de reportagens interessantes com a participação da população. Hoje foi encerrada a série "Blitz dos buracos", com a participação do secretário municipal de serviços urbanos e a série foi encerrada sem nenhuma explicação decente  por parte da prefeitura em relação aos buracos nas ruas. Segundo o secretário 500 buracos é tolerável, pra uma cidade como Pelotas. A gente até entende, a cidade é extensa, não dá pra fechar todos de uma só vez, mas tem buraco que já fez aniversário! Crateras para quem a população cantou parabéns!
Quando questionado por moradores sobre ruas que constam como asfaltadas e que, ao vivo, seguem de chão batido o secretário disse que "as pessoas tem direito de saber o que consta na Prefeitura". Tá ok, a gente já sabe que lá na papelada da secretaria constam como ruas asfaltadas, na vida real não estão, qual atitude que a prefeitura vai tomar em relação a isto? Dizer que o asfalto tá lá há 200 anos e a gente não vê por que já desencarnou? Ou será que vai jogar, simplesmente, para a gestão anterior e deixar por isto mesmo?
O secretário me pareceu muito desinteressado de tudo. A fala dele me pareceu, traduzindo algo como, a população pode falar o que quiser, afinal estamos numa democracia, mas se algo irá mudar ou se vamos (no caso ele e a prefeitura) nos interessar pelo que ele diz... isto é outra coisa.

quinta-feira, junho 21, 2012

Sábado Resistente

Neste dia, 30 de junho, das 14h às 17h 30min tem mais um Sábado Resistente. O encontro deste mês será dedicado aos 35 anos da prisão dos militantes da ex-Convergência Socialista, cidadãos que lutavam junto ao movimento operário pela derrubada da ditadura militar e pela legalização de um partido de trabalhadores que representasse e defendesse os interesses da classe operária.
Será debatido o legado deste movimento, assim como se obterá esclarecimentos sobre as ações que estão sendo movidas nas últimas semana pelo Ministério Público Federal para desvendar as responsabilidades pelos crimes que o Estado cometeu na região, atendendo às determinações da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Programação

14h: Boas vindas - Katia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo).
Coordenação - Ivan Seixas (Presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política)
Américo Gomes (Comissão dos presos e perseguidos políticos da ex-Convergência Socialista)

14h15min. Apresentação dos dados

14h30min - 15h 30min. Palestras
Bernardo Cerdeira
Jornalista, Editor da revista Versus, preso em 1977 e dirigente da ex-Convergência Socialista

Maria Salay
Operária Metalúrgica do ABC, dirigente das greves de 1977, militante da ex-Convergência Socialista

Álvaro Bianchi
Diretor do Arquivo Edgard Leuenroth e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Américo Gomes
Advogado, membro da Comissão de Presos e Perseguidos Políticos da ex-Convergência Socialista

15h 30min: Projeção de vídeo sobre a história do movimento operário no final da década de 70-80 e a ligação com a ex-Convergência Socialista

16h: Homenagem
Nahuel Moreno
Ex-dirigente da Liga Internacional dos Trabalhadores, preso com os dirigentes e militantes da ex-Convergência Socialista

16h 30min: Lançamento da revista Correio Internacional comemorativa dos 30 anos de fundação da Liga Internacional dos Trabalhadores

Fonte: Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 - Luz
Auditório Vitae - 5° andar


quarta-feira, junho 20, 2012

A coerência política

Nem sei por onde começar. Passo dias sem postar nada, porque é tanta coisa acontecendo e tantas coisas estapafúrdias que minha mente não conseguiu formular algo em relação a cada fato. Mas não poderia me calar diante da aliança PT/PP para a prefeitura de São Paulo. A aliança é terrível e acaba por enterrar, se ainda existia alguma, qualquer diferença que ainda pudesse existir entre os partidos políticos. É absurdo que o PT tenha aceito o apoio do Paulo Maluf!
Sei que vão dizer que apoio é apoio e não se deve desperdiçar. Mas pode-se desperdiçar a moral, a ética, a coerência? Nunca fui petista, mas fiz campanha várias vezes, porque acreditava nas propostas que os candidatos traziam. Só que tanto na vida política, como na vida do cidadão não podemos aceitar o vale tudo! Nunca a expressão "farinha do mesmo saco" fez tanto sentido quanto neste momento político! E ao que parece, a grande maioria dos políticos não está se importando se sua ideologia é contrária a do partido que representa ou se coliga.
Quando Luiza Erundina retirou sua candidatura a vice na chapa com Haddad, pensei comigo, estão surpresos, mas é o mínimo que ela podia fazer dentro da coerência, dentro da sua história na política! O que me surpreende é Lula apertar a mão deste sujeito! Se bem que... depois de Sarney e tantos outros tubarões e raposas velhas com quem se aliou em nome da governabilidade, subir no palanque ao lado de Maluf é só mais uma demonstração de que a expressão popular pode estar certa mais uma vez e lá se vai mais uma boa intenção direto pro inferno. Afinal, não dizem que de boas intenções ele tá cheio?

quarta-feira, maio 23, 2012

A proposta: "amante fixa"

Costumo dizer, a respeito de mim mesma que: se não queres saber a minha opinião sincera sobre qualquer assunto não pergunte.É não sou flor que se cheire até porque estou mais pra planta carnívora do que pra qualquer flor perfumada dos lindos jardins. Não sou uma pessoa ruim, mas não mudo de opinião tão fácil assim (sou considerada teimosa e cabeça dura!) e cantadas podres e pobres não me levam a lugar nenhum muito menos pra cama. Não sou boneca inflável, tampouco banheiro público aonde, num momento de necessidade, tu pode te aliviar. Nem me sinto lisonjeada pelo fato de um homem me procurar com o único intuito de transar comigo. Não, não sou frígida, nem quero parecer santa! Porque, ainda hoje, as coisas são assim, simplistas, se gosta de sexo = vadia, se não gosta = frígida (ah! e tem a opção B, gay).

Até porque... né, o garanhão não é capaz de cogitar a opção correta: "gosto de sexo mas não contigo!".
E ele vai mais longe (o pseudo garanhão) na sua cabeça machista e perturbada, se a mulher gosta de sexo e é uma vadia (na cabeça dele, em ambas, a de cima e a debaixo) ela tem que dar pra quem quiser transar com ela e ponto. Eu, como boa bisca que sou, penso exatamente o contrário. Principalmente porque, ser uma biscate é ter o direito de escolher e liberdade para ser quem quiser ser.

Ontem fui colocada diante de uma situação destas, pela segunda vez. O papo começa sempre no mesmo sentido, afinal o outro já parte do pressuposto de que, como já te rotulou tu agirás dentro do rótulo que ele te deu. Então vem o cara, um rapaz jovem, que deveria ter a mente aberta... é, deveria... Começa se oferecendo como a última novidade do mercado, sendo que eu já comprei o produto e devolvi por apresentar defeito. Eu querendo ser aquela rosa meiga e cheirosa do jardim mais lindo do mundo evitei responder a fatídica pergunta: "não queres me pegar de novo?". Em pensamento já havia gargalhado e dito, a resposta está no início da pergunta. Educadamente eu disse que já havíamos tido aquela mesma conversa uma outra vez, na esperança de que o papo fosse cortado naquele exato momento. Ele se fez de desentendido.
Fico imaginando que alguns homens fazem isto na crença de que faremos como antigamente, sorriremos e consentiremos qualquer ideia deles, mesmo contra a nossa vontade. Ele insistiu na pergunta. Eu disse que nós não éramos compatíveis em nenhuma área. Não alcançou o raciocínio. E a planta carnívora dentro de mim pronta para dar o bote ia tentando o auto controle pensando, esta carne deve ser ruim!

