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sexta-feira, março 08, 2013

8 de março dia de luta!

Hoje é dia 08 de março dia internacional da mulher, dia internacional de luta! Depois de tanto tempo, há quem diga que a luta feminista já não tem mais razão de ser. No entanto, o nível de violência contra a mulher segue altíssimo. Tem toda a ladainha de que a mulher que é agredida e segue ao lado do agressor é porque gosta e toda sorte de impropérios que saem boca afora de todos aqueles que foram condicionados a viver num mundo machista.
Proponho que façamos um breve levantamento próximo de nós. Vamos fazer uma análise rápida da vida das mulheres que estão próximas de nós. Não vamos levar para esta análise nenhuma ideia ou juízo de valor, vamos apenas observar quem são estas mulheres, como vivem e como são analisadas por nós e pela sociedade. Sim, comece pela vizinha chamada de periguete, faça de conta que não tem nenhum sentimento em relação a ela. Como ela vive, sozinha, com a família? Ela trabalha? O que faz as pessoas a julgarem uma periguete as roupas que usa, sua liberdade de se relacionar sexualmente, ou é sua coragem de ser quem realmente é sem submeter aos padrões impostos pela sociedade?

Observe estas mulheres e atente, principalmente, para a forma como as pessoas agem com elas, o que falam por trás. Talvez tu te surpreendas em perceber que esta mulher apenas tá exercendo o seu direito de ser livre.
A mim também parecia absurdo mulheres se submetendo a toda sorte de violência por medo. Calar pra mim nunca foi estratégia de defesa. E tenho que pagar o preço muitas vezes. Porque "quando uma mulher avança nenhum homem retrocede". No entanto, conheço muitas mulheres que se sentem envergonhadas pela violência que sofrem e sabendo que serão colocadas como culpadas ao invés de vítimas preferem calar para não serem ainda mais humilhadas. No meu ciclo de amizade sei de pelo menos três mulheres que sofreram algum tipo de violência, da agressão física a psicológica. Tenho uma amiga que terminou um namoro e era seguida pelo ex, chegou a ameaça-la e só ficou livre dele quando o pai dela interviu no mesmo tom de ameaça, lembrando ao agressor que ele também tinha família.
Outra por pouco não perde o bebê que esperava devido a agressão sofrida enquanto estava grávida. O nenê nasceu prematuro e pode ter sequelas. Uma outra sofre pressão psicológica e agressão verbal, xingamentos de todo o tipo.
Nossa luta não se tornou obsoleta. O machismo está aí batendo na nossa cara todo dia, através daqueles machões que acham que dizer piadinha para uma mulher sozinha a noite não é violência, é só um elogio, é só uma brincadeira. Pr'aqueles que acham que se esfregar numa mulher no ônibus é só uma consequência do péssimo transporte público e já que temos que usá-lo "vamos aproveitar pra tirar uma casquinha"! Estas coisas continuam acontecendo, com todas as mulheres. Acontece com a periguete e com a crente.
É por isto que o dia 08 de março é um dia de comemorar, mas também é um dia de luta, de lembrar que precisamos e exigimos respeito todos os dias, pois somos mulheres todos os dias!

Fotos Google imagens

quinta-feira, agosto 09, 2012

Seis anos de Lei Maria da Penha e a novela

Casualmente, ou não, justamente no dia em que se comemorava os seis anos da sanção da Lei Maria da Penha vai ao ar a cena da "lavagem" da honra do coronel Gesuíno (interpretado por José Wilker) na novela Gabriela, adaptação do romance de Jorge Amado. Não pude deixar de observar o fato, visto que li o romance e sabia que havia o duplo assassinato dos amantes, bem como aconteceu na primeira versão do folhetim e como ocorre algumas vezes nas nossas cidades nos dias de hoje. A época em que se passa o romance está bem determinada, os preconceitos e a hipocrisia muito bem pontuados pela personagem feminista Malvina, que questiona e afronta a ideia de que homens podem tudo e mulheres não podem nada.
A lei Maria da Penha é um avanço, no entanto, muito ainda há o que mudar. Muito temos ainda para lutar, pois há muitos casos que ficam impunes, sem que o culpado cumpra pena e pague sua dívida com a sociedade. Este ano aqui em Pelotas aconteceu um dos casos que mais me chocou. No dia do atentado eu estava com meu pai e meus familiares no Hospital São Francisco onde ele estava realizando uma cirurgia. Por volta de 15 horas, no momento da visita aos pacientes da UTI ficamos sabendo que o ex-marido havia ateado fogo no corpo de sua ex-mulher na esquina do hospital onde ela trabalhava como enfermeira.
Com uma arma na mão ele ameaçava qualquer pessoa que tentasse apagar o fogo. Mas o medo foi vencido e um mecânico a ajudou. O corpo da moça ficou praticamente carbonizado. Ela não resistiu mais que algumas horas na unidade intensiva.  Eu presenciei a noite o desespero e a tristeza dos familiares que iam visitar a mulher no hospital. Vi também a revolta!
Alguns dias atrás podemos assistir, estarrecidos (aqueles que ainda se chocam e se indignam) em todos os telejornais a tentativa de assassinato em pleno pronto socorro da cidade. A agressão, que havia começado na casa da ex-mulher, teve cenas de filme de terror dignas de um Hitchcock, gravadas pelas câmeras de segurança do hospital. E que não foram poupadas ou atenuadas pelas redes de TV. Uma das coisas que me deixou mais besta foi a passividade das pessoas que presenciavam a violência.
A denúncia é importante para a obtenção da medida protetiva. Por outro lado, apenas a medida protetiva não garante a vida e o bem estar das denunciantes e seus filhos, muitas vezes tão vítimas quanto elas.
As cenas de Gabriela muito me revoltaram, justamente por saber que coisas como esta acontecem no nosso cotidiano. Absolvição por legítima defesa da honra foi um argumento muito aceito nos tribunais do passado. E há quem considere um argumento válido ainda hoje, pois do contrário os machões não tratariam mulheres como propriedades determinando vida e morte conforme lhes agrada. Com certeza há pelo Brasil e pelo mundo gente que pensa como o Coronel Ramiro Bastos que quer mais é que os juízes limpem suas bundas com os processos em que os maridos mataram suas mulheres acusando-as de adultério. Por que é muita macheza que tem estes coronéis com as armas na mão usando suas mulheres como quem usa uma privada para se aliviar.
Embora as mudanças estejam apenas começando e muito se tenha a caminhar para  conquistar um mundo sem machismo temos que comemorar as batalhas vencidas até aqui, seguindo sempre firmes na luta!

