Faz muito tempo que não escrevo aqui. Por causa do tempo e das decepções políticas que tive. Decepcionei-me com a ex-presidenta que achei que iria abrir os arquivos da ditadura, acreditei que seria jogada luz sob este período, tive esperanças que fossem punidos os torturadores, que a comissão da verdade seria um marco para que tudo fosse colocado em pratos limpos, mas enfim... Também me decepcionei bastante com o partido dos trabalhadores, apesar de nunca ter sido filiada, votei algumas vezes na esperança de que fossem realmente fazer a diferença na nossa política.
Nada disso aconteceu e pra maior decepção um dos mais conhecidos torturadores do país foi homenageado durante o ato de votação de impeachment da Dilma pelo, agora presidente, Jair Bolsonaro e seus filhos, inclusive com uso de camisetas. Neste espaço modesto sempre falei sobre política, história, feminismo, racismo e outras coisas mais. A gente está sempre aprendendo, a gente não tem compromisso com o erro então muda e se transforma, graças a Deus.
O que é, deve-se dizer, o petê fez a diferença em várias políticas sociais e para as minorias, permitiram que fossem realizadas investigações de corrupção sem interferências, tanto é que vários membros do partido foram presos e depois da saída da presidenta as coisas parece que ficaram paradas.
Nosso atual presidente não tem traquejo social, político ou diplomático. Ele se colocou durante a campanha como uma opção "contra tudo isso daí", que entenderam seus eleitores ser a corrupção, o toma-lá-dá-cá e o jeitinho. Mas, aos 20 poucos dias de mandato surgem denúncias (algumas já do tempo da eleição) de empregados fantasmas no gabinete, transações bancárias suspeitas sendo investigadas pelo Coaf em relação a assessores, aos filhos e até a primeira dama, leis que tornavam os atos do governo transparentes e públicos modificados. Para completar o banco central quer mudar regras de monitoramento de transações bancárias de parentes de políticos restringindo valores a serem informados ao Coaf. Parecem suspeitas estas ações não é? Visto que o objetivo é acabar com a corrupção o melhor seria tornar as coisas ainda mais transparentes, acho eu. Inclusive uma das denúncias contra o filho do presidente se deu através do livre acesso as informações, o que passa a ser restringido com a nova lei.
Tenho amigos e parentes que votaram no Bolsonaro, mas não foi a maioria. Desde as últimas eleições venho observando que não é a maioria dos eleitores que vem elegendo os presidentes. Muitas pessoas estão sim insatisfeitas e decidiram não votar em ninguém! Isso não é de agora! Mas as investigações no período da Dilma aconteceram. O Lula foi preso e outros correligionários, outros foram delatados por investigados, como o Temer, mas ninguém mais foi preso. Agora o Sérgio Moro, tido como paladino da justiça contra corrupção é ministro e nada mais aconteceu. Ou melhor, aconteceu o que relatei acima e parece que pra ele faz todo o sentido não mostrar pro Coaf como estão as movimentações financeiras dos parentes dos políticos, afinal de contas, geralmente né, lembremos da família Cunha.
Nosso atual presidente está desgastado? Sim, está e muito. Compreendo que isso ocorre devido as novas atribuições, viagens e também a debilidade física causada pelo atendado. Correm boatos de que Jair já estava doente e a situação do atentado veio para lhe proporcionar tratar-se sem que precisasse revelar a situação de saúde. São boatos! Pode ser teoria da conspiração? Pode também, ultimamente eu não duvido de nada e duvido de tudo e procuro lá no site dos boatos pra ver se é real ou fake. Digo pra vocês, estou estarrecida com tanta mentira!
Tenho uma esperança mínima de que as coisas irão melhorar no Brasil? Tenho, é uma esperança muito fraca e raquítica, que se sustenta porque creio que a mudança virá através do povo mesmo. Os políticos não farão essa mudança. É triste, mas é verdade, infelizmente. Aqueles que atuam bravamente para diminuir as diferenças sociais vão sendo jogados pra fora da política, seja com ameaças, ou com as vias de fato como aconteceu com Marielle. E isso é assustador! Uma pessoa ter que renunciar ao mandato para o qual foi eleito democraticamente por medo de perder a vida é muito triste. E o presidente e seus filhos comemorar isso em rede social demonstra, mais uma vez o total despreparo e desrespeito que eles tem pelos seus eleitores e seus colegas de legislativo.
Não é uma questão de torcer contra ou a favor. Não é um time de futebol, não é uma disputa esportiva. São vidas que estão sendo perdidas porque se validam no discurso grosseiro e preconceituoso do chefe da nação, que deveria apaziguar e atuar pelo bem e proteção dos "mais fracos"! Sigo otimista e com esperança por causa das pessoas que me cercam e lutam pela justiça social neste país seja através de mandatos ou organizações e mobilizações. Seguimos!
Quanto as reclamações feitas às críticas que o jornalismo está fazendo ao novo presidente alerto, é assim mesmo. A imprensa vai ficar em cima, vai apontar, noticiar, investigar, averiguar tudo e com detalhes. Falar bem e fazer propaganda do governo é papel da assessoria de imprensa, não dos jornais!
Esta página é para quem acredita que um mundo melhor é possível e que o jornalismo deve ser livre, íntegro, revolucionário, questionador e formador de opiniões, ou pelo menos fazer com que a gente pense. Segundo Millôr Fernandes "a função do Jornalista é trabalhar para ser demitido". Eu já estou no 3 a zero. "Livre pensar é só pensar" Millôr Fernandes
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quinta-feira, janeiro 24, 2019
terça-feira, outubro 30, 2012
Vida de eleitora
Eu gosto de política. É, ao contrário do que as pessoas, a maioria diz, eu gosto sim. E, apenas nisso, concordo com o prefeito eleito Eduardo Leite, política não tem a ver com sujeira, nem corrupção, nem safadeza, nem um monte de atribuições que se dá a ela, justamente por que a forma e as pessoas erradas estão fazendo parte da nossa política há tantos e tantos anos. Tenho uma memória em relação a política que me surpreende muitíssimo algumas vezes.