Fui clara então. Não estou interessada em sexo por sexo. Isto pra não dizer na cara dele (pelo msn) que na nossa única experiência teve: uma brochada (neste caso de ambos, a minha resultado do desempenho que deixou a desejar), péssimas preliminares e nenhum gozo. Mas ele, como todo garanhão é egocêntrico demais para observar a minha cara e reação de descontentamento, além do pequeno sorriso de alívio quando disse que ia s'imbora.
Óbvio que ele usou argumentos muito "convincentes" (pode até ser que convença alguém, mas creio que nenhuma das mulheres que eu conheço) como o fato de ter pensado seriamente em ter-me como uma amante fixa! Gente! Quem me conhece deve imaginar a minha cara diante da tela do computador! Mas Deus sabe o que faz e não me deu visão de raio X, ou do contrário ele estaria derretido neste momento soltando fumacinha pelos ouvidos. Aham! é tudo o que eu quero na minha vida, ser amante fixa de um babaca machista!

A questão que me estarrece e indigna não é a falta de noção desta pessoa específica, mas saber que em pleno século XXI tem quem pense que mulher é propriedade dos homens. É o fato dos caras (alguns claro!) pensarem que a escolha só ocorre da parte deles, ou seja ele me escolheu, fico lisonjeada, sorrio e aceito a proposta! Que é mais indecente do que a que o Robert Redford fez pra Demi Moore, em Proposta indecente, visto que ele ofereceu um milhão de dólares pra ela e a decisão foi dela, ainda que o marido não tenha gostado nada-nada.

É meu corpo, é minha escolha. Eu tenho que ser respeitada, seja na minha escolha de fazer sexo sem compromisso ou na ideia romântica de passear de mãos dadas na praia sob a luz da lua. Como bem diz um amigo meu "a tentiada é livre!" Faz tuas cantadas grosseiras, mas não conte que eu vá gostar delas. Não milito em causas feministas e pelo fim da violência  contra a mulher atoa. Não sou objeto e não sou propriedade! Quero um companheiro! Com-pa-nhe-i-ro, não um sinhôzinho!

terça-feira, maio 22, 2012

Não sei se as revelações de abuso da Xuxa são verdadeiras, mas não creio que alguém minta sobre isto

Não sou fã da Xuxa, não gosto dos programas nem do estilo dela.O programa infantil da minha infância era "O balão mágico", com a Simony, o fofão, o Mike, o Tobby e o Jairzinho. Nem havia o programa da Xuxa ainda. E quando começou era na Manchete e não passava aqui. Eu tinha verdadeiro pavor quando alguém dizia que eu era "baixinha da Xuxa". Não sou, nem nunca fui, porque sempre gostei de pessoas verdadeiras e ela sempre me pareceu forçada demais. Sem contar o horror e as coisas bizarras que faziam com o Praga (o anão vestido de tartaruga)! Tenho pra mim que o verdadeiro motivo das crianças assistirem programas infantis são os desenhos, estes sim prendem as crianças diante da televisão e nem precisa ter ninguém pra anunciar, aliás, lembro-me bem de mim a espera de algum deles, mandando logo o apresentador sair e rolar a animação.

Xuxa tem muita fama e é querida por muitos, mas não faz parte dos ícones das novas gerações. Esta um pouco esquecida e se bobear tem muita criança que não sabe quem ela é. As revelações dadas ao Fantástico causaram muita polêmica, comoção e apoio por parte de uns, repulsa, acusações e outras coisas por parte de outros. Não assisto ao programa dominical há muito tempo, aliás há muito tempo não assisto muita coisa da Rede Globo. E os anúncios de declarações bombásticas da "rainha dos baixinhos" (de quem?) não me instigaram a curiosidade, até porque, em tempos de redes sociais se sabe de tudo, quase que em tempo real.

A entrevista polêmica teve o intuito de alavancar o ibope da revista eletrônica, que a muito tempo deixou de ser interessante, deixando as informações de lado para trazer muitas matérias sobre a própria programação da rede de tv ou pautada por elas. Embora Xuxa esteja numa situação de não ser mais a grande atração da Globo, não creio que, em sã consciência, alguém fosse em horário nobre contar mentiras pra se autopromover, com exceção dos políticos (aliás, muitos deles com algum grau de psicopatia, o que lhes confere total falta de sentimento e caráter). Quando falo mentiras me refiro a denúncia de ter sido abusada na infância e adolescência. Todas as outras revelações que ela fez considero muito questionáveis pelo próprio comportamento dela, tipo dizer que sua verdadeira paixão foi o Pelé, quando a vida inteira ela negou ter tido qualquer tipo de relacionamento com ele. Ou dizer que o amor de sua vida foi o Senna, mesmo tendo se separado dele. Nem sei se ela falou destas coisas e pouco importa, o mais sério de tudo é ela ter assumido ser vítima de abuso.

Como eu disse antes não sou fã, nem gosto dela, não gosto de ouvir nem a voz dela na televisão. Mas não creio que ela tenha mentido sobre o abuso. Pois neste caso ela seria muito mau caráter. Quando adulta ela pode ter tido uma conduta questionável, mas quem de nós pode questionar, não é mesmo? Acontece que a violência que ela sofreu foi na infância, num momento de fragilidade e temos que respeitar isto. Ela foi uma vítima como existem tantas outras  pelo Brasil afora.
Questionável pra mim é a conduta da emissora de usar isto pra alavancar ibope de programa fracassado. É a sociedade cobrar um papel e tu teres que te submeter para "parecer respeitável", porque é preciso parecer e ter, ser é outra história.

Não acho que a Xuxa seja uma coitadinha, ela fez as escolhas dela. Mas negar que ela é uma vítima e culpá-la pelo abuso que sofreu é demais, até pra mim que não gosto dela.

quarta-feira, maio 16, 2012

Que lado prevalecerá?