quarta-feira, maio 23, 2012

A proposta: "amante fixa"

Costumo dizer, a respeito de mim mesma que: se não queres saber a minha opinião sincera sobre qualquer assunto não pergunte.É não sou flor que se cheire até porque estou mais pra planta carnívora do que pra qualquer flor perfumada dos lindos jardins. Não sou uma pessoa ruim, mas não mudo de opinião tão fácil assim (sou considerada teimosa e cabeça dura!) e cantadas podres e pobres não me levam a lugar nenhum muito menos pra cama. Não sou boneca inflável, tampouco banheiro público aonde, num momento de necessidade, tu pode te aliviar. Nem me sinto lisonjeada pelo fato de um homem me procurar com o único intuito de transar comigo. Não, não sou frígida, nem quero parecer santa! Porque, ainda hoje, as coisas são assim, simplistas, se gosta de sexo = vadia, se não gosta = frígida (ah! e tem a opção B, gay).

Até porque... né, o garanhão não é capaz de cogitar a opção correta: "gosto de sexo mas não contigo!".
E ele vai mais longe (o pseudo garanhão) na sua cabeça machista e perturbada, se a mulher gosta de sexo e é uma vadia (na cabeça dele, em ambas, a de cima e a debaixo) ela tem que dar pra quem quiser transar com ela e ponto. Eu, como boa bisca que sou, penso exatamente o contrário. Principalmente porque, ser uma biscate é ter o direito de escolher e liberdade para ser quem quiser ser.

Ontem fui colocada diante de uma situação destas, pela segunda vez. O papo começa sempre no mesmo sentido, afinal o outro já parte do pressuposto de que, como já te rotulou tu agirás dentro do rótulo que ele te deu. Então vem o cara, um rapaz jovem, que deveria ter a mente aberta... é, deveria... Começa se oferecendo como a última novidade do mercado, sendo que eu já comprei o produto e devolvi por apresentar defeito. Eu querendo ser aquela rosa meiga e cheirosa do jardim mais lindo do mundo evitei responder a fatídica pergunta: "não queres me pegar de novo?". Em pensamento já havia gargalhado e dito, a resposta está no início da pergunta. Educadamente eu disse que já havíamos tido aquela mesma conversa uma outra vez, na esperança de que o papo fosse cortado naquele exato momento. Ele se fez de desentendido.
Fico imaginando que alguns homens fazem isto na crença de que faremos como antigamente, sorriremos e consentiremos qualquer ideia deles, mesmo contra a nossa vontade. Ele insistiu na pergunta. Eu disse que nós não éramos compatíveis em nenhuma área. Não alcançou o raciocínio. E a planta carnívora dentro de mim pronta para dar o bote ia tentando o auto controle pensando, esta carne deve ser ruim!

Fui clara então. Não estou interessada em sexo por sexo. Isto pra não dizer na cara dele (pelo msn) que na nossa única experiência teve: uma brochada (neste caso de ambos, a minha resultado do desempenho que deixou a desejar), péssimas preliminares e nenhum gozo. Mas ele, como todo garanhão é egocêntrico demais para observar a minha cara e reação de descontentamento, além do pequeno sorriso de alívio quando disse que ia s'imbora.
Óbvio que ele usou argumentos muito "convincentes" (pode até ser que convença alguém, mas creio que nenhuma das mulheres que eu conheço) como o fato de ter pensado seriamente em ter-me como uma amante fixa! Gente! Quem me conhece deve imaginar a minha cara diante da tela do computador! Mas Deus sabe o que faz e não me deu visão de raio X, ou do contrário ele estaria derretido neste momento soltando fumacinha pelos ouvidos. Aham! é tudo o que eu quero na minha vida, ser amante fixa de um babaca machista!

A questão que me estarrece e indigna não é a falta de noção desta pessoa específica, mas saber que em pleno século XXI tem quem pense que mulher é propriedade dos homens. É o fato dos caras (alguns claro!) pensarem que a escolha só ocorre da parte deles, ou seja ele me escolheu, fico lisonjeada, sorrio e aceito a proposta! Que é mais indecente do que a que o Robert Redford fez pra Demi Moore, em Proposta indecente, visto que ele ofereceu um milhão de dólares pra ela e a decisão foi dela, ainda que o marido não tenha gostado nada-nada.

É meu corpo, é minha escolha. Eu tenho que ser respeitada, seja na minha escolha de fazer sexo sem compromisso ou na ideia romântica de passear de mãos dadas na praia sob a luz da lua. Como bem diz um amigo meu "a tentiada é livre!" Faz tuas cantadas grosseiras, mas não conte que eu vá gostar delas. Não milito em causas feministas e pelo fim da violência  contra a mulher atoa. Não sou objeto e não sou propriedade! Quero um companheiro! Com-pa-nhe-i-ro, não um sinhôzinho!

terça-feira, maio 22, 2012

Não sei se as revelações de abuso da Xuxa são verdadeiras, mas não creio que alguém minta sobre isto

Não sou fã da Xuxa, não gosto dos programas nem do estilo dela.O programa infantil da minha infância era "O balão mágico", com a Simony, o fofão, o Mike, o Tobby e o Jairzinho. Nem havia o programa da Xuxa ainda. E quando começou era na Manchete e não passava aqui. Eu tinha verdadeiro pavor quando alguém dizia que eu era "baixinha da Xuxa". Não sou, nem nunca fui, porque sempre gostei de pessoas verdadeiras e ela sempre me pareceu forçada demais. Sem contar o horror e as coisas bizarras que faziam com o Praga (o anão vestido de tartaruga)! Tenho pra mim que o verdadeiro motivo das crianças assistirem programas infantis são os desenhos, estes sim prendem as crianças diante da televisão e nem precisa ter ninguém pra anunciar, aliás, lembro-me bem de mim a espera de algum deles, mandando logo o apresentador sair e rolar a animação.

Xuxa tem muita fama e é querida por muitos, mas não faz parte dos ícones das novas gerações. Esta um pouco esquecida e se bobear tem muita criança que não sabe quem ela é. As revelações dadas ao Fantástico causaram muita polêmica, comoção e apoio por parte de uns, repulsa, acusações e outras coisas por parte de outros. Não assisto ao programa dominical há muito tempo, aliás há muito tempo não assisto muita coisa da Rede Globo. E os anúncios de declarações bombásticas da "rainha dos baixinhos" (de quem?) não me instigaram a curiosidade, até porque, em tempos de redes sociais se sabe de tudo, quase que em tempo real.

A entrevista polêmica teve o intuito de alavancar o ibope da revista eletrônica, que a muito tempo deixou de ser interessante, deixando as informações de lado para trazer muitas matérias sobre a própria programação da rede de tv ou pautada por elas. Embora Xuxa esteja numa situação de não ser mais a grande atração da Globo, não creio que, em sã consciência, alguém fosse em horário nobre contar mentiras pra se autopromover, com exceção dos políticos (aliás, muitos deles com algum grau de psicopatia, o que lhes confere total falta de sentimento e caráter). Quando falo mentiras me refiro a denúncia de ter sido abusada na infância e adolescência. Todas as outras revelações que ela fez considero muito questionáveis pelo próprio comportamento dela, tipo dizer que sua verdadeira paixão foi o Pelé, quando a vida inteira ela negou ter tido qualquer tipo de relacionamento com ele. Ou dizer que o amor de sua vida foi o Senna, mesmo tendo se separado dele. Nem sei se ela falou destas coisas e pouco importa, o mais sério de tudo é ela ter assumido ser vítima de abuso.

Como eu disse antes não sou fã, nem gosto dela, não gosto de ouvir nem a voz dela na televisão. Mas não creio que ela tenha mentido sobre o abuso. Pois neste caso ela seria muito mau caráter. Quando adulta ela pode ter tido uma conduta questionável, mas quem de nós pode questionar, não é mesmo? Acontece que a violência que ela sofreu foi na infância, num momento de fragilidade e temos que respeitar isto. Ela foi uma vítima como existem tantas outras  pelo Brasil afora.
Questionável pra mim é a conduta da emissora de usar isto pra alavancar ibope de programa fracassado. É a sociedade cobrar um papel e tu teres que te submeter para "parecer respeitável", porque é preciso parecer e ter, ser é outra história.

Não acho que a Xuxa seja uma coitadinha, ela fez as escolhas dela. Mas negar que ela é uma vítima e culpá-la pelo abuso que sofreu é demais, até pra mim que não gosto dela.

sábado, março 10, 2012

"Quando uma mulher avança nenhum homem retrocede"

Hoje pela manhã e início da tarde participei da Marcha das Vadias de Pelotas, debaixo de muito sol e num calor absurdo mas a marcha aconteceu e estávamos tod@s lá lutando contra o preconceito de gênero, de raça e contra a homofobia. O pessoal tinha cartazes, faixas, pintou o rosto e o corpo na luta por respeito! Algumas mulheres fizeram relatos de situações cotidianas de humilhação, desrespeito e violência. O relato que mais me tocou foi de uma mãe falando do desrespeito de um vizinho com suas filhas. Ela destacou que educa seus filhos para respeitar os outros, mas nem sempre, na casa dos vizinhos acontece o mesmo.

Durante o percurso os manifestantes foram hostilizados por motociclistas, por causa das ruas interrompidas. Outros motoristas não foram simpáticos a causa, mas apenas quem estava nas motos é que ficou acelerando como se a qualquer momento fossem romper a corrente humana dos manifestantes. Alguns não quiseram esperar e invadiram um posto de gasolina ou esperou uma brecha na rua e passou a milhões, podendo bater em alguém. Tais atitudes levaram uma baita vaia!

Nossa manifestação teve o apoio de um personagem muito querido da nossa cidade o Alemão do Círculos, que esteve em meio a preparação, ouviu os discursos e participou da marcha ao lado da mulherada. Havia mães com seus filhos, mulher  grávida, homossexuais e Homens, com H maiúsculo por que são companheiros que não se deixaram contaminar com a ideia de que lugar de mulher é na cozinha, ou que a mulher é uma propriedade. Como foi lembrado por uma das manifestantes que discursou, eles também sofrem preconceito por não se encaixarem no esteriótipo do machão.

E de todos os cartazes que vi e fotografei durante a marcha dois me fizeram pensar, de forma, ainda mais minuciosa nestas questões. Um deles era empunhado por um Homem e referia-se sobre o aborto e a forma como o debate atualmente se atém apenas a questão religiosa. Esta é uma questão que a presidenta assumiu  discutir e ampliar na sociedade, podendo descriminalizar a prática. No entanto, cada vez que a sociedade, digo que nós mulheres, cidadãs trazemos o assunto a pauta, de outro lado erguem-se milhares de religiosos que pegam-se apenas na questão do pecado, sem considerar que quem paga o dito pecado é a mulher que escolhe fazer um aborto. Esta "pecadora" é dotada de um benefício chamado Livre arbítrio através do qual faz escolhas e toma atitudes em sua vida e responde por eles. E que só a ela cabe!
Já escrevi outras vezes sobre o que penso em relação ao aborto. Mas o fato de pensar nas inúmeras formas de prevenção da gravidez, acho que cabe só a mulher decidir que se quer ou não levar a gravidez adiante. É o corpo dela, a consciência dela, a escolha e a vida dela. Devem ser respeitados, embora não concordemos. Além disso, conheço algumas mulheres que interromperam uma gravidez e garanto que estas mulheres não se orgulham disso e muitas sofrem de culpa por isto.
O debate que buscamos em relação ao aborto é a descriminalização. Não quer que a interrupção de uma gravidez ou gestação na adolescência aconteça? Invista na educação! Mas o que ocorre quando as escolas criam mecanismos de trabalhar a sexualidade na escola? Muitos se levantam dizendo que o trabalho é inadequado, que as crianças não estão preparadas.

Existem políticas públicas, é verdade, no entanto, não atingem o país de forma igual. E esta é só mais uma demonstração da desigualdade em que vivemos. Quem tem grana interrompe a gravidez numa clínica com acompanhamento médico, mas quem não tem, faz o procedimento em casa, ou seja lá aonde for, e consequentemente acaba tendo de recorrer ao SUS. Este é um diálogo que deve ser feito, a presidenta precisa dar início a ele.

Mesmo em casos de estupro a interrupção da gravidez é uma polêmica. É um direito da mulher, mas leva tanto tempo para ser concedido que quando chega o momento a gestação está adiantada e realizar o procedimento torna-se ainda mais arriscado.
O outro cartaz, cuja frase deu nome a este post, interpreto de duas formas. A primeira que é a da violência, visto que a força física do homem é maior que a da mulher, e quando uma mulher vai pra cima de um homem, no máximo ele se esquiva do ataque, mas não dá um passo atrás ou se encolhe.

Já a outra, que me parece muito mais abrangente é a questão do avanço da mulher na sociedade. Quando uma mulher avança profissionalmente, nenhum homem retrocede. Quando uma mulher cresce economicamente ou consegue conquistar seu espaço como cidadã, nenhum homem retrocede. Homens não ficam pobres se mulheres enriquecem, por exemplo.  Quando as mulheres passaram a votar ou concorrer na política os homens não foram prejudicados por isto.

É possível crescermos todos juntos respeitando as diferenças, convivendo com tolerância. Como diz o velho ditado, corrigido, "do lado de um grande homem sempre tem uma grande mulher"! É nisso que penso, não é preciso oprimir para crescer, embora durante muito tempo isto tenha ocorrido. A opressão demonstra a fraqueza do opressor que se vale da força, ou do dinheiro, para se manter no poder. Separados podemos ser fracos, mas juntos somos mais, somos fortes.
A caminhada com certeza ainda será muito longa, mas o primeiro passo foi dado. Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!

quinta-feira, março 01, 2012

Marcha das Vadias - 10 de março em Pelotas


Dando largada a semana da mulher aqui no blog, dou destaque a Marcha das Vadias, que ocorre dia 10, em Pelotas. Durante estes dias, que antecedem o dia internacional da Mulher, pretendo destacar grandes personalidades femininas que representaram e representam a nossa luta pela igualdade.
A Marcha das Vadias é uma passeata que chama atenção para um fato recorrente nos casos de estupro que é culpar a vítima pela violência que sofreu. Não importa a roupa, a hora ou o local em que a violência sexual ocorre, É uma violência, é um crime e não se pode culpar a vítima!
Mulheres não são objetos tampouco propriedades de grandes senhores. As mulheres conquistaram um espaço relevante na sociedade, tão importante que a maioria dos chefes de família hoje é mulher. Considerando-se apenas uma área da sociedade, ainda tem a política, a ciência,a economia, o direito, a medicina e tantas outras.

A luta pelo fim da violência contra mulher é uma luta de todos. Há muitos casos de violência doméstica que não vem a tona e há, até, quem considere normal. Mas não é. Quantos de nós ouviu falar de alguém que apanhou do marido, ou pôde escutar os gritos e o choro de uma vizinha? Quantas vezes a briga não virou fofoca nos corredores dos prédios ou nas conversas na calçada, sem resultar em nenhuma atitude de compaixão e solidariedade para com a vítima? "Em briga de marido e mulher não se mete a colher!" dizem alguns, e usam também da maledicência para falar da vida alheia sem usar seu conhecimento para ajudar ou produzir algo de bom.

Ainda que, existam leis e medidas protetivas, ainda existe a vergonha, o preconceito e o medo. Muitos sentimentos que, algumas vezes atrasam as atitudes e o resultado pode acabar sendo fatal.
A violência não se constitui só do tapa, do estupro, ela se forma também das humilhações, das ameaças, da coação, da tortura psicológica, na ameça de tirar a guarda dos filhos e de tantas outras formas que o medo passa a ser a única companhia da mulher, o sentimento mais presente que só dá lugar a angústia e o desespero.

Há alguns meses soube de um caso de violência doméstica, na qual a vítima era uma grande amiga. Violência esta que refletiu em um parto prematuro e a possibilidade do nascimento de uma criança com sequelas. Além da terrível vergonha e da culpa de haver apanhado do companheiro, existia o medo da reação da família. Depois veio o afastamento do trabalho por causa do risco da perda do bebê. Semanas de repouso para evitar a morte do nenê em seu ventre. O nascimento antes do previsto trouxe ao mundo um vitorioso! Meses na UTI pediátrica para o ganho de peso e o acompanhamento médico. E a angústia da mãe que sofria entre culpada e preocupada com a saúde de sua cria. O momento mais tenso veio a seguir com a transferência para um hospital mais equipado para a realização de uma cirurgia de emergência, mas que representava a salvação do bebê. Mas todas as angústias deram lugar a uma imensa alegria depois do sucesso da cirurgia. Com tanto tempo de apreensão a tão sonhada volta pra casa, com o filho nos braços foi de grande felicidade!

Pude ter a compreensão de como podemos nos sentir impotentes diante de uma situação como esta. Quando assistimos na televisão é possível até, num lampejo, questionar, porque ela não vai embora,  ou até realmente Nelson Rodrigues tinha razão, "elas gostam de apanhar"! Mas o acontecimento está muito longe de nós. No entanto, quando atinge uma amiga, uma familiar o sofrimento toma cores mais fortes. Minha reação, ao saber da agressão sofrida pela minha amiga, foi de mandá-la para a delegacia da mulher, foi de dizer que fizesse queixa e pedisse medidas protetivas. Mas minha amiga ficou constrangida de expor sua vida a toda vizinhança na pequena cidade onde residia. Passou um tempo até que a coragem viesse e a denúncia acontecesse. Eu não poderia ficar indiferente, é uma AMIGA MINHA! Mas não podemos ficar indiferentes diante de qualquer tipo de violência!

Recentemente tivemos o maravilhoso exemplo do Vitor, que arriscou sua própria vida na defesa de um morador de rua que estava sendo espancado. Não vamos ficar apenas achando que é uma atitude a ser admirada, vamos admirá-la e multiplicá-la.

Tod@as dizem não a violência contra mulher! Participe da Marcha das Vadias, dia 10 de março, às 11h, na esquina Democrática (Chafariz do Calçadão). Organização DCE da UFPel - Todas as Cores, RadioCom, Instituto Mario Alves, Coletivos Nacional Levante, Barricadas Abrem Caminhos, Juntos!, (Des) Construindo Gêneros e Levante Popular da Juventude!

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Seguindo os 16 dias de ativismo pelo #FimDaViolênciaContraMulher

Nasci numa família pobre, mas que com muito trabalho conseguiu conquistar um lugar ao sol. Meu pai veio de baixo, até conseguir formar-se e ir trabalhar no banco, aí nossa vida melhorou. Sempre gostei de escrever, quando dei-me conta já havia optado pela carreira jornalística. Fui morar noutra cidade, tendo de aprender a me virar sozinha, tomar minhas decisões, enfim...
Quando me tornei independente, não precisava de muitas opiniões para decidir o melhor caminho a seguir, avaliava com a razão e o coração. Para encurtar um pouco minha história fui noiva por alguns anos e não deu certo. Foram vários motivos que levaram ao rompimento, o mais marcante, o fato de eu não ter certeza se queria me converter a mesma fé professada pelo meu ex-noivo. Fiquei morando em outra cidade longe da família até conseguir um emprego em outro jornal. Lá conheci várias pessoas, fiz muitos amigos e encontrei um bom companheiro. Ficamos juntos algum tempo, tive duas gestações que foram interrompidas por abortos espontâneos. Fiquei muito mal com isto e o relacionamento pereceu.
Estava decidida a focar na minha carreira jornalística, no meu trabalho e nada mais. Mudei de cidade, de estado. Acabei indo parar ainda mais longe da família e dos amigos queridos. Descobri que não ter a quem recorrer, precisar começar do zero, construindo novo círculo de amizade realmente não é fácil. A decisão estava tomada iria recomeçar... do zero se preciso.
Meu trabalho era tudo o que eu queria. Estava muito feliz. O que não andava lá nas melhores condições eram os amores. Reatei com meu ex e acabei mais de uma vez. Íamos e vínhamos... nada mudava ou será que tudo voltava ao que era? Não sei bem. Decidi romper de vez.
Novos amigos, novos amores. Foi quando o conheci através do próprio trabalho, pois ele era uma das minhas fontes. Eu sei, não devemos nos envolver com as fontes, é antiético, mas não resisti. Namoramos por um tempo. Então descobri minha primeira gravidez. Fiquei com receio de contar, de ele pensar que eu o estava pressionando. Fui deixando as coisas rolarem. Acordei com o chefe que ao final da gestação eu fosse ter meu filho junto da minha família. Acertamos a demissão.
Contei ao meu, então ex-namorado, que estava grávida, que voltaria a minha terra. Ele assumiu o bebê prontamente. Ficamos em contato, mas segui minha vida, agora junto daqueles que amava tanto. Encontrei um novo amor, mas como vocês já devem ter ouvido milhares de vezes não está fácil manter um relacionamento sério hoje em dia. Rompemos após quase um ano.
Nesta época o pai do meu bebê convidou-me para ir até sua cidade, levar o filho para que ele conhecesse. Aceitei e voltei. Ficamos alguns dias de férias, então ele me fez a proposta que me surpreendeu, viver e criar nosso filho juntos. Exitei por vários meses, até pensar em meu filho e no que eu o estava privando. Conversei com algumas pessoas em quem confio muito, mas a decisão já estava tomada. Fui morar com ele e meu filho.
Voltei a trabalhar, cuidava da casa, do meu filho, das roupas do meu marido, da comida. Ele acreditava (e acredita) que faz muito me dando casa e comida. Aos poucos fui percebendo que sua mania militar de organização, silêncio, ordem, horários eram um traço forte de sua personalidade e que chocava-se diretamente com meu jeito livre de ser, coisa que, como boa aquariana refletia na minha desorganização e na minha preocupação em dedicar o máximo de tempo e atenção ao meu bebê. Isto de certa forma incomodava meu companheiro. Fui começando a perceber que sua mania controladora estava extrapolando o bom senso. Brigávamos muito! Por ciúme, por ele vir cheirando a bebida, por sua falta de paciência com o nosso filho, por suas puladas de cerca, por seu machismo.
Ele era tomado por acessos de raiva, gritava, xingava por que a comida estava ruim... enfim... eu me sentia um lixo. Então descobri que havia outra ex-namorada grávida. Ele fez questão de acompanhar toda a gravidez, acompanhava nas consultas médicas, ia visitar. Numa discussão grande por causa do novo bebê ele me bateu pela primeira vez. Bateu, me jogou no chão e foi embora.
Quando tentei conversar com ele mais tarde ele rebateu que não havia me batido, pois se o tivesse feito eu estaria toda quebrada. Conversei com uma amiga, ela me aconselhou a registrar queixa, eu não quis. Fiquei com vergonha porque a cidade é pequena e todos ficariam sabendo. Além disso, ele sendo policial como ficaria a situação? Tentei mais uma vez.
O problema é que as discussões iam ficando cada vez mais frequentes e sua atitude para encerrar o debate era erguer a mão. Até que ele me bateu, novamente. Decidi ir embora, voltar pra casa com meu filho e me afastar de todo aquele sofrimento. Ele começou a ameaçar tirar meu filho. Eu, por minha vez, tentei me consolar. Saí da casa dele e fiquei por um tempo na casa da mãe dele, a única família com quem podia contar nos momentos difíceis. Ela me ajudou muito cuidando meu bebê enquanto eu trabalhava, enfim.
Tentamos reatar mais uma vez... sem sucesso. Ou talvez com sucesso? Sei que muitos me julgarão e me chamarão de burra, como uma mulher com nível superior e independente apanha do marido e ainda assim tem dois filhos com ele? Peço que não me julguem, pois eu faço isso todos os dias, penso nos meus filhos e nos traumas que eles poderão vir a ter e me culpo por toda a violência que sofri. Ninguém mais precisa me dizer o quanto fui fraca, eu sei bem.
Quando contei a ele da gravidez ele enfureceu. Esbravejou, xingou e claro, me bateu mais uma vez. Eu já havia prestado queixa e pedido proteção para poder viajar com meu filho sem que ele me impedisse. Eu estava com dois meses de gestação, a agressão me fez faltar o trabalho e foi preciso contar a minha chefe todo o meu drama. Ela foi solidária comigo. Aos três meses tive um sangramento, mas conseguimos conter. O estresse com o meu ex não cessava. Acabávamos sempre discutindo quando ele vinha visitar nosso outro filho. Entre as acusações mais absurdas estava a de que o neném em meu ventre não era seu. Um tempo depois o médico recomendou-me repouso, tentava trabalhar de casa, mas não foi o suficiente. Comecei a perder líquido amniótico, era preciso repouso total. O obstetra desaconselhou a viagem para ter o bebê em minha terra natal. Meu segundo filho veio ao mundo com seis meses e meio de gestação. Está na UTI neonatal e graças a Deus está se desenvolvedo bem. Faz um mês e cinco dias que meu filhinho nasceu com pouco mais de um quilo. Ficará no hospital até ganhar peso. Todos os dias vou visitá-lo, levar o leite do meu peito, sentir seu cheiro e dizer o quanto o amo.
Durante o tempo em que precisei ficar em repouso a mãe do meu ex-marido muito me ajudou com os afazeres de casa e com meu outro pequeno. Tendo o apoio desta mãe não consigo compreender o caráter violento do pai dos meus filhos. Estou aguardando ansiosa poder ter meu filho nos braços e voltar pra minha terra. Vocês não imaginam o quanto sofri pensando na dor que seria perder meu filho! Como disse antes, tive dois abortos espontâneos e isso me traumatizou muito.
Agora aguardo ansiosa o momento de ir com meus filhos embora e me afastar deste homem que tanto amei, que tanto bem me fez (meus dois filhos) e que tanto mal me causou. Minha história é semelhante a muitas outras que acontecem, muitas vezes, bem próximas de nós. Eu não conseguia imaginar como uma mulher poderia se submeter aos maus tratos de um homem. Hoje, infelizmente, da maneira mais difícil eu sei. Mas consegui me reerguer!

PS.: Este depoimento foi criado por mim baseado na história de uma amiga que amo demais. É verdadeiro, mudei alguns detalhes e omiti os nomes para preservá-la. O bebê nascido prematuro está bem, ainda internado, mas bem.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Violência contra Mulher não acontece só em novela - Blogagem Coletiva pelo #FimDaViolênciaContraMulher

Atualmente duas novelas tratam do tema violência doméstica, uma na rede Globo e outra na rede Record. Não vou poder falar muito da "Fina Estampa", pois não assisto, apenas sei, que o personagem de Alexandre Nero pratica toda sorte de violências contra a personagem vivida por Dira Paes. Casualmente assisti ao capítulo em que Baltazar tentou matar Celeste e foi salva por Crô (um personagem gay, extremamente caricato) e é preso em flagrante. A ministra da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes criticou a novela e sugeriu que Celeste denunciasse o marido ao Disque Denúncia 180. Foi criticada pelo autor da novela. Não vou entrar na polêmica de isto tá certo ou isto tá errado, até porque, como disse, não assito a novela. Mal ou bem, apareceu alguns personagens argumentando com Celeste de que ela deveria sim denunciar o marido. Parece que, depois que a personagem principal na trama ficou rica, Celeste se empoderou um pouco mais de sua vida, e passou a enfrentar o marido. No entanto, continua vivendo sob o mesmo teto que o marido agressor.
Não sei os motivos do ciúmes e das brigas nesta trama, mas agressores de mulheres, de modo geral, batem nas esposas, namoradas, noivas e companheiras por qualquer motivo, por tudo e por nada, pois acham-se donos delas e como tal podem fazer o que bem lhes aprouver.

Na trama da Record o drama da violência doméstica vem aparecendo com mais constância. Na verdade o problema da violência contra Mulher seja ele dentro de casa com agressões físicas, seja moral ou psicológica. O próprio Marcelo Serrado, que vive o capachão de Tereza Cristina na trama de Aguinaldo Silva, já foi um marido abusador em outros dois folhetins da emissora. Em Vidas Opostas, de 2006/2007, Serrado vivia um delegado de polícia corrupto que submetia a mulher as mais absurdas formas de violência, tendo utilizado até o soro da verdade para obter confissões de traições por parte dela. Ele também praticava estupros, e eram vítimas sua própria esposa e mulheres com as quais ele se envolvia. A face macabra da personagem se apresentava de maneira assustadora. Entre suas vítimas favoritas estava a garota de programa Daniela (Gabriela Durlo) e a socialite Erínia (Lavínia Vlasak). O foco, creio eu, não fosse a violência de forma específica contra a mulher, mas a perversão dele. No entanto, percebia-se claramente o medo e a tensão na relação marido-mulher, que dele era do dono para com um objeto e das mulheres de muito medo. Não lembro bem como ocorreu a separação dele com a esposa, vivida pela atriz Ana Paula Tabalipa. Mas ela a torturava fazendo-a vestir-se com o vestido de noiva, dizendo que se ela se separasse ficaria com a guarda do filho, inclusive colocando o garoto contra ela em inúmeras ocasiões.
Em Poder Paralelo, também da rede Record, mais uma vez Marcelo Serrado tem o papel de vilão e demonstra o machismo acentuado no caráter do personagem Bruno Villar, que é uma espécie de mafioso e entre os inúmeros crimes e assassinatos que pratica esta o "desejo" de possuir sua amante, a atriz Fernanda Lira (personagem de Paloma Duarte) a qualquer preço e de qualquer forma. Além das agressões ele investiga o passado de Fernanda usando a toda hora, como forma de humilhação os acontecimentos. No caso de Bruno o machismo é escancarado. A primeira mulher, que tinha como grande sonho ser atriz é impedida por ele, pois isto não é trabalho de "mulher direita". E por amor ela se submeteu aos caprichos do marido. Até descobrir a amante, mas principalmente após descobrir os crimes praticados por ele, incluindo a morte do próprio pai.
O grande tratamento dado ao tema, de forma clara e objetiva está acontecendo na novela Vidas em Jogo, que atualmente vai ao ar entre 22h30 e 23h. Tá, talvez nem tão claro e nem tão objetivo, mas Lucinha Lins, que encarna a personagem Zizi, dá na sua interpretação a verdadeira dimensão do quanto é difícil para uma mulher romper com o agressor. Por culpa, por vergonha, por medo, por acreditar que o homem que ama irá mudar. Alzira saiu de casa muito cedo e foi, ainda muito guria, profissional do sexo. Foi quando exercía a profissão que conheceu Adalberto (Luiz Guilherme). apaixonaram-se e casaram. Ele a tirou da "vida" como costuma-se dizer por aí. No entanto, nunca conseguiu esquecer o passado da mulher ou mesmo acreditar em sua "honestidade".
Quando a filha, apaixonada por dança, decide ser dançarina ele a expulsa de casa, pois para ele dançarina é igual a prostituta. Este estigma é bem trabalhado, visto que ao não corresponder a um assédio durante o trabalho a personagem Rita (Julianne Trevisol) sofre uma tentativa de estupro. Junto com isto é demonstrado pela trama da novela o tratamento dado às vítimas deste tipo de crime pela sociedade e pela polícia. Apesar de todo o trauma e sofrimento porque passam as mulheres nesta situação ainda são culpadas pela violência sofrida, porque estavam em lugar inadequado, porque estavam sozinhas, porque vestiam-se com esta ou aquela roupa.
Andrea (Simone Spoladore) sente na pele, e demonstra muito bem, devo dizer, o quanto uma mulher pode ser humilhada após ser vítima de uma violência sexual. Ela foi coagita, pelo grande vilão do folhetim, a manter relações sexuais para preservar a vida do companheiro. Manter relações sexuais com alguém sob coação É estupro. A relação com o marido fica balançada porque, mesmo sob ameaça de morte, mesmo tendo ido pra cama coagida para salvar a vida do homem que amava, o namorado Lucas (Marcos Pitombo) não consegue superar seu preconceito, seu orgulho de macho ferido na "honra" de saber que sua mulher foi possuída por outro. Após a violência Andrea, com medo de ter ficado grávida, pois o bandido negou-se a usar camisinha, procura auxílio de uma médica, que a orienta a prestar queixa contra o estuprador, para garantir seu direito ao aborto, caso a suspeita se confirme. Mais uma vez a vítima é tratada como culpada. O próprio marido argumenta que não seria bom que ela denunciasse o bandido, visto que ela havia "consentido" em fazer sexo por ele para salvar sua vida. Mas a personagem não é de se deixar vencer. Mesmo sofrendo preconceito do delegado e tendo ouvido aquelas frases batidas ela registrou a queixa, argumentando que não tinha escolha, ou transava com Cléber (Sandro Rocha) ou o marido seria morto. O desfecho foi contrair o vírus HIV do bandido.
Zizi, Andrea e Rita são três personagens fortes, cada uma rica de valores e ideais. Zizi submete-se aos caprichos e as surras do marido por sentir culpa e vergonha de ter sido garota de programa. Ela crê que sem ele não será uma mulher respeitável. Ainda que seja ela o arrimo da família. Submete-se a violência acalentando o sonho de ter uma família.
Rita sente-se uma vitoriosa por conseguir realizar seu sonho de dançar, é uma lutadora, trabalha para conquistar seus objetivos. Mas sofre preconceito por ter escolhido uma profissão estigmatizada pelos olhos machistas da sociedade.
Andrea já começa incomodando pois, mesmo tendo curso superior, realiza se como motorista de táxi. Compunha o grupo do bolão da amizade com o intuito de abrir sua própria empresa de táxis. O que fez. Também sofreu tentativa de estupro e estupro e, por duas vezes, teve que ouvir os mesmos chavões do tipo "só é estuprada mulher que não se dá o respeito". Mas ela não se dobra e continua batendo de frente e defendendo seu direito de ser respeitada como mulher. Foi ela quem disse a Zizi que denunciasse o marido agressor. E talvez seja ela a grande heroína da história, vencendo seus medos.
A novela não é didática e não mostra como numa aulinha que mulher deve denunciar os abusos, mas mostra os caminhos. Toda a delegacia que aparece nas cenas da novela tem cartazes alertando que violência doméstica é crime e mostrando o número do disque denúncia 180. E mostra porque muitas demoram tanto tempo para romper o ciclo da violência. No outro canal talvez as personagens tivessem mais visibilidade, mãns...
_ Alguns dirão, é novela! É só uma novela!
Eu digo, é só uma novela um entretenimento que atinge um grande número de pessoas, incluindo criança, e justamente por ser uma novela que muitos casos e situações são suavizados. A novela é um meio de propagação, de conscientização, mesmo sob todas as críticas que se possa fazer ou dos erros que os autores podem cometer ao abordar tais temas. Acredite a realidade pode ser ainda muito mais cruel. Abra o jornal, olhe para o lado, coisas muito piores podem estar acontecendo e tu nem percebes. Leia a história da Maria da Penha, da Eloá, da Thays, da Raquel, e tantos outros casos REAIS com requintes de crueldade como o de Beatriz, que foi queimada ainda viva. Na grande maioria dos casos as mulheres foram mortas por maridos, namorados, noivos ou ex-esposos, namorados, noivos. São muitos casos não registrados e como uma epidemia vem aumentando. Pense nisso, violência contra mulher não acontece só em novela.
Quem ama não bate, quem ama não mata!

Charge: Carlos Latuff
PS.:Por favor, perdoem erros de digitação ou algum escorregão no português.

terça-feira, novembro 22, 2011

"Os homens não podem confundir igualdade com grosseria"

Embora o comercial de "Tampax" dissesse que, "incomodada ficava a sua avó", ainda hoje, eu fico sim muito incomodada, e não é com a menstruação ou os incômodos típicos do período. Fico muitíssimo irritada com atitudes grosseiras de alguns homens - principalmente se ele for um comunicador, jornalista ou radialista - que colocam as lutas feministas como algo sem importância ou falta do que fazer. Os mesmos cidadãos costumam se colocar como seres desprestigiados, uns pobres coitados. A argumentação começa errada, pois consideram o dia Internacional da Mulher desnecessário ou obsoleto.
Os dias que marcam as lutas pelos direitos da mulher, como o 25 de novembro, por exemplo,  não servem pra ganhar parabéns ou presentes, como sugerem alguns acéfalos. Qualquer pessoa, minimamente consciente, ao se deparar com dados como o de que no Brasil, "diariamente uma média de 10 mulheres são assassinadas", saberia a importância das datas de conscientização e luta pelos direitos das mulheres. Segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo "nos últimos 12 meses,  1 milhão e 300 mil mulheres, com mais de 15 anos, foram agredidas." E o mais dramático é saber que o número de agressões vem crescendo, como aponta o serviço Ligue 180, uma Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR), que demonstra dados assustadores (pelo menos pra mim, que sou mulher e me comovo com problemas alheios). De acordo com o serviço "de janeiro a dezembro de 2010 foram registrados 734.416 atendimentos, um aumento de 82,8% em relação a 2009 (269.977)."
A luta não fica apenas no campo da não violência de gênero, que é uma das coisas que mais me assusta, pois demonstra o quanto a intolerância segue forte na nossa sociedade. A luta é muito mais ampla e abrange muito mais questões. É a questão da violência, dos feminicídios, que algumas vezes ainda são ignorados como um homicídio por motivo torpe e pode, até, vir a ser encarado como "legítima defesa da honra", sendo endossado por algumas pessoas que culpam a vítima pela violência que sofrem. As lutas feministas abrangem o direito da mulher na sociedade, no trabalho, no mundo.
Enquanto existirem homens que se atrevem a pegar um microfone e dizer (impensadamente e preconceituosamente) "ontem foi dia internacional do homem e eu não ganhei presente, nem parabéns, nem vi propaganda na televisão, nem manifestações pro-homem nas ruas" seguirão sendo necessários sim 08 de março, 25 de novembro e tantas outras datas que sirvam para marcar a conscientização e a luta das mulheres. Até porque o dia do homem também tem um sentido de promover a igualdade de gêneros e a saúde dos homens. Com certeza aquele serzinho que falou lá na rádio o que reproduzi ali em cima, não deve ter consciência disto. Ou será que tem?
Sorte que existem homens que compreendem e percebem a desigualdade que ainda existe, como Fidel Castro. O seu discurso de encerramento do Congresso de Mulheres, foi em fins de 1974, já faz vários anos, mas as palavras seguem fazendo sentido. Fidel terminou sua fala lembrando "que os homens não podiam confundir igualdade com grosseria: 'Se na sociedade humana há de haver algum privilégio, alguma desigualdade, deve ser em favor da mulher, fisicamente mais débil, que tem que ser mãe, que acima de seu trabalho leva o peso da maternidade. E se ela suporta os sacrifícios físicos e biológicos que essas funções compreendem, é justo que tenha na sociedade todo o respeito e todas as considerações que merece. E eu digo isso clara e francamente, porque há alguns homens que entendem que não têm nenhuma obrigação de dar o lugar a uma mulher grávida, a uma mulher de idade ou a qualquer mulher que vá no ônibus'." (Morais, Fernando. A Ilha, página 81) Aqui ele destacou uma questão de delicadeza, de cavalheirismo para com a mulher. Na prática ele demonstrou que a mulher pode sim ser boa mão-de-obra e não quer se eximir disto. A questão é que, por algumas especificidades, como o fato de ser mãe, necessitará de uma legislação específica. Afinal as mulheres, mesmo trabalhando fora, mantém suas cargas de trabalho como donas de casa e mães.
Acompanhe a blogagem no site Blogueiras Feministas.

quinta-feira, março 17, 2011

Guia para jornalistas sobre aborto será lançado no Sindicato no próximo dia 25

No próximo dia 25 de março, às 14h30min, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, será apresentado o Guia de Apoio para Profissionais de Comunicação, uma publicação das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro - coalização feminista de redes, organizações e ativistas que trabalham pelos Direitos Humanos das mulheres, da qual a Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, sediada em Porto Alegre, é componente. Esta apresentação integra as atividades do Fórum Municipal da Mulher de Porto Alegre comemorativas ao dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e é organizada pela Rede Feminista de Saúde, Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas, Ilê Mulher, Coletivo Feminino Plural, Themis Assess oria Jurídica e Estudo de Gênero, Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras, Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher- Cladem/Brasil. O evento tem apoio dos Núcleo de Jornalistas pela Igualdade de Gênero e Jornalistas Afrobrasileiros do Sindicato dos Jornalistas do RS.

O guia é um documento completo de dados que traz a perspectiva histórica dos avanços e retrocessos políticos, consolidando todos as informações de pesquisa relevantes à temática e que servirá de fonte de informação para o trabalho de jornalistas que atuam nas redações ou em assessorias de Imprensa. A publicação foi elaborada com base em fontes oficiais, de governos e institutos de pesquisa nacionais e internacionais, trazendo informações que poucas vezes estão na agenda pública. Além disso, indica fontes especializadas de forma a colaborar com reportagens e releases sobre o assunto. Para saber mais sobre o guia, acesse abortoemdebate.com.br.
 
Fonte: Sindicato dos Jornalistas do RS