A primeira eleição de que tenho lembrança é a de 1989. Nesta época eu tinha 12 anos, devia estar na sexta série. Desde aquela época não compartilho do mesmo candidato que meu pai. Democracia é isto! Embora algumas vezes a gente até tenha votado no mesmo candidato, isto não aconteceu na maioria das vezes.
Não sei se minha lembrança em relação a esta eleição é tão boa pela repercussão ou se foi o fato de, dentro do colégio inclusive, ter tido tantos debates ou se foi realmente o fato histórico de ser a primeira eleição presidencial depois de tantos anos de ditadura militar. Eu realmente não sabia quem eram aqueles candidatos todos, e não tinha internet pra gente pesquisar e saber todos os detalhes daquele povo lá de longe. A gente contava em saber das coisas através da televisão, da boa e velha mídia brasileira. Triste é saber que (praticamente) a única fonte de informação era uma velha conhecida da ditadura, aliada dos generais e que sempre colocou seus interesses capitalistas antes de qualquer coisa. Mas eu era uma criança.
É possível que alguns amigos se decepcionem com a trajetória! Desde já destaco que mudei minhas opiniões em relação a muita coisa daquele tempo e... sempre posso mudar mais.
Eram tantos candidatos! Foram 22 concorrentes, sendo que alguns eram bem conhecidos, outros nunca havia ouvido falar e outros ainda ficaram marcados para sempre na lembrança, caso do Enéas do PRONA. Meu candidato, ainda que não pudesse votar, nesta foi o Guilherme Afif Domingos. Não me perguntem porque! hahahaha Não tenho a mínima ideia! O Afif era do PL, não sei se continua...
Desta eleição lembro de vários debates, lembro dos programas de televisão. E como não sabia nada de nada, e, principalmente, por não conhecer aquelas pessoas que queriam governar o país imaginava da minha parte que eles mal se conheciam e que mal conheciam meu país e a mim, já que estavam tão longe. Foi então que me surpreendi com o Lula dizendo ao Caiado que o cavalo branco dele pastava em campos alheios. Lembro bem de mim pensando: "Como é que ele sabe que o outro tem cavalo e quem alimenta são outras pessoas?" Ainda não entendia metáforas!
Também não entendia como as mulheres podiam se enlouquecer com o Collor, sendo que, na minha opinião o Caiado era mais bonito.
Lembro vivamente dos programas de humor que alfinetavam os candidatos e já denunciavam desde aquela época o caráter do Maluf. Também me inquietava a angústia dos candidatos em relação aos boatos da candidatura do Silvio Santos. (Aqui preciso fazer um parêntese, porque eu não conhecia o Silvio Santos! É, na vila aonde eu morava não pegava nenhum outro canal que não fosse a Globo, repetida pela RBS. Até tinha a Band, que pegava mal pra caramba. Manchete e outros só se ouvia falar, que nem o caviar!) E não me saia da cabeça a musiquinha que perguntava aonde estava o Naji Nahas e a ligação que se fazia com o Maluf. Acho que eram muitas coisas pra uma guria de 12 anos, sem muitas fontes de pesquisa. Confesso que desde aquela época tinha uma simpatia com os partidos de esquerda! hahaha Esqueçam o Afif! Parafraseando aquele outro.
É, gente, tenho salvação, gostava do Gabeira e do Bisol, vice do Lula. Tinha minhas desconfianças com o Maluf (pra completar ele solta a famosa frase "estupra mais não mata") e achava que o Ulysses estava passado demais pr'aquilo tudo! Sendo que tinha o pé atrás com o PMDB desde essa época.
Tenho muito respeito pelo Brizola, ainda que naquele tempo não soubesse de sua história.
Em 1994, aconteceu a segunda eleição presidencial de que tenho ideia e foi a primeira em que votei. Amigos queridos, perdoem-me eu não sabia o que fazia. Sim, por pura antipatia com Lula votei no FHC. Continuava a saber nada de política. Havia passado ao largo do movimento caras pintadas, porque realmente estava por fora de tudo que se tratasse de política. Mas algo dentro de mim já se manifestava contra este neoliberal, ainda que eu tenha votado nele. Tínhamos que escrever uma redação e o tema era as eleições. Aliás, foi o texto que me fez optar pelo jornalismo como carreira. Pena que não o tenho mais. Mas usei de muita ironia para falar das propostas de governo do "super FHC" e ganhei o maior elogio de toda minha vida. A professora de literatura e português disse que meu texto usava um recurso muito utilizado pelo Machado de Assis, a ironia.
Fiquei muito grata, porque além do elogio ela perguntou-me se já tinha escolhido a faculdade que ia fazer, eu disse que não, na verdade não tinha nem ideia. Embora nutrição, com toda a sua química, tenha passado pela minha mente. Então ela sugeriu o jornalismo. Devo a minha escolha a professora Rosani.
Então eu me redimi totalmente nas eleições 1998. Esta sim eu já tinha alguma ideia do que era a política. E quantas raposas velhas sempre vinham nesta época mascarando suas intenções. Então teve um voto de protesto no Dr. Enéas. Porque eu sou extremista mesmo e ainda que minhas escolhas pareçam totalmente loucas, no fundo tem coerência comigo mesma. Sim, votei no FHC contra o Lula por antipatia a este. Mas depois mudei de ideia. Já tinha me dado conta que FHC era ex-ministro de Itamar, que era vice do Collor, acusado de corrupção junto com um bando de gente. E pra mim, fica difícil livrar a cara de um vice assim. E desde este tempo as coligações me chamam muito atenção. Algumas vezes até mais que a ficha dos candidatos ou o curriculum. Sendo assim... Votei pela primeira vez no Lula, mais pelo Brizola do que pelo Lula. E contrariada de saber que um já havia falado muito mal do outro em eleições passadas.