Estou sempre lendo textos, pesquisas, livros e artigos sobre a Ditadura Militar, a Lei de Anistia, desaparecidos políticos e coisas afins. Quando o primeiro, dito governo de esquerda foi empossado, animei-me pensando que realmente os arquivos secretos seriam abertos e todas aquelas histórias escabrosas de tortura, desaparecimentos, cemitérios clandestinos seriam esclarecidos e os torturadores seriam levados a julgamento. Mas nada aconteceu efetivamente e, assim como várias leis e programas,  o desarquivamento ficou para o próximo presidente, no caso presidenta.
Falou-se em revanchismo, em dureza e tudo mais. O bicho papão da esquerda no Brasil, depois do "Lulinha Paz e Amor" estava mansinho, mansinho. E a ex-guerrilheira, presa e torturada nos temidos e úmidos porões da ditadura militar tornou-se uma avó doce e meiga, a ponto de lançar um programa de governo com o nome de Brasil Carinhoso. Nada contra! Aliás, bem pelo contrário.  As trabalhadoras brasileiras necessitam ser contempladas com os pontos destacados no programa. Dilma segue sendo uma mulher firme, mas nesta questão da ditadura militar os milicos continuam ganhando.
Foram anunciados os sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade, mas não há representantes das famílias ou dos movimentos pelos direitos humanos. A indignação veio com a declaração do integrante da CNV, Jose Carlos Dias, que destacou que o foco será a responsabilidade dos "dois lados". É tão linda a imparcialidade não é? Irão punir mais uma vez quem esteve preso e foi julgado pelos militares? Como farão com os desaparecidos? Eles se tornarão foragidos da Justiça? Não basta a crueldade de impedir suas famílias de dar-lhes um sepultamento digno? Não basta os militares seguirem comemorando o golpe, porque foi um golpe dado num governo legalmente constituído?
Quando penso neste período e nos acontecimentos, não consigo deixar de me  indignar com isto, com este absurdo que é manter secretos os acontecimentos que daria alento há centenas de famílias que não sabem se seus entes queridos estão realmente mortos. Famílias estas que não tiveram o direito de sepultar seus mortos e não se sabe se irão ver a Justiça ser feita. E com certeza, muito mais do que eu, devem ter sofrido horrores ao ler ou ouvir a declaração de José Carlos Dias.
Levarão os mortos ao banco dos réus? E os militares?
Os militares aprovaram os integrantes da Comissão Nacional da Verdade. Agora tirem suas próprias conclusões.

quarta-feira, maio 09, 2012

Cosmópolis

Semana Nacional de Museus
COSMÓPOLIS: São Paulo, Museu do Mundo
 (dias 12 e 19 de maio de 2012)

Apresentação:
As identidades multiculturais, decorrentes dos movimentos imigratórios e migratórios que ocorrem desde finais do século XIX, transformaram a cidade de São Paulo num amplo mosaico cultural.  Vista como um polo de oportunidades em distintos contextos sócio, político, econômico e cultural, pessoas oriundas de diversas partes do Brasil e do mundo compartilham desta rica diversidade cultural. Esta tem sido uma característica das grandes metrópoles. Entretanto, esse convívio nem sempre se dá de forma harmoniosa, mas também carregado de conflitos, de exploraçãoeconômica, dificuldades de interação entre as distintas culturas, preconceito cultural e, ainda, a ausência de direitos para os estrangeiros.
Ao lado da necessidade de implementação de políticas públicas que garantam os direitos fundamentais para todos os cidadãos, é fundamental que as comunidades participem ativamente do processo em diferentes instâncias. Nesse sentido, as instituições museológicas têm a potencialidade de desempenhar importante papel junto às comunidades, pois o conhecimento do patrimônio favorece a reafirmação das identidades, possibilita a reflexão crítica sobre a realidade e amplia a capacidade de construir novos laços deinterações e cooperações, necessários para a conquista dos direitos.
Acreditando nos princípios da cidadania global, em que os direitos humanos devem ser vistos sob uma perspectiva de direitos universais e que a consolidação da democracia somente pode se dar por meio do respeito à pluralidade e à diferença, este Seminário, concebido no âmbito do Programa da Semana de Museus sob o tema Cosmópolis: São Paulo, Museu do Mundo, tem como objetivo discutir sobre a possibilidade da construção social da cidadania por meio da reflexão crítica sobre a historicidade dos movimentos migratórios, dos avanços e perspectivas relativos à equidade de direitose do papel que as instituições museológicas comprometidas com uma Museologia social podem desempenhar neste processo.
Além disso, realizará uma oficina de arpilleras, com o objetivo de ampliar a reflexão sobre os temas discutidos por meio da construção coletiva de bordados a partir das memórias dos participantes. As inscrições deverão ser realizadas presencialmente no dia 12 de maio com Vanessa do Amaral.
Coordenação: Kátia Felipini Neves - Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo
Assistente de Coordenação: Vanessa do Amaral

PROGRAMA
Dia 12 de maio de 2012 (sábado) – 10h
1) Movimentos Imigratórios e Migratórios em São Paulo: contexto sócio, político, econômico e cultural
- Zilda Marcia Grícoli Iokoi
Professora titular do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, na área de História do Brasil Independente, atuando principalmente na linha de pesquisa História das Relações e dos Movimentos Sociais, nos temas da educação, lutas camponesas, políticas públicas, imigração contemporânea, humanidades, direitos e outras legitimidades. É diretora executiva do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância – LEI/USP e vice-diretora do Conselho Administrativo da Associação Museu daTolerância.

2) Legislação e políticas migratórias: cidadania global para a consolidação da democracia
- Deisy de Freitas Lima Ventura
Professora de Direito Internacional e Coordenadora de Projetos da Comissão de Cooperação internacional do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP). Coordena o Grupo de Estudos sobre Internacionalização do Direito e Justiça de Transição (IDEJUST, convênio USP/Ministério da Justiça) e o projeto de extensão universitária Educar para o mundo.

12h - 12h30: Debate

Dia 12 de maio de 2012 (sábado) – 14h

3) Respeito à Pluralidade e à Diferença: articulações para a criação de novos laços, interações e cooperações
- Oriana Jara Maculet
Socióloga. Presidente da organização não governamental Presença de América Latina (PAL), criadora e diretora do Projeto Presença Latina, que procura a integração das comunidades de migrantes hispano-latinos residentes em São Paulo. Representante (2005-2006) do segmento Migrantes Brasileiros e Estrangeiros na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

4) Pedagogia Museológica: afirmação das identidades por meio do patrimônio
- Maria Cristina Oliveira Bruno
Professora Titular em Museologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (2010), Livre-Docente em Museologia no MAE/USP (2001), especialista em Museologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e Licenciada em História pela Universidade Católica de Santos (1975). É autora e também responsável pela organização de livros e artigos em periódicos especializados, membro de conselhos de instituições museológicas e presta consultorias a instituições museológicas.

16h - 16h30: Debate


Dia 19 de maio de 2012 (sábado) – 9h30
9h30 - 13h30: Oficina de arpilleras
- Esther Vital Garcia Conti
Psicóloga, desenvolveu no mestrado a transformação de conflitos por meio da arte. Desde 2008, desenvolve e acompanha trabalhos no Brasil e no exterior, com imigrantes e outros grupos, tendo como base trabalhos com arpilleras e outros suportes artísticos.

Fonte: Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz
Auditório Vitae – 5º andar

quarta-feira, abril 25, 2012

Eu quero o Teatro Sete de Abril de volta!


Eu também quero o Teatro Sete de Abril de volta. Entre muitos motivos está o da importância que ele representa por se tratar de um dos mais antigo do país, pela representação histórica, pela beleza arquitetônica. O Teatro Sete de Abril recebeu as companhias de teatro mais renomadas do Brasil e de fora dele. É um ícone e está jogado as traças, esquecido.
O desrespeito por ele vai além da questão política! Há anos atrás foram feitas campanhas com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração do teatro, coisa que nunca veio a ocorrer. Depois esteve fechado, passou por uma reforma no seu interior e agora está fechado novamente.
O Teatro Guarany é lindo, mas está em situação ainda mais precária que o próprio Sete que está fechado. Falo com conhecimento de causa, os camarins estão terríveis. Seria muito necessário uma limpeza das cortinas do palco, das paredes, do teto, enfim, faxina completa. E ainda que seja alugado o dinheiro não parece ser investido no próprio teatro. A pergunta que fica é: como receber grandes nomes do teatro ou da música sem ter aonde recebê-los?
Os camarins estão ruins para o pessoal da terra que se apresenta no teatro, mas também para os atores conhecidos da mídia. Porque abandonar a cultura assim, desta forma?
Comemorar 200 anos deveria começar por preservar e cuidar dos símbolos da cultura da nossa cidade. O Teatro Sete de Abril faz parte da história de Pelotas, faz parte dos 200 anos, mas sua história está com as portas lacradas. Que vergonha!

segunda-feira, abril 23, 2012

Responsabilidade

Há algum tempo estou para escrever este texto. Venho ruminando as palavras, pensando nos argumentos, nisto e naquilo e tenho deixado pra lá, para, talvez, não causar constrangimentos. Mas sempre há o dia em que o nó na goela precisa ser desfeito e antes que este nó me sufoque vou por pra fora alguns pensamentos.
Não tenho a intenção de falar mal de pessoas ou religiões, tal qual prevê a Constituição creio que a liberdade de culto deve ser respeitada. Sou espírita, ou espiritualista para ser exata e estar de acordo com a Doutrina Espírita. Algumas vezes sinto minha religião desrespeitada, ainda que a Constituição me assegure professá-la. No entanto, não é sobre religião que quero falar. Quero, e vou falar sobre a responsabilidade de gurus, pais de Santos, pastores e outros mais que usam da boa fé das pessoas para arrancar-lhe dinheiro prometendo curas e milagres.
Como disse antes, sou espiritualista, vou no centro espírita, no terreiro de umbanda e nunca, em nenhum dos ambientes que fui até hoje, (e isto é quase minha vida inteira, 35 anos) me cobraram R$ 0,10 se quer para dar um passe ou auxiliar-me. Assim como, em NENHUM DESTES LUGARES ME DISSERAM QUE NÃO PROCURASSE O MÉDICO PARA TRATAR UMA DOENÇA. Pelo contrário, lugares sérios ressaltam que: "Se houver cobrança, vá embora!". Além de que, orientam que as pessoas sigam fazendo o tratamento médico e tomando os remédios prescritos pelos doutores. E eu tenho isto pra mim deste sempre.

Tem um tempo que ouvimos e assistimos em telejornais e especias de televisão que alguns templos (eles se dizem) vendem a cura para as mais diversas doenças. Eu sei, tem os pais de santo que trazem o amor em três dias, curam de fimose a unha encravada, fazem de um tudo prevendo passado, presente e futuro. Mas destes, todos já estão avisados. Sabe-se de antemão que são charlatões que vendem até gatos bentos que "descagam" dinheiro. Agora, aqueles homens, sérios que lá do púlpito discorrem sobre a palavra de Deus, muitas pessoas, a grande maioria desesperada por alento, não está vacinada. São pessoas muitas vezes ingênuas que já recorreram a todas as possibilidades na vida para resolver seus problemas e sua última esperança é Deus. Não vou dizer que é a religião porque, embora compreenda a etimologia da palavra, as diferentes crenças tratam Deus e sua palavra conforme lhe convém.
Não importa se tu crê ou não em Deus, se és materialista ou espiritualista, nada disso importa. Porque o que precisamos ter por estas pessoas, que estão muitas vezes desesperadas, é compaixão. Pode ser que não sejam cultas, nem espertas ou inteligentes. Concordo até que algumas se deixam enganar, mas elas buscam algo maior. E é nesta busca que entram os irresponsáveis que vendem curas e unções milagrosas. Óbvio que uma pessoa diagnosticada com um câncer maligno ou HIV vai buscar consolo, seja aonde for, seja em todos os templos religiosos do planeta, é natural de quem não quer morrer. Assim como podemos até ver pessoas materialistas chamarem por Deus num momento de perigo. Não há nada de errado nisto.

O errado é usar do desespero alheio para ganhar dinheiro! Eu jamais acreditei que um... (vou usar mentor espiritual porque esta expressão na minha concepção engloba todas as religiões) mentor espiritual fosse tão irresponsável a ponto de dizer a um doente, diagnosticado com um câncer maligno que ele não precisava fazer tratamento ou cirurgia porque após uma atividade realizada por ele estaria curado.
Na minha mente não há como conceber! Não são apenas os doentes de câncer que recebem este tipo de "consolo" irresponsável, doentes de Aids e portadores de HIV são curados após sessões sabe-se-lá-do-quê. Há mentores que orientam estas pessoas a refazerem seus exames para comprovarem que ficaram curados. Mas sempre que os exames comprovam que a doença não foi curada, até porque não tem cura, ainda, a culpa é do doente que não mereceu a graça, foi algo que eles fizeram de errado ou não fizeram corretamente.

Então fico pensando... podemos responsabilizar estes mentores pela morte de alguma destas pessoas? Como podemos proceder nestes casos. Sim, vejo de perto uma situação destas e ouço médicos e enfermeiros relatando situações de pacientes que não realizam os tratamentos acreditando que sua fé já lhes curou. Como ser alguém tão vil e egoísta a ponto de deixar que um ser humano morra na dor, sem tratamento? Não é uma questão de religião, não é. É responsabilidade diante da vida de outra pessoa. É amor ao próximo, é compaixão, tá lá no livro, foi dito por Jesus, que eles dizem que seguem, que amam.

Quem responderá pelas vidas perdidas irresponsavelmente por estes mentores que vendem curas?
Pergunto porque no caso de um erro médico ou coisa parecida pode-se recorrer a Justiça, processar, pedir indenização, responsabilizar médicos, enfermeiros, hospitais. Mas no caso de alguém que comprou a cura num templo religioso qualquer? Quem é o culpado? Mais uma vez o pobre coitado que foi buscar consolo, porque é um lunático que interpretou tudo errado, que quer provar que é um mártir e sabe-se-mais-o-quê podem dizer de alguém que está deteriorado por uma doença. Acreditar, sim, eu tenho fé e peço socorro aos meus guias e orixás quando me sinto em perigo. No entanto, todas as vezes que pedi ajuda me disseram "há coisas que são do espírito e há coisas que são do corpo, aqui cuidamos do espiritual, vá ao médico, faça o tratamento recomendado. Cuide do corpo, pois ele é a casa do espírito"! Jamais disseram, esqueça os médicos e fique rezando ou fazendo oferendas nas encruzilhadas e acendendo velas e tua cura virá.

Charlatões há de toda ordem e credo. Mas alguns respondem pelos seus crimes com o rigor  da Lei, outros...
Meu objetivo com este texto é questionar mesmo, porque tenho visto gente padecendo  destes fanatismos e fé cega e definhando dia-a-dia. Podem dizer que bem feito pra esta pessoa que se deixou enganar, que o pior cego é o que não quer ver. Eu compreendo a posição de vocês! Também já tive raiva do doente. Mas o fato de ele se deixar enganar isenta o enganador de culpa?


terça-feira, abril 17, 2012

Ditadura militar (1964-1985): repressão, resistência e memória

O Prof. Dr. Carlos Fico (UFRJ) irá proferir a palestra "Ditadura militar (1964-1985): repressão, resistência e memória", no dia 28 de abril, as 10h 30min no Auditório Vitae.
Trata-se do primeiro Encontro de Aprofundamento Temático deste ano e tem o objetivo de discutir, de forma atualizada, questões que envolvem o aparato repressivo estruturado durante o regime militar para vigiar, desarticular e punir as ações da resistência política organizadas por setores da sociedade brasileira. Outro tema a ser abordado, é o tratamento dado às marcas da memória do período, incluindo, neste sentido, a implantação da Comissão Nacional da Verdade.

Carlos Fico
É mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e doutor em História pela Universidade de São Paulo, onde também fez estágio de pós-doutoramento. Atualmente, é Professor Titular e História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro e desenvolve pesquisas relacionadas aos seguintes temas: ditadura militar no Brasil e na Argentina, historiografia brasileira, rebeliões populares no Brasil republicano e História política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Foi "Cientista do Nosso Estado" da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) entre 2003 e 2006 e recebeu o Prêmio Sergio Buarque de Holanda de Ensaio Social da Biblioteca Nacional em 2008.

Público alvo: professores, educadores, estudantes universitários (graduação e pós-graduação)
Inscrições: de 16 a 26 de abril, somente pelos telefones (11) 3324.0943 ou 0944, com Valdir ou Paulo (de segunda à sexta, das 10h às 17h 30min)
Local: Largo General Osório, 66 Luz
Entrada Franca
Haverá entrega de declarações de comparecimento aos interessados 

quinta-feira, abril 05, 2012

Falha nossa!

No texto anterior troquei o parentesco da pessoa que foi impedida de discursar na cerimônia da Comissão da Verdade. Embora tenha pesquisado, troquei pois quem foi impedida de discursar foi a filha do ex-deputado Rubens Paiva e não a viúva como coloquei no texto.
Peço desculpas aos amigos leitores!

domingo, abril 01, 2012

5ª Blogagem coletiva #desarquivandoBR

Outro dia assisti, na companhia do meu sobrinho, um filme dirigido pelo Clint Eastwood e protagonizado pela Angelina Jolie. Na trama do filme "A troca", Angelina tem seu único filho sequestrado e na ânsia de conseguir calar as reclamações da população (e da mãe) a polícia local a induz a receber um outro menino no lugar de seu filho desaparecido. Muitos abusos são cometido pela polícia até que um policial  vai atrás de um pista e descobre um assassino em série que caça meninos na rua e os mata em seu sítio. Entre os possíveis mortos pelo serial killer está o filho de Angelina Jolie, que está perfeita no papel da mãe. Como ela não se cala e vai buscando provas de que o menino que recebeu não é seu filho acaba sendo trancada em um manicômio, sob o argumento de que não queria reassumir, segundo o investigar corrupto, seu papel materno. Ao final da película a mãe segue em busca do filho desaparecido, visto que não foi encontrado corpo, portanto, para qualquer mãe segue existindo esperança de que o filho volte.

No final do filme eu lembrei das centenas de mães brasileiras que tiveram seus filhos roubados pela ditadura militar. E dos militares, que ironicamente comemoram no dia 1° de Abril uma Revolução, que nunca passou de um golpe militar. Na primeira vez que participei da blogagem coletiva eu falei sobre este tema, e volto a ele porque de todos os arquivos escondidos da ditadura militar do Brasil o direito de não enterrar seus mortos ainda é o mais difícil no meu entendimento, aliás, é o mais cruel! É a tortura institucionalizada da ditadura que ainda acontece.

Talvez ocorra com os nossos governantes (que ainda não abriram realmente os arquivos secretos) o mesmo que acontece com meu sobrinho, que assistiu o filme "A troca" e não gostou do fato da mãe seguir em busca do filho desaparecido. Creio que não seja necessário ser pai ou mãe para se sensibilizar com a dor destes pais que perdem seus filhos. Mas há quem não tenha esta capacidade e ainda que os direitos humanos ou qualquer outra  instituição internacional condene ou determine a abertura dos arquivos a dor de não saber aonde estão os restos mortais de seus entes queridos segue uma ferida aberta no peito de pais, mães, filhos, esposas. Já escutei várias mães dizendo que "ter um filho morto é uma dor inominável, mas ter um filho desaparecido deve ser muito pior, porque não se sabe como está, onde está, com quem está". E é nestas palavras que eu penso todo ano quando vejo as notícias de comemoração do golpe militar, porque foi um golpe.

É muita crueldade manter familiares há mais de 40 anos sem saber o que aconteceu com seus entes. Muitas mães já morreram, em desgosto e desespero, sem ter podido dar um enterro digno aos filhos. Sim, existem cemitérios clandestinos, de onde poderão ser retirados os restos mortais e se realizar exames de DNA para determinar de quem se trata, mas e aqueles que foram jogados ao mar?

Tão cruel quanto manter familiares sem saber, sem poder sepultar seu entes queridos é um governo, dito de esquerda se eximir diante de tudo isto de cumprir as determinações a que foram condenados a cumprir. É cruel, numa solenidade de assinatura da anunciada e festejada Comissão da Verdade, cortar o discurso da filha de um ex- deputado assassinado nos porões da ditadura.
Como isto pode acontecer no governo de uma ex-guerrilheira, de uma mulher que foi torturada e sofreu abusos? Compreendo que para governar é preciso ter jogo de cintura, realizar coligações, ceder alguns pontos. Mas atualmente o que vejo não é isto, mas uma completa mudança, parece até que nada das ideologias do passado restou. Chego a pensar que a verdadeira Dilma, a que tinha sonhos, ideologia, a que sofreu tortura sem entregar companheiros ficou perdida em algum lugar daqueles porões. Daqueles porões saiu uma Dilma modificada.  E infelizmente insensível aos apelos de companheiros do passado.

Todos nós que buscamos e pedimos a abertura dos arquivos e promovemos o #desarquivandoBR esperamos que o Brasil admita o erro que foi o golpe militar, reveja a Lei de Anistia e tome o período da ditadura como lição para que não volte a acontecer. Que os passos sejam dados com vagar, mas que sejam dados e sejam firmes para a abertura verdadeira. E principalmente, que acabe definitivamente esta tortura que ainda ocorre dos familiares que não podem dar um sepultamento digno a seus mortos.

Este texto faz parte da 5ª blogagem coletiva #desarquivandoBR pela abertura dos arquivos secretos, pela efetivação e cumprimento da  determinação da OEA pelo caso dos mortos na Guerrilha do Araguaia.

domingo, março 11, 2012

#Mulheres de Fibra

A série mulheres de fibra teria muita gente para colocar aqui. Nosso mundo ainda tem muito  o que  avançar nas conquistas femininas, mas há mulheres pelo mundo a fora que fazem toda a diferença, artistas plásticas, escritoras, ativistas, políticas e por aí a fora.
Quando comecei a série pensei em publicar um post sobre Margaret Tatcher pela lembrança que tenho de ouvir na "Dama de ferro". A impressão que tinha, quando criança, era do uso deste apelido de uma forma pejorativa, como se ela fosse uma mulher fria, calculista, capaz de qualquer coisa pela política inglesa. Lendo sobre sua biografia, e este ano tem o filme em que Tatcher é interpretada por Meryl Streep, vi que ela não era a pedra fria que eu imaginava ao ouvir o tal apelido. Não sei ao certo se concordo com sua ideologia, mas tenho respeito por esta mulher que era uma referência, uma das pessoas mais poderosas do mundo num período em que apenas os homens detinham o poder. Não conheço bem sua história, confesso e muitos podem descordar de mim, mas estar a frente do governo de um país por 11 anos na década de 80 não é pra qualquer um.

Pela admiração que tenho quero homenagear também as artistas plásticas Tarsila do Amaral e Frida Kahlo. Cada uma delas com uma forte história de vida, de amor e de talento. São muitas mulheres e suas histórias de vida são  histórias de luta. Todos nós conhecemos alguma mulher que precisou lutar muito para conquistar seus objetivos. Minha bisavó por exemplo criou sozinha seus filhos trabalhando na lavoura para tirar seu sustento de sol a sol. Esta é a luta diária a que temos que reverenciar, pois fazendo o seu pouco estamos fazendo muito para mudar o mundo. Sós a mudança não representa muito, pode inclusive ser pequena, mas no montante geral é uma grande mudança. Falando em vida difícil tem a admirável Florbela Espanca.

Aqui no Brasil uma das leis mais importantes da história foi assinada por uma mulher, a Princesa Isabel. Sabemos que o ato de libertar os escravos, embora um bem, foi também um grande problema, afinal depois de libertos o que tinham aqueles homens e mulheres? Para onde iriam, o que fariam? Foi-lhe dado a liberdade, mas também a miséria e a rua. As leis que antecederam a abolição da escravatura e a própria lei Áurea, tinham um objetivo nobre, ainda que os escravagistas e abonados senhores não aceitassem e continuassem a agir sob suas próprias regras.

Mas uma das  mulheres que mais admiro e queria homenagear é uma poetisa, considerada uma das principais escritoras brasileiras, Cora Coralina. Ela era doceira, uma senhorinha linda com muito pra contar, com poesias lindas! Uma mulher simples que através da palavra dá lições de vida contando o cotidiano simples das cidades do interior. Cora Coralina é um exemplo pra mim que espero um dia escrever um livro, pois sua primeira publicação foi feita quando ela estava com 76 anos.
Somos muitas mulheres neste mundão de meu Deus, que temos muita força para conquistar tudo o que merecemos. Enquanto vou escrevendo vou lembrando de outros nomes tão importantes como: Indira Gandhi, Zélia Gatai, Simone de Beauvoir, Cristina de Kirchner, Dilma Roussef, entre tantas outras. Como diz a música "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher", mas antes de mais nada somos cidadãs. Lutamos por nós e lutamos por um mundo melhor e sem preconceitos.
Encerro a série Mulheres de fibra deste ano com o poema:


Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.

Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.

Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.

Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.

Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.

Venho do século passado.
Pertenço a uma geração
ponte, entre a libertação
dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república
que se instalava.

Todo o ranço do passado era presente.
A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez,
Os adultos eram sádicos
aplicavam castigos humilhantes.

Tive uma velha mestra que já
havia ensinado uma geração
antes da minha.
Os métodos de ensino eram
antiquados e aprendi as letras
em livros superados de que
ninguém mais fala.

Nunca os algarismos me
entraram no entendimento.
De certo pela pobreza que marcaria
Para sempre minha vida.
Precisei pouco dos números.

Sendo eu mais doméstica do
que intelectual,
não escrevo jamais de forma
consciente e racionada, e sim
impelida por um impulso incontrolável.
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.

Nasci para escrever, mas, o meio,
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.

Sou mais doceira e cozinheira
Do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.

Nunca recebi estímulos familiares para ser literata.
Sempre houve na família, senão uma
hostilidade, pelo menos uma reserva determinada
a essa minha tendência inata.
Talvez, por tudo isso e muito mais,
sinta dentro de mim, no fundo dos meus
reservatórios secretos, um vago desejo de analfabetismo.
Sobrevivi, me recompondo aos
bocados, à dura compreensão dos
rígidos preconceitos do passado.

Preconceitos de classe.
Preconceitos de cor e de família.
Preconceitos econômicos.
Férreos preconceitos sociais.

A escola da vida me suplementou
as deficiências da escola primária
que outras o destino não me deu.

Foi assim que cheguei a este livro
Sem referências a mencionar.

Nenhum primeiro prêmio.
Nenhum segundo lugar.

Nem Menção Honrosa.
Nenhuma Láurea.

Apenas a autenticidade da minha
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias
Minha própria personalidade
renovada,
despedaçando dentro de mim
tudo que é velho e morto.

Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.

Quem sentirá a Vida
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer.

(Meu Livro de Cordel, p.73 -76, 8°ed, 1998)

sábado, março 10, 2012

"Quando uma mulher avança nenhum homem retrocede"

Hoje pela manhã e início da tarde participei da Marcha das Vadias de Pelotas, debaixo de muito sol e num calor absurdo mas a marcha aconteceu e estávamos tod@s lá lutando contra o preconceito de gênero, de raça e contra a homofobia. O pessoal tinha cartazes, faixas, pintou o rosto e o corpo na luta por respeito! Algumas mulheres fizeram relatos de situações cotidianas de humilhação, desrespeito e violência. O relato que mais me tocou foi de uma mãe falando do desrespeito de um vizinho com suas filhas. Ela destacou que educa seus filhos para respeitar os outros, mas nem sempre, na casa dos vizinhos acontece o mesmo.

Durante o percurso os manifestantes foram hostilizados por motociclistas, por causa das ruas interrompidas. Outros motoristas não foram simpáticos a causa, mas apenas quem estava nas motos é que ficou acelerando como se a qualquer momento fossem romper a corrente humana dos manifestantes. Alguns não quiseram esperar e invadiram um posto de gasolina ou esperou uma brecha na rua e passou a milhões, podendo bater em alguém. Tais atitudes levaram uma baita vaia!

Nossa manifestação teve o apoio de um personagem muito querido da nossa cidade o Alemão do Círculos, que esteve em meio a preparação, ouviu os discursos e participou da marcha ao lado da mulherada. Havia mães com seus filhos, mulher  grávida, homossexuais e Homens, com H maiúsculo por que são companheiros que não se deixaram contaminar com a ideia de que lugar de mulher é na cozinha, ou que a mulher é uma propriedade. Como foi lembrado por uma das manifestantes que discursou, eles também sofrem preconceito por não se encaixarem no esteriótipo do machão.

E de todos os cartazes que vi e fotografei durante a marcha dois me fizeram pensar, de forma, ainda mais minuciosa nestas questões. Um deles era empunhado por um Homem e referia-se sobre o aborto e a forma como o debate atualmente se atém apenas a questão religiosa. Esta é uma questão que a presidenta assumiu  discutir e ampliar na sociedade, podendo descriminalizar a prática. No entanto, cada vez que a sociedade, digo que nós mulheres, cidadãs trazemos o assunto a pauta, de outro lado erguem-se milhares de religiosos que pegam-se apenas na questão do pecado, sem considerar que quem paga o dito pecado é a mulher que escolhe fazer um aborto. Esta "pecadora" é dotada de um benefício chamado Livre arbítrio através do qual faz escolhas e toma atitudes em sua vida e responde por eles. E que só a ela cabe!
Já escrevi outras vezes sobre o que penso em relação ao aborto. Mas o fato de pensar nas inúmeras formas de prevenção da gravidez, acho que cabe só a mulher decidir que se quer ou não levar a gravidez adiante. É o corpo dela, a consciência dela, a escolha e a vida dela. Devem ser respeitados, embora não concordemos. Além disso, conheço algumas mulheres que interromperam uma gravidez e garanto que estas mulheres não se orgulham disso e muitas sofrem de culpa por isto.
O debate que buscamos em relação ao aborto é a descriminalização. Não quer que a interrupção de uma gravidez ou gestação na adolescência aconteça? Invista na educação! Mas o que ocorre quando as escolas criam mecanismos de trabalhar a sexualidade na escola? Muitos se levantam dizendo que o trabalho é inadequado, que as crianças não estão preparadas.

Existem políticas públicas, é verdade, no entanto, não atingem o país de forma igual. E esta é só mais uma demonstração da desigualdade em que vivemos. Quem tem grana interrompe a gravidez numa clínica com acompanhamento médico, mas quem não tem, faz o procedimento em casa, ou seja lá aonde for, e consequentemente acaba tendo de recorrer ao SUS. Este é um diálogo que deve ser feito, a presidenta precisa dar início a ele.

Mesmo em casos de estupro a interrupção da gravidez é uma polêmica. É um direito da mulher, mas leva tanto tempo para ser concedido que quando chega o momento a gestação está adiantada e realizar o procedimento torna-se ainda mais arriscado.
O outro cartaz, cuja frase deu nome a este post, interpreto de duas formas. A primeira que é a da violência, visto que a força física do homem é maior que a da mulher, e quando uma mulher vai pra cima de um homem, no máximo ele se esquiva do ataque, mas não dá um passo atrás ou se encolhe.

Já a outra, que me parece muito mais abrangente é a questão do avanço da mulher na sociedade. Quando uma mulher avança profissionalmente, nenhum homem retrocede. Quando uma mulher cresce economicamente ou consegue conquistar seu espaço como cidadã, nenhum homem retrocede. Homens não ficam pobres se mulheres enriquecem, por exemplo.  Quando as mulheres passaram a votar ou concorrer na política os homens não foram prejudicados por isto.

É possível crescermos todos juntos respeitando as diferenças, convivendo com tolerância. Como diz o velho ditado, corrigido, "do lado de um grande homem sempre tem uma grande mulher"! É nisso que penso, não é preciso oprimir para crescer, embora durante muito tempo isto tenha ocorrido. A opressão demonstra a fraqueza do opressor que se vale da força, ou do dinheiro, para se manter no poder. Separados podemos ser fracos, mas juntos somos mais, somos fortes.
A caminhada com certeza ainda será muito longa, mas o primeiro passo foi dado. Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!

quinta-feira, março 08, 2012

A mulher - Florbela Espanca

I

Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimento cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!

Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta: sê em Vénus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão-de pisar-te!

Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;

E gritam então vis: "Olhem, vejam
É aquela a infame!" e apedrejam
a pobrezita, a triste, a desgraçada!


II

Ó Mulher! Como é fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma image
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=380#ixzz1oaJyny3k
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

quarta-feira, março 07, 2012

Mulheres de Fibra - Isabel Allende

Na postagem de hoje a mulher de fibra que traga está entre minhas escritoras latino americanas que mais gosto e admiro. Isabel Allende é uma jornalista e escritora chilena mundialmente conhecida. Entre seus romances mais renomados estão: A casa dos Espíritos, De amor e de sombras e Paula. Segundo relata, a própria autora no livro Paula, seu primeiro romance foi escrito com o auxílio de seus avós, pois era justamente a história de sua família.

Admiro Isabel não só pelo seu talento, mas principalmente pela sua força e sua história de vida. Filha de um primo irmão de Salvador Allende, ela viveu e lutou ativamente durante a ditadura militar no Chile, ajudando ativistas políticos. Poderia me arriscar a falar coisas de sua vida, pois após ter lido Paula, sinto Isabel como uma pessoa íntima, alguém que conheci no momento de maior sofrimento pra ela. É exatamente isto que deve ter causado esta proximidade, pois toda a história da doença de sua filha, do tempo vivido no corredor de um hospital ansiando que Paula acordasse me fez ver a autora famosa como uma mulher de verdade.

A autora escreveu para a filha, com o objetivo de colocá-la a par, quando acordasse do coma, a história da família e a sua própria. Mas todo o seu sofrimento de mãe foi sendo relatado dia-a-dia, até o momento em que ela precisou despedir-se, deixar que Paula fosse embora e ambas pudessem, cada uma em um mundo, seguir seus caminhos.

Todas as outras personalidades que prestei homenagem aqui na série pelo dia da Mulher são pessoas que eu admiro pelo seu trabalho, pela história de vida e pelas mudanças que fizeram no mundo a partir dos seus exemplos. A diferença com a Isabel Allende é sua militância e sua história de vida, tão apaixonante!

Agora um pouco da biografia desta mulher tão especial. Isabel Allende Llona nasceu em Lima, no dia 2 de agosto de 1942. É filha de Tomás Allende e Francisca Llona. Nasceu no Peru, mas logo voltou ao Chile. Atualmente está radicada nos Estados Unidos. Seu reconhecimento literário veio após a publicação do romance A Casa dos Espíritos, editado em 1982. A história dos antepassados virou filme, protagonizado por Meryl Streep e Jeremy Irons.

Fontes: Wikipédia, blog A arte que é poesia e os livros da autora.
A foto é do blog.
Ah! Minha sugestão para que conheçam melhor Isabel Allende, leiam seus livros, vale muito a pena!

terça-feira, março 06, 2012

Mulheres de Fibra - Madre Teresa de Calcutá

Dando seguimento a série Mulheres de Fibra trago uma das personalidades mais marcantes do último século. Madre Teresa de Calcutá é conhecida pela sua vida religiosa, mas principalmente pelo trabalho incansável junto aos pobres, crianças e doentes.
Nascida Agnes Gonxha Bojaxhiu em Skopje a 26 de agosto de 1910 ficou conhecida no mundo inteiro como Madre Teresa de Calcutá ou Beata de Calcutá. A missionária católica albanesa nasceu na República da Macedônia e naturalizou-se indiana. Ela foi beatificada pela igreja católica em 2003 e tornou-se conhecida como "Santa das Sarjetas", vindo a ser considerada por muitos como a missionária do século XX. Madre Teresa fundou a congregação "Missionárias da Caridade".

Ainda muito cedo, com 18 anos ela fez seus votos nas Irmãs de Nossa Senhora do Loreto,na Irlanda, onde viveu por pouco tempo.  Na Índia atuou como professora a serviço desta congregação no primeiro lar infantil ou "Sishi Bavan" (Casa da Esperança) fundada em 1952 e juntou-se ao "Lar do Moribundos", em Kalighat. Inicialmente passou por problemas de ordem religiosa e cultural com grupos que professavam outra fé. Mas com o passar do tempo e o seu trabalho todos aceitaram que sua obra tinha um caráter nobre. Com isto passa a receber donativos de hindus, muçulmanos e budistas entre outros e atua em situações problemáticas e difíceis como o caso de crianças abandonadas, doentes de Aids, mulheres abusadas que engravidavam e leprosos.

Em 1965 a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias de Caridade. Vários países tiveram a presença das missões de Madre Teresa, entre eles Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Sri Lanka|Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China, etc.
"O reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o Prêmio Templeton, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.
Morreu em 05 de setembro de 1997, aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga e falecida ela própria 6 dias antes, num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem."

Seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita  sua sucessora . Várias são as histórias sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá entre elas de que ela usava sua própria saliva para curar os doentes. Verdadeiras estas histórias ou não, não sei. O que sei é que sua bondade é notária e seu amor pelo próximo incontestável.

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”. Madre Teresa de Calcutá

Fonte: Wikipédia
Foto: Google imagens

segunda-feira, março 05, 2012

Mulheres de fibra - Dra. Zilda Arns

Minha intenção era ter começado esta série de mulheres de fibra, guerreiras e exemplares no dia primeiro de março, mas o tempo e o trabalho não me permitiram! Por isto dedicarei esta semana para homenagear mulheres que foram importantes para a história do mundo feminino, algumas ativistas feministas, outras exemplos incontestáveis de que podemos sim, se quisermos, mudar o mundo.
Começo a série falando da Dra. Zilda Arns. Não conheço tão bem a biografia dela, mas fiquei encantada com a admiração que uma colega do curso de doutrina espírita, apresentou em relação a vida da Dra Zilda. Minha colega contou algumas coisas a respeito da médica que criou e  salvou várias crianças da desnutrição e da morte com a "Pastoral da Criança".

Dra. Zilda Arns Neumann é natural de Forquilhinha (SC) e residia em Curitiba (PR). Teve cinco filhos e dez netos. Cursou medicina na Universidade Federal do Paraná, especializou-se em "saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário." Sua percepção de que a educação seria o meio de mudar as coisas fez com que criasse uma metodologia muito especial de espalhar conhecimento e solidariedade entre as famílias pobres, inspirada no milagre da multiplicação relatado no Evangelho de São João.

Incansável na busca do conhecimento Dra Zilda foi aperfeiçoando-se em diversas áreas, atuando de forma incisiva contra a fome e a miséria. Em 1983 fundou, a pedido da CNBB a Pastoral da Criança. "Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 de famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social." A forma encontrada para multiplicar a educação e a solidariedade a cada mês eram realizados visitas domiciliares às famílias, dia a do Peso, ou Dia da Celebração da Vida; e reunião Mensal para Avaliação e Reflexão.

Em 2004 a CNBB passou uma nova meta a esta missionária incansável, fundar a Pastoral da Pessoa Idosa, que atende, atualmente, mais de cem  mil idosos, que são atendidos mensalmente por mais de doze mil voluntários de 579 município. São 141 dioceses em 25 estados brasileiros.

Dra Zilda morreu em janeiro de 2010 em Porto Príncipe quando realizava uma missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança. O país sofreu um violento terremoto que fez centenas de vítimas, entre elas a Dra. Zilda Arns.

Um grande exemplo de mulher e de brasileira. Dra Zilda Arns recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005 e o Prêmio "Heroína da Saúde Pública das Américas", concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002.

Fonte: Pastoral da Criança e Wikipédia .
Fotografia de Antônio Marques encontrada na internet, publicada no blog Clau Medori

quinta-feira, março 01, 2012

Marcha das Vadias - 10 de março em Pelotas


Dando largada a semana da mulher aqui no blog, dou destaque a Marcha das Vadias, que ocorre dia 10, em Pelotas. Durante estes dias, que antecedem o dia internacional da Mulher, pretendo destacar grandes personalidades femininas que representaram e representam a nossa luta pela igualdade.
A Marcha das Vadias é uma passeata que chama atenção para um fato recorrente nos casos de estupro que é culpar a vítima pela violência que sofreu. Não importa a roupa, a hora ou o local em que a violência sexual ocorre, É uma violência, é um crime e não se pode culpar a vítima!
Mulheres não são objetos tampouco propriedades de grandes senhores. As mulheres conquistaram um espaço relevante na sociedade, tão importante que a maioria dos chefes de família hoje é mulher. Considerando-se apenas uma área da sociedade, ainda tem a política, a ciência,a economia, o direito, a medicina e tantas outras.

A luta pelo fim da violência contra mulher é uma luta de todos. Há muitos casos de violência doméstica que não vem a tona e há, até, quem considere normal. Mas não é. Quantos de nós ouviu falar de alguém que apanhou do marido, ou pôde escutar os gritos e o choro de uma vizinha? Quantas vezes a briga não virou fofoca nos corredores dos prédios ou nas conversas na calçada, sem resultar em nenhuma atitude de compaixão e solidariedade para com a vítima? "Em briga de marido e mulher não se mete a colher!" dizem alguns, e usam também da maledicência para falar da vida alheia sem usar seu conhecimento para ajudar ou produzir algo de bom.

Ainda que, existam leis e medidas protetivas, ainda existe a vergonha, o preconceito e o medo. Muitos sentimentos que, algumas vezes atrasam as atitudes e o resultado pode acabar sendo fatal.
A violência não se constitui só do tapa, do estupro, ela se forma também das humilhações, das ameaças, da coação, da tortura psicológica, na ameça de tirar a guarda dos filhos e de tantas outras formas que o medo passa a ser a única companhia da mulher, o sentimento mais presente que só dá lugar a angústia e o desespero.

Há alguns meses soube de um caso de violência doméstica, na qual a vítima era uma grande amiga. Violência esta que refletiu em um parto prematuro e a possibilidade do nascimento de uma criança com sequelas. Além da terrível vergonha e da culpa de haver apanhado do companheiro, existia o medo da reação da família. Depois veio o afastamento do trabalho por causa do risco da perda do bebê. Semanas de repouso para evitar a morte do nenê em seu ventre. O nascimento antes do previsto trouxe ao mundo um vitorioso! Meses na UTI pediátrica para o ganho de peso e o acompanhamento médico. E a angústia da mãe que sofria entre culpada e preocupada com a saúde de sua cria. O momento mais tenso veio a seguir com a transferência para um hospital mais equipado para a realização de uma cirurgia de emergência, mas que representava a salvação do bebê. Mas todas as angústias deram lugar a uma imensa alegria depois do sucesso da cirurgia. Com tanto tempo de apreensão a tão sonhada volta pra casa, com o filho nos braços foi de grande felicidade!

Pude ter a compreensão de como podemos nos sentir impotentes diante de uma situação como esta. Quando assistimos na televisão é possível até, num lampejo, questionar, porque ela não vai embora,  ou até realmente Nelson Rodrigues tinha razão, "elas gostam de apanhar"! Mas o acontecimento está muito longe de nós. No entanto, quando atinge uma amiga, uma familiar o sofrimento toma cores mais fortes. Minha reação, ao saber da agressão sofrida pela minha amiga, foi de mandá-la para a delegacia da mulher, foi de dizer que fizesse queixa e pedisse medidas protetivas. Mas minha amiga ficou constrangida de expor sua vida a toda vizinhança na pequena cidade onde residia. Passou um tempo até que a coragem viesse e a denúncia acontecesse. Eu não poderia ficar indiferente, é uma AMIGA MINHA! Mas não podemos ficar indiferentes diante de qualquer tipo de violência!

Recentemente tivemos o maravilhoso exemplo do Vitor, que arriscou sua própria vida na defesa de um morador de rua que estava sendo espancado. Não vamos ficar apenas achando que é uma atitude a ser admirada, vamos admirá-la e multiplicá-la.

Tod@as dizem não a violência contra mulher! Participe da Marcha das Vadias, dia 10 de março, às 11h, na esquina Democrática (Chafariz do Calçadão). Organização DCE da UFPel - Todas as Cores, RadioCom, Instituto Mario Alves, Coletivos Nacional Levante, Barricadas Abrem Caminhos, Juntos!, (Des) Construindo Gêneros e Levante Popular da Juventude!