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sexta-feira, agosto 03, 2012

"Mulher tem outras prioridades que não são arrumar homem"

A fala da Luciana Nepomuceno no programa "Encontro com Fátima Bernardes", hoje pela manhã, foi muito boa e foi um contra ponto crucial no meio de um programa tão chavão sobre "periguetes". Aliás, chavão e moralista! Não conheço a Luciana fora das redes sociais e do blog Biscate Social Club. Adoro sua forma de escrever calma e clara, assim como foi no programa. (Aqui um parentese literal, que programinha bem ruim hein!? Não tinha assistido antes, mas desde o primeiro tenho percebido várias críticas sobre ele. E não vou nem falar daquele "humorista"!)
Não pude assistir desde o início, mas dei a sorte de pegar justamente no momento da fala da Lu (posso te chamar assim Luciana?).

Das coisas que ela falou e mais gostei (e eu gostei de tudo, mas este trecho que destaco é o que penso desde sempre na minha vida) é que "mulher tem outras prioridades que vão além de arrumar homem!" Ela complementou muito bem dizendo que "ter um homem é ótimo", mas que nossos anseios e desejos vão muito além. O que pra mim parece e sempre pareceu óbvio. Até porque... se nossa única prioridade fosse arrumar homem ficaríamos paradas no tempo naquela vidinha de casar, ter filhos, cuidar da casa submissas, como era no século passado, não é mesmo?

Outro detalhe que sempre me deixa desconfortável é a coisa de que a periguete é uma fera desembestada que ataca os homens indefesos (porque só quer homem, não é um específico e bem pode ser todos), mas quer principalmente dinheiro. E aí me vem a cabeça, se a periguete quer homem e tu te sentes tão ameaçada não seria porque ambas tem apenas um (e o mesmo) objetivo na vida????? Porque num relacionamento não existe submissão (relacionamento de verdade com amor e respeito). Ninguém é dono de ninguém, não tem dono e propriedade, ambas as partes são livres e autônomas. Do contrário são gêmeos siameses! Portanto ela não tirou teu homem.
Também existe problemas como a auto estima e o ciúme, mas nestes não vou dar pitaco.É uma questão, como bem disse a Luciana de estar confortável consigo mesma.

Adorei quando a Lu demonstrou com inteligência que sedução vai muito além de mostrar o corpo, a lingerie, jogar o cabelo ou fazer beicinho. A comparação da forma de se expressar de uma neuro cirurgiã e ser admirada por sua inteligência com a mulher bonita com uma roupa marcando, sendo uma taxada de periguete e a outra não foi, como diz meu pai de "cabo de esquadra!" E arrasou o argumento da Isís Valverde. Na própria novela em que atua Isís tem o exemplo da Nina (a famigerada!) que seduziu Tufão com sua culinária e sua cultura. E olha que ela só veste aquele uniforme chinfrim! E olha que homens tem muitas fantasias com mulheres de uniforme! Mas é o contra ponto e o argumento usado pela Luciana sendo exemplificado na ficção Nina sem maquiagem ou jóias, de cabelos curtos num uniforme feio e calçando molecas, com sua forme de cozinhar e levar cultura a mansão brega de Tufão. Do outro lado a Carminha sempre bem vestida em tons pastéis, cabelos longos e louros, com jóias, maquiagens, "encarnando o papel da senhora do lar respeitável" (isto quando os outros estão olhando, porque do contrário é quase uma periguete).

A participação da Luciana salvou o programa. Já algumas falas da Isís Valverde a meu ver deixaram a desejar. Não vi se ela defendeu a personagem Suelem como uma mulher bem resolvida, livre e que gosta muito de sexo. Mas tem boas defesas da personagem em alguns textos na web. O importante é deixar claro que periguete ou biscate são pessoas que estão bem resolvidas quanto a suas vidas!


quarta-feira, maio 23, 2012

A proposta: "amante fixa"

Costumo dizer, a respeito de mim mesma que: se não queres saber a minha opinião sincera sobre qualquer assunto não pergunte.É não sou flor que se cheire até porque estou mais pra planta carnívora do que pra qualquer flor perfumada dos lindos jardins. Não sou uma pessoa ruim, mas não mudo de opinião tão fácil assim (sou considerada teimosa e cabeça dura!) e cantadas podres e pobres não me levam a lugar nenhum muito menos pra cama. Não sou boneca inflável, tampouco banheiro público aonde, num momento de necessidade, tu pode te aliviar. Nem me sinto lisonjeada pelo fato de um homem me procurar com o único intuito de transar comigo. Não, não sou frígida, nem quero parecer santa! Porque, ainda hoje, as coisas são assim, simplistas, se gosta de sexo = vadia, se não gosta = frígida (ah! e tem a opção B, gay).

Até porque... né, o garanhão não é capaz de cogitar a opção correta: "gosto de sexo mas não contigo!".
E ele vai mais longe (o pseudo garanhão) na sua cabeça machista e perturbada, se a mulher gosta de sexo e é uma vadia (na cabeça dele, em ambas, a de cima e a debaixo) ela tem que dar pra quem quiser transar com ela e ponto. Eu, como boa bisca que sou, penso exatamente o contrário. Principalmente porque, ser uma biscate é ter o direito de escolher e liberdade para ser quem quiser ser.

Ontem fui colocada diante de uma situação destas, pela segunda vez. O papo começa sempre no mesmo sentido, afinal o outro já parte do pressuposto de que, como já te rotulou tu agirás dentro do rótulo que ele te deu. Então vem o cara, um rapaz jovem, que deveria ter a mente aberta... é, deveria... Começa se oferecendo como a última novidade do mercado, sendo que eu já comprei o produto e devolvi por apresentar defeito. Eu querendo ser aquela rosa meiga e cheirosa do jardim mais lindo do mundo evitei responder a fatídica pergunta: "não queres me pegar de novo?". Em pensamento já havia gargalhado e dito, a resposta está no início da pergunta. Educadamente eu disse que já havíamos tido aquela mesma conversa uma outra vez, na esperança de que o papo fosse cortado naquele exato momento. Ele se fez de desentendido.
Fico imaginando que alguns homens fazem isto na crença de que faremos como antigamente, sorriremos e consentiremos qualquer ideia deles, mesmo contra a nossa vontade. Ele insistiu na pergunta. Eu disse que nós não éramos compatíveis em nenhuma área. Não alcançou o raciocínio. E a planta carnívora dentro de mim pronta para dar o bote ia tentando o auto controle pensando, esta carne deve ser ruim!

Fui clara então. Não estou interessada em sexo por sexo. Isto pra não dizer na cara dele (pelo msn) que na nossa única experiência teve: uma brochada (neste caso de ambos, a minha resultado do desempenho que deixou a desejar), péssimas preliminares e nenhum gozo. Mas ele, como todo garanhão é egocêntrico demais para observar a minha cara e reação de descontentamento, além do pequeno sorriso de alívio quando disse que ia s'imbora.
Óbvio que ele usou argumentos muito "convincentes" (pode até ser que convença alguém, mas creio que nenhuma das mulheres que eu conheço) como o fato de ter pensado seriamente em ter-me como uma amante fixa! Gente! Quem me conhece deve imaginar a minha cara diante da tela do computador! Mas Deus sabe o que faz e não me deu visão de raio X, ou do contrário ele estaria derretido neste momento soltando fumacinha pelos ouvidos. Aham! é tudo o que eu quero na minha vida, ser amante fixa de um babaca machista!

A questão que me estarrece e indigna não é a falta de noção desta pessoa específica, mas saber que em pleno século XXI tem quem pense que mulher é propriedade dos homens. É o fato dos caras (alguns claro!) pensarem que a escolha só ocorre da parte deles, ou seja ele me escolheu, fico lisonjeada, sorrio e aceito a proposta! Que é mais indecente do que a que o Robert Redford fez pra Demi Moore, em Proposta indecente, visto que ele ofereceu um milhão de dólares pra ela e a decisão foi dela, ainda que o marido não tenha gostado nada-nada.

É meu corpo, é minha escolha. Eu tenho que ser respeitada, seja na minha escolha de fazer sexo sem compromisso ou na ideia romântica de passear de mãos dadas na praia sob a luz da lua. Como bem diz um amigo meu "a tentiada é livre!" Faz tuas cantadas grosseiras, mas não conte que eu vá gostar delas. Não milito em causas feministas e pelo fim da violência  contra a mulher atoa. Não sou objeto e não sou propriedade! Quero um companheiro! Com-pa-nhe-i-ro, não um sinhôzinho!