Nas eleições presidenciais de 2002 já havia pesquisando um pouco sobre a ditadura militar e a censura. Já me considera bem de esquerda, se é que dá pra me chamar de esquerdista. hahaha Votei no Lula com convicção desta vez. E olha gente, o vice do Lula era PL. (Eu disse que tinha coerência! hahaha) Em 2006 votei na Heloísa Helena no primeiro turno e no Lula, óbvio no segundo.
Nas últimas eleições... 2010 eu votei na Marina Silva e no segundo eu anulei meu voto porque não consigo ter o mínimo de simpatia, ou seria respeito?, pelo Michel Temer. Reconheço que o governo do partido dos trabalhadores tem méritos, mas me decepcionei com estas coisas de "vale tudo" para conseguir chegar a meta. Sim, entendo que existem e são necessárias muitas estratégias para se chegar a um objetivo, mas coerência e ética pra mim é fundamental.
É provável que para muitos minhas ideias sejam completamente absurdas, obtusas e sem a mínima coerência. Eu admito que ainda sei pouco de política, mas sei muito das necessidades do povo, sou povo. Não acho que o governo, seja em que instância for, é um laboratório para experiências. Só que são necessárias alguns testes para conhecermos o trabalho. Nisto acabamos votando em gente que nos decepciona. E como todo mundo, não gosto de me decepcionar e se isto acontece na política o cara não ganha mais meu voto. Não acredito mais nos bichos papões comunistas que comiam criancinhas, pelo contrário compactuo de muitas ideias e ideais propagados por eles. Mas reservo muito cuidado para aqueles que desde antes da ditadura militar já estavam no poder, e nunca mais saíram, ampliando para sua família, de maneira quase que hereditária, a vida política.
Várias decepções tive nesta minha vida eleitoral. Porque vi gente que defendia melhores salários para os trabalhadores votaram contra um aumento mais substancial para estes e a favor do reajuste do seu salário exorbitante como deputado federal ou estadual. Defendendo o seu aumento e dizendo que o aumento do mínimo vai "quebrar" o país. Para mim isto é motivo de não mais receber votos sim. E eu sei bem que um trabalhador custa "caro" para a empresa que o emprega. Mas políticos custam muito mais e para todos, inclusive pr'aquele trabalhador que recebe o mínimo, mas paga imposto sobre tudo.
Não confio em quem troca de partido vira e mexe. E desconfio mais ainda em quem fala em mudança fazendo tudo igual aqueles a quem condena.
A gente muda a cada dia. Eu mesma mudei muito. E ainda tenho muito que mudar! Escrevi tudo isto porque, nestas eleições municipais que se encerraram vi gente apontando dedo na cara de amigos e acusando pessoas como se não tivessem um passado. Como se não vivêssemos numa democracia aonde o voto é secreto e livre! E mais, como se depois de votar todas as responsabilidades fossem apenas daqueles eleitos. Somos todos seres políticos! Todos nós somos responsáveis pela melhoria e a mudança da nossa cidade.
Eleições 1989
Eleições 1994
Eleições 1998
Eleições 2002
Eleições 2006
Eleições 2010
A primeira eleição de que tenho lembrança é a de 1989. Nesta época eu tinha 12 anos, devia estar na sexta série. Desde aquela época não compartilho do mesmo candidato que meu pai. Democracia é isto! Embora algumas vezes a gente até tenha votado no mesmo candidato, isto não aconteceu na maioria das vezes.
Não sei se minha lembrança em relação a esta eleição é tão boa pela repercussão ou se foi o fato de, dentro do colégio inclusive, ter tido tantos debates ou se foi realmente o fato histórico de ser a primeira eleição presidencial depois de tantos anos de ditadura militar. Eu realmente não sabia quem eram aqueles candidatos todos, e não tinha internet pra gente pesquisar e saber todos os detalhes daquele povo lá de longe. A gente contava em saber das coisas através da televisão, da boa e velha mídia brasileira. Triste é saber que (praticamente) a única fonte de informação era uma velha conhecida da ditadura, aliada dos generais e que sempre colocou seus interesses capitalistas antes de qualquer coisa. Mas eu era uma criança.
É possível que alguns amigos se decepcionem com a trajetória! Desde já destaco que mudei minhas opiniões em relação a muita coisa daquele tempo e... sempre posso mudar mais.
Eram tantos candidatos! Foram 22 concorrentes, sendo que alguns eram bem conhecidos, outros nunca havia ouvido falar e outros ainda ficaram marcados para sempre na lembrança, caso do Enéas do PRONA. Meu candidato, ainda que não pudesse votar, nesta foi o Guilherme Afif Domingos. Não me perguntem porque! hahahaha Não tenho a mínima ideia! O Afif era do PL, não sei se continua...
Desta eleição lembro de vários debates, lembro dos programas de televisão. E como não sabia nada de nada, e, principalmente, por não conhecer aquelas pessoas que queriam governar o país imaginava da minha parte que eles mal se conheciam e que mal conheciam meu país e a mim, já que estavam tão longe. Foi então que me surpreendi com o Lula dizendo ao Caiado que o cavalo branco dele pastava em campos alheios. Lembro bem de mim pensando: "Como é que ele sabe que o outro tem cavalo e quem alimenta são outras pessoas?" Ainda não entendia metáforas!
Também não entendia como as mulheres podiam se enlouquecer com o Collor, sendo que, na minha opinião o Caiado era mais bonito.
Lembro vivamente dos programas de humor que alfinetavam os candidatos e já denunciavam desde aquela época o caráter do Maluf. Também me inquietava a angústia dos candidatos em relação aos boatos da candidatura do Silvio Santos. (Aqui preciso fazer um parêntese, porque eu não conhecia o Silvio Santos! É, na vila aonde eu morava não pegava nenhum outro canal que não fosse a Globo, repetida pela RBS. Até tinha a Band, que pegava mal pra caramba. Manchete e outros só se ouvia falar, que nem o caviar!) E não me saia da cabeça a musiquinha que perguntava aonde estava o Naji Nahas e a ligação que se fazia com o Maluf. Acho que eram muitas coisas pra uma guria de 12 anos, sem muitas fontes de pesquisa. Confesso que desde aquela época tinha uma simpatia com os partidos de esquerda! hahaha Esqueçam o Afif! Parafraseando aquele outro.
É, gente, tenho salvação, gostava do Gabeira e do Bisol, vice do Lula. Tinha minhas desconfianças com o Maluf (pra completar ele solta a famosa frase "estupra mais não mata") e achava que o Ulysses estava passado demais pr'aquilo tudo! Sendo que tinha o pé atrás com o PMDB desde essa época.
Tenho muito respeito pelo Brizola, ainda que naquele tempo não soubesse de sua história.
Em 1994, aconteceu a segunda eleição presidencial de que tenho ideia e foi a primeira em que votei. Amigos queridos, perdoem-me eu não sabia o que fazia. Sim, por pura antipatia com Lula votei no FHC. Continuava a saber nada de política. Havia passado ao largo do movimento caras pintadas, porque realmente estava por fora de tudo que se tratasse de política. Mas algo dentro de mim já se manifestava contra este neoliberal, ainda que eu tenha votado nele. Tínhamos que escrever uma redação e o tema era as eleições. Aliás, foi o texto que me fez optar pelo jornalismo como carreira. Pena que não o tenho mais. Mas usei de muita ironia para falar das propostas de governo do "super FHC" e ganhei o maior elogio de toda minha vida. A professora de literatura e português disse que meu texto usava um recurso muito utilizado pelo Machado de Assis, a ironia.
Fiquei muito grata, porque além do elogio ela perguntou-me se já tinha escolhido a faculdade que ia fazer, eu disse que não, na verdade não tinha nem ideia. Embora nutrição, com toda a sua química, tenha passado pela minha mente. Então ela sugeriu o jornalismo. Devo a minha escolha a professora Rosani.
Então eu me redimi totalmente nas eleições 1998. Esta sim eu já tinha alguma ideia do que era a política. E quantas raposas velhas sempre vinham nesta época mascarando suas intenções. Então teve um voto de protesto no Dr. Enéas. Porque eu sou extremista mesmo e ainda que minhas escolhas pareçam totalmente loucas, no fundo tem coerência comigo mesma. Sim, votei no FHC contra o Lula por antipatia a este. Mas depois mudei de ideia. Já tinha me dado conta que FHC era ex-ministro de Itamar, que era vice do Collor, acusado de corrupção junto com um bando de gente. E pra mim, fica difícil livrar a cara de um vice assim. E desde este tempo as coligações me chamam muito atenção. Algumas vezes até mais que a ficha dos candidatos ou o curriculum. Sendo assim... Votei pela primeira vez no Lula, mais pelo Brizola do que pelo Lula. E contrariada de saber que um já havia falado muito mal do outro em eleições passadas.
Nas eleições presidenciais de 2002 já havia pesquisando um pouco sobre a ditadura militar e a censura. Já me considera bem de esquerda, se é que dá pra me chamar de esquerdista. hahaha Votei no Lula com convicção desta vez. E olha gente, o vice do Lula era PL. (Eu disse que tinha coerência! hahaha) Em 2006 votei na Heloísa Helena no primeiro turno e no Lula, óbvio no segundo.
Nas últimas eleições... 2010 eu votei na Marina Silva e no segundo eu anulei meu voto porque não consigo ter o mínimo de simpatia, ou seria respeito?, pelo Michel Temer. Reconheço que o governo do partido dos trabalhadores tem méritos, mas me decepcionei com estas coisas de "vale tudo" para conseguir chegar a meta. Sim, entendo que existem e são necessárias muitas estratégias para se chegar a um objetivo, mas coerência e ética pra mim é fundamental.
É provável que para muitos minhas ideias sejam completamente absurdas, obtusas e sem a mínima coerência. Eu admito que ainda sei pouco de política, mas sei muito das necessidades do povo, sou povo. Não acho que o governo, seja em que instância for, é um laboratório para experiências. Só que são necessárias alguns testes para conhecermos o trabalho. Nisto acabamos votando em gente que nos decepciona. E como todo mundo, não gosto de me decepcionar e se isto acontece na política o cara não ganha mais meu voto. Não acredito mais nos bichos papões comunistas que comiam criancinhas, pelo contrário compactuo de muitas ideias e ideais propagados por eles. Mas reservo muito cuidado para aqueles que desde antes da ditadura militar já estavam no poder, e nunca mais saíram, ampliando para sua família, de maneira quase que hereditária, a vida política.
Várias decepções tive nesta minha vida eleitoral. Porque vi gente que defendia melhores salários para os trabalhadores votaram contra um aumento mais substancial para estes e a favor do reajuste do seu salário exorbitante como deputado federal ou estadual. Defendendo o seu aumento e dizendo que o aumento do mínimo vai "quebrar" o país. Para mim isto é motivo de não mais receber votos sim. E eu sei bem que um trabalhador custa "caro" para a empresa que o emprega. Mas políticos custam muito mais e para todos, inclusive pr'aquele trabalhador que recebe o mínimo, mas paga imposto sobre tudo.
Não confio em quem troca de partido vira e mexe. E desconfio mais ainda em quem fala em mudança fazendo tudo igual aqueles a quem condena.
A gente muda a cada dia. Eu mesma mudei muito. E ainda tenho muito que mudar! Escrevi tudo isto porque, nestas eleições municipais que se encerraram vi gente apontando dedo na cara de amigos e acusando pessoas como se não tivessem um passado. Como se não vivêssemos numa democracia aonde o voto é secreto e livre! E mais, como se depois de votar todas as responsabilidades fossem apenas daqueles eleitos. Somos todos seres políticos! Todos nós somos responsáveis pela melhoria e a mudança da nossa cidade.
Eleições 1989
Eleições 1994
Eleições 1998
Eleições 2002
Eleições 2006
Eleições 2010
terça-feira, setembro 11, 2012
Candidatos a vereador
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| A Santinha |
Este despreparo, claro, é um dos pontos que me preocupa. Fico pensando se estas pessoas realmente tem consciência da situação em que se meteram. Será que estão cientes da exposição a que estão se colocando?
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| Palhaço Bebê candidato a vereador |
Outras demonstram claramente o interesse financeiro, inclusive em sua fala, para ajeitar a sua vida, usando até bordões de outros candidatos.
O processo político eleitoral deveria ser um momento sério, no entanto, com tantos casos de corrupção, desvios de verbas, abusos de poder, CPIs que não punem ninguém a população não tem a mínima esperança de que existem políticos sérios. O resultado já conhecemos são votos de protesto nas figuras mais estapafúrdias do país, destaque-se: Enéas (Prona), Tiririca, Cururú entre outros.
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| Bebezão do carnaval |
Sempre me pergunto se realmente eles acreditam que irão ganhar e qual o grau de politização destas pessoas. Porque dizer que são ignorantes é muito fácil, atacar e jogar pedras é simples. Mas quantos de nós colocaríamos nossa cara a tapa assim, com ou sem consciência? Sem medo do ridículo?
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| Empreguete |
Mas o que realmente me incomoda é: até que ponto o partido político está usando e abusando destas pessoas? Principalmente sabendo de todas as jogadas, as acomodações, as trocas que acontecem para que as coligações e parcerias entre siglas aconteçam. Os candidatos considerados simplórios e ignorantes podem não ter ideia do quão usados estão sendo. Eles podem, assim como não sabem o que fariam como vereadores, desconhecer a natureza do convite para a sua candidatura. Por outro lado, não creio que haja ingenuidade por parte dos partidos políticos. Estes não dão ponto sem nó.
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| O melancia |
O horário eleitoral gratuito é uma palhaçada, não por conta destes candidatos mais, digamos, exóticos. E sim por conta daqueles que são sabidamente trambiqueiros, fichas sujas, mais sujas do que pau de galinheiro, mas que seguem descaradamente se candidatando, prometendo, mentindo e, tristemente, se elegendo. Elegendo-se porque tem mais condições de realizar campanhas, tem mais tino de por onde conquistar o eleitor.
Resta pra nós, cidadãos ser conscientes. Na minha opinião se a tua avaliação é de que não tem nenhum candidato que preste vota em branco ou anula, mas não vote no menos ruim. Chega de votar no menos ruim por falta de coisa melhor.
Fotos: retiradas do site Eleições 2012
Nota: Não estou fazendo crítica, tampouco campanha para os candidatos acima retratados, apenas utilizei os que mais me chamaram atenção nestas eleições. Tem muitos mais, mas o espaço é curto. Votem consciente!
terça-feira, abril 12, 2011
Seminário "Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política"
Seminário resgata e debate Memória do Movimento Estudantil no Rio Grande do Sul
Organizado pelo Instituto Mário Alves (IMA), os três dias de evento acontecerão em Pelotas/RS reunindo além de ex militantes, representantes do movimento social, pesquisadores e estudantes
Na programação que conta com mesas redondas - desde a organização e a resistência das histórias das lutas da juventude brasileira até os desafios e as perspectivas do Movimento Estudantil na atualidade, - haverá também espaço para mostras e apresentação de trabalhos acadêmicos ou relatos de experiência.
Para mais informações, acesse: www.imapelotas.blogspot.com
O quê: Seminário Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política
Quando: 13, 14 e 15 de abril
Onde: Auditório do Colégio São José, em Pelotas
Realização: Instituto Mário Alves (IMA), através do Ponto de Cultura “Memórias em Movimento”
Teaser do Seminário: http://www.youtube.com/watch?v=l1uWJySTvN4
(release assessoria de imprensa IMA)
Organizado pelo Instituto Mário Alves (IMA), os três dias de evento acontecerão em Pelotas/RS reunindo além de ex militantes, representantes do movimento social, pesquisadores e estudantes Acontece amanhã o importante Seminário que marca o lançamento do Projeto “Memória do Movimento Estudantil Universitário Gaúcho no Período da Redemocratização – 1977/1985: Juventude, Cultura e Política”, aprovado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.
O evento que acontecerá nos dias 13, 14 e 15 de abril em Pelotas, abordará debates e discussões com diversos nomes, que, ativamente fizeram parte do Movimento Estudantil em âmbito estadual e nacional. Estão confirmados palestrantes como o ator José de Abreu, o qual em seu período universitário, possuiu militância diante do processo de repressão; a historiadora e professora da UFRGS Maria Isabel Noll; Deputados Federais como Ronaldo Zulk e Pepe Vargas, além de representantes de entidades de resistência na militância estudantil.Na programação que conta com mesas redondas - desde a organização e a resistência das histórias das lutas da juventude brasileira até os desafios e as perspectivas do Movimento Estudantil na atualidade, - haverá também espaço para mostras e apresentação de trabalhos acadêmicos ou relatos de experiência.
Para mais informações, acesse: www.imapelotas.blogspot.com
O quê: Seminário Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política
Quando: 13, 14 e 15 de abril
Onde: Auditório do Colégio São José, em Pelotas
Realização: Instituto Mário Alves (IMA), através do Ponto de Cultura “Memórias em Movimento”
Teaser do Seminário: http://www.youtube.com/watch?v=l1uWJySTvN4
terça-feira, abril 05, 2011
Museu da Memória
Ainda fazendo parte da blogagem coletiva #desarquivandoBR estou reproduzindo aqui parte do folder do Memorial da Resistência de São Paulo. Aqui estão a capa e o texto de abertura do panfleto.
Quem tiver interesse em visitar o Memorial da Resistência de São Paulo fica no Largo General Osório, 66 próximo a Estação da Luz. Telefone é (11) 3335 4990. O contato também pode ser feito via email pelo memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br ou podes dar uma olhada no site http://www.pinacoteca.org.br/. A entrada é gratuita e pode ser feita de terça a domingo das 10h às 17h 30min.
Quem tiver interesse em visitar o Memorial da Resistência de São Paulo fica no Largo General Osório, 66 próximo a Estação da Luz. Telefone é (11) 3335 4990. O contato também pode ser feito via email pelo memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br ou podes dar uma olhada no site http://www.pinacoteca.org.br/. A entrada é gratuita e pode ser feita de terça a domingo das 10h às 17h 30min.
Blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da Ditadura #desarquivandoBR
Nasci em 04 de setembro de 1977. Na época a Ditadura Militar ainda era vigente, e a anistia estava recém começando a manifestar-se. Meus pais não se envolviam em política, primeiro porque em 64 minha mãe tinha apenas 10 anos, meu pai tinha 16, mas o fato real é que não sabiam do que se tratava. Ninguém tinha notícias. Eles não faziam parte de nenhum movimento social, pois tinham que trabalhar, correr atrás. A correria atrás do sustento era tanto, que pouco eles se lembram do que acontecia!
Ter nascido justamente neste período, sem ter podido atuar politicamente, por ser uma criança, talvez tenha me feito ter muita curiosidade por esta época. O resultado foi que, para matar a curiosidade, na faculdade comecei a estudar e pesquisar sobre a época. Cada vez que estudava e descobria mais coisas a baita indignação que sentia com todas as injustiças que continuam impunes até hoje só aumentavam.
Como acreditar no futuro de um país justo se coisas tão absurdas haviam acontecido com o consentimento do Estado em nome da tão suprema Segurança Nacional? Como ter esperanças na verdade, se políticos perseguidos, depois de eleitos em altos cargos continuavam mantendo os arquivos secretos, secretos e lacrados? De onde tirar esperanças na nação se centenas de desaparecidos continuavam e continuam desaparecidos e suas famílias seguem chorando sua ausência?
A tortura foi além dos tão falados e discutidos porões da Ditadura! As famílias dos militantes políticos desaparecidos continuam sendo torturadas, pois, não sabem se podem manter sua esperança em reencontrar seus entes queridos ou se encerram seu luto, mesmo sem ter realizado a cerimônia fúnebre, sem ter encontrado os corpos dos seus amados.
Quando comecei a pesquisar meu tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) escolhi a censura nos meios de comunicação para compreender quanto mal esta prática comum no período da Ditadura causou no período atual. Fui em busca de um orientador para o trabalho, o primeiro professor com quem conversei me desestimulou da pesquisa. Alegando que eu teria que brigar com muita gente e o melhor era não mexer no assunto. Seria isto já uma espécie de censura?????

A diferença na nossa ditadura é que de tempos em tempos outro general assumia a Presidência da República. Vai ver é por isto que alguns reacionários dizem que não era ditadura, que houve democracia. Mas em verdade havia rotatividade de ditadores, mas o povo não tinha direito de opinar em nada. Quem exaltava sua voz, mesmo certo, mesmo tendo sido eleito por voto direto do povo era cassado, era preso, era expulso da sua terra, da sua casa e das suas famílias.
Para tal, é extremamente importante que museus e estudos como o Memorial da Resistência de São Paulo existam. É importante que jovens, crianças e adultos que viveram aquele período os visitem e saibam o que aconteceu e como. Caminhar naquele pátio estreito aonde os presos políticos tomavam sol faz com que a gente se transporte para o período. Senti um pouco de culpa por não ser mais ativa, por não cobrar mais. Pois no dia que visitei o Memorial, havia no saguão de entrada uma exposição fotográfica intitulada "Buena Memória". O fotógrafo Marcelo Brodsky produziu um ensaio fotográfico contando a sua história, de sua família, de seus colegas do Colegio Nacional de Buenos Aires. De uma forma muito bonita ele contou sobre a ausência, ou melhor, sobre a boa memória que guardava de seu irmão Fernando, preso e morto pela ditadura Argentina. Minha vida andou pelas mesmas ruas brasileiras aonde a Ditadura comandou o país por 21 anos. Mas em nada, absolutamente nada pode se assemelhar com a dor da ausência da qual sofre Marcelo. Nossa semelhança é ansiar pela verdade.
Caminhar pelas celas do memorial me fez ter uma vaga ideia do quão difícil devem ter sido os dias de cárcere naquele lugar. A única beleza que podemos perceber é a cela com o cravo vermelho. Sei que podem pensar como achar beleza numa cela escura, com portas pesadas e uma garrafa com um cravo de plástico? A beleza que percebi foi do amor, do idealismo, da coragem daqueles jovens que estiveram lá. A beleza está neles terem se mantido puros de espírito e coração. De terem se mantido fiéis as suas crenças, de conseguirem pensar nos que estavam nas celas ao lado mesmo tendo suas feridas para curar. Visitar as celas, ler a cronologia, assistir as imagens, ver as fotos choca e machuca. Mas nada emociona mais do que ouvir, no escuro, os relatos de quem esteve naquele cárcere. Óbvio que não foi possível conter minhas lágrimas depois de conhecer as histórias que Marcelo Brodsky contou com sua Buena Memoria. Claro que não foi possível escutar os sobreviventes daqueles porões contando o que sofreram entre aquelas paredes, a falta que fazem os que se foram como se nada daquilo fosse comigo. Porque é. Eu quero saber o que meu país fez com tantos de seus filhos em nome da sua segurança. Que segurança era esta?
Quando entrei na escola, em 1984, não me lembro de reinvindicações políticas, pelo contrário. O fato mais marcante desta época pra mim foi a professora da primeira série falando com a diretora do colégio sobre como seriam os jogos da copa, se iríamos assistir os jogos no colégio ou seríamos dispensados para assistir aos jogos da seleção em casa? A ditadura ainda estava em andamento, embora alguns exilados tivessem sido anistiados e muitas vozes clamassem pelas eleições diretas. Mas a eleição indireta para presidente só veio a acontecer em 1985, eleição de Tancredo e Sarney, dois representantes da situação, indicados pelos militares. Situação esta que apoiou o golpe militar. O Tancredo Neves (que não chegou a assumir e que a morte causou comoção no país inteiro) era um homem muito infiltrado no governo, desde a época do Getúlio Vargas. O Sarney era da UDN, hoje é do PMDB, e mantem-se nas entranhas do governo desde que me lembro de assistir jornal, de ouvir ou assistir telejornal. Resumindo... só o golpe completou 47 anos, calcule aí a quanto tempo Sarney está por aí infectando a política!
Ter nascido justamente neste período, sem ter podido atuar politicamente, por ser uma criança, talvez tenha me feito ter muita curiosidade por esta época. O resultado foi que, para matar a curiosidade, na faculdade comecei a estudar e pesquisar sobre a época. Cada vez que estudava e descobria mais coisas a baita indignação que sentia com todas as injustiças que continuam impunes até hoje só aumentavam.
Como acreditar no futuro de um país justo se coisas tão absurdas haviam acontecido com o consentimento do Estado em nome da tão suprema Segurança Nacional? Como ter esperanças na verdade, se políticos perseguidos, depois de eleitos em altos cargos continuavam mantendo os arquivos secretos, secretos e lacrados? De onde tirar esperanças na nação se centenas de desaparecidos continuavam e continuam desaparecidos e suas famílias seguem chorando sua ausência?
Quando comecei a pesquisar meu tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) escolhi a censura nos meios de comunicação para compreender quanto mal esta prática comum no período da Ditadura causou no período atual. Fui em busca de um orientador para o trabalho, o primeiro professor com quem conversei me desestimulou da pesquisa. Alegando que eu teria que brigar com muita gente e o melhor era não mexer no assunto. Seria isto já uma espécie de censura?????
Mas eu não desisti, procurei outro orientador. Não tive como entrevistar pessoas nos jornais, mas fiz uma revisão bibliográfica rica, e nestes livros e artigos que procurei jornalistas conhecidos assumiam as práticas de censura, sejam elas veladas ou instituídas pelo Estado. Colei grau muito feliz por ter conseguido saber um pouco mais sobre este período obscuro da nossa história. Mas continuei sem ter respostas para questões muito importantes, como o porquê não se abrem os arquivos? Porque os torturadores não foram punidos? Porque que com a anistia liberando das responsabilidades os torturadores os desaparecidos políticos não foram devolvidos a suas famílias? Porque não indicaram e exumaram os corpos sepultados em valas comuns em cemitérios clandestinos?
Fui pesquisar sobre a anistia, fui folhear jornais antigos na Bibliotheca Pública Pelotense para saber como tudo se deu aqui no Rio Grande do Sul, mais especificamente em Pelotas. Minha orientadora foi a mestre Beatriz Ana Lonner, que em nenhum momento me disse que tal assunto não deveria ser abordado. Ela sempre incentivou inclusive após minha defesa, quando revelei que sentiria falta, ela disse temos o mestrado. Todo o estudo que fiz e continuo fazendo sobre o período da Ditadura Militar, todo o livro que leio a respeito me instigam mais a mente, criam mais dúvidas, alertam para questões que continuam sem respostas. Cada depoimento me mostra quanta crueldade aconteceu, quanta dor foi causada, e o quanto não sabemos de nada. Sabemos só o que querem que saibamos. De 1960 a 1980 a América Latina toda passou por este massacre, cada uma com seu ditador, cada ditador mais sanguinário. Todos ainda mantêm esqueletos nos armários. A diferença na nossa ditadura é que de tempos em tempos outro general assumia a Presidência da República. Vai ver é por isto que alguns reacionários dizem que não era ditadura, que houve democracia. Mas em verdade havia rotatividade de ditadores, mas o povo não tinha direito de opinar em nada. Quem exaltava sua voz, mesmo certo, mesmo tendo sido eleito por voto direto do povo era cassado, era preso, era expulso da sua terra, da sua casa e das suas famílias.
Continuo pesquisando, lendo, trocando informações com pessoas que, assim como eu, acham imprescindível que este período seja dissecado, que os fatos sejam esclarecidos, que os criminosos sejam responsabilizados. Não para que os que fizeram o certo recebam medalhas, não é pra isto. É para que o Brasil se torne realmente um país justo.
É preciso desarquivar o Brasil! É importante que os crimes sejam esclarecidos e os culpados punidos. Presidenta Dilma, vamos começar o progresso e o desenvolvimento do país #desarquivandoBR.
sábado, janeiro 08, 2011
Assine a petição
Está rolando um abaixo-assinado para equiparar o reajuste dos professores com o dos deputados e senadores. Já assinei, é rápido e simples, basta clicar no link e pronto.
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N4645
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N4645
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Apoiado!
Apoio incondicionalmente o projeto de Lei apresentado hoje ao Congresso Nacional pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Pedro Simon (PMDB - RS) que estende o mesmo percentual de reajuste dado aos parlamentares do Congresso Nacional aos professores da educação básica das escolas públicas brasileiras. Sou totalmente a favor, principalmente porque o salário de R$26 mil de um deputado federal paga o salário de pelo menos 15 professores. Isto já pelo valor reajustado pelos 61, 78%.
Sim, existem as custas trabalhistas que duplica o custo de um funcionário. Neste caso o salário de um dePUTAdo seria suficiente para pagar o salário mais as custas de sete professores.
Na minha modesta opinião os professores merecem um milhão de vezes mais do que os deputados. Começa pelo estudo, não se pode ser professor apenas sabendo ler e escrever. A maioria dos professores trabalha mais do que 20 horas, mesmo que esta seja a carga horária do contrato, pois precisa preparar aula, atualizar-se constantemente, corrigir provas... Algumas vezes, e estou sendo boazinha, não há estrutura adequada para dar aulas adequadas, em algumas escolas falta segurança, noutras as salas estão caindo aos pedaços. E justamente por conta do salário baixo os professores precisam atuar em mais de uma escola, sempre correndo contra o tempo, aproveitando o tempo de viagem entre uma escola e outra para ler, corrigir provas ou descansar.
Já os deputados... nós sabemos trabalham de terça a quinta, ganham casa, passagens aéreas para viajar para sua base política, muitas outras vantagens que elevam o salário, 13º, 14º e por aí vai. E não merecem. Para qualquer outra função existem pré-requisitos e para ser político precisa exatamente o quê?
Sim, existem as custas trabalhistas que duplica o custo de um funcionário. Neste caso o salário de um dePUTAdo seria suficiente para pagar o salário mais as custas de sete professores.
Na minha modesta opinião os professores merecem um milhão de vezes mais do que os deputados. Começa pelo estudo, não se pode ser professor apenas sabendo ler e escrever. A maioria dos professores trabalha mais do que 20 horas, mesmo que esta seja a carga horária do contrato, pois precisa preparar aula, atualizar-se constantemente, corrigir provas... Algumas vezes, e estou sendo boazinha, não há estrutura adequada para dar aulas adequadas, em algumas escolas falta segurança, noutras as salas estão caindo aos pedaços. E justamente por conta do salário baixo os professores precisam atuar em mais de uma escola, sempre correndo contra o tempo, aproveitando o tempo de viagem entre uma escola e outra para ler, corrigir provas ou descansar.
Já os deputados... nós sabemos trabalham de terça a quinta, ganham casa, passagens aéreas para viajar para sua base política, muitas outras vantagens que elevam o salário, 13º, 14º e por aí vai. E não merecem. Para qualquer outra função existem pré-requisitos e para ser político precisa exatamente o quê?
quinta-feira, dezembro 16, 2010
R$ 26 mil, quem não quer um salário destes?
Minha revolta quanto a este aumento absurdo não ficará exposta apenas por aqui, podem crer que nas próximas eleições passarei a votar deliberadamente em branco. Nenhum deputado, vereador, prefeito, presidente ou seja lá o que for merece meu voto. Aquela frase que diz "se queres conhecer alguém dá-lhe o poder" é corretíssima. Os mesmos homens que defendem e PROMETEM melhores salários, trabalho, educação, segurança para o povo são os mesmos que estando lá no Congresso dizem, aumentar o salário mínimo pode quebrar a máquina pública. Investimentos na saúde? Vamos ressuscitar a CPMF e no final das contas tudo continua igual, ou pior. Pessoas morrendo nas portas dos hospitais, medicamentos caríssimos e salários que não passam do meio do mês.
Eu pergunto aos "nobres" deputados qual tipo de funcionário que recebe, além do salário, auxílio moradia e a moradia, sem desconto? Qual deles trabalha menos de 30 horas semanais? Qual atividade profissional não realiza seu trabalho nos prazos estimados e é remunerada para realizá-los em regime extraordinário? Qual profissional que tendo sido transferido pela empresa na qual trabalha para outra cidade recebe desta as passagens aéreas para voltar toda a semana para rever sua família? Não vamos pedir tanto, qual empresa dá as passagens de ônibus? Os vales transportes, para quem não sabe, é uma obrigação da empresa, mas também são descontados do funcionário. Qual funcionário desinteressado, que não cumpre suas obrigações consegue aumento de salário?
O único motivo pelos quais esta camarilha se candidata é meter a mão no dinheiro e nos direitos do povo. As questões importantes para o cidadão comum não importam pra eles. Só o que importa é estar nos meandros do poder. O Tiririca não saber o que um deputado federal faz não me admira, pois ele veio do povo. Admirada eu fico quando os deputados são questionados sobre as leis que eles deveriam votar e eles sequer sabem do que se trata. É uma tremenda falta de respeito com quem vota neles. E os que poderiam se salvar, que são oposição, que são os corretos pouca adiantam. Uma maçã podre num cesto apodrece todas as outras que estavam boas. Infelizmente uma maçã boa num cesto de maçãs podres apodrece também.
São milhões de vozes pedindo um salário digno para os verdadeiros trabalhadores do Brasil e ouvindo que reajustar seus salários é impossível. No entanto, estas mesmas vozes se calam em saber que seus REPRESENTANTES (que cá pra nós só representam eles mesmos) aumentaram os próprios salários, que já eram exorbitantes sem considerar as ajudas de custo, em mais de 60%. Mas quem não quer um salário de R$ 26 mil reais? O Tiririca que é palhaço mas não é burro quis. O Romário e por aí vai. Todos querem só não querem é trabalhar, porque isto cansa e não dá dinheiro.
Não estou criticando Tiririca ou Romário, acho que eles estão certos, todo livro de autoajuda diz isto, vai atrás do que queres, pense positivo e trabalhe para isto. Eles foram eleitos pelos méritos deles, pelo carisma deles. Nós é que erramos quando votamos repetidamente em nomes como Michel Temer (nosso futuro vice presidente), Jader Barbalho (este coitadinho renunciou por conta de perseguições), José Sarney e tantos outros que já fizeram o desenho das suas bundas nas cadeiras do Congresso.
Nós somos os culpados, a culpa é toda nossa que acreditamos que "pior do que tá não fica"!
Eu pergunto aos "nobres" deputados qual tipo de funcionário que recebe, além do salário, auxílio moradia e a moradia, sem desconto? Qual deles trabalha menos de 30 horas semanais? Qual atividade profissional não realiza seu trabalho nos prazos estimados e é remunerada para realizá-los em regime extraordinário? Qual profissional que tendo sido transferido pela empresa na qual trabalha para outra cidade recebe desta as passagens aéreas para voltar toda a semana para rever sua família? Não vamos pedir tanto, qual empresa dá as passagens de ônibus? Os vales transportes, para quem não sabe, é uma obrigação da empresa, mas também são descontados do funcionário. Qual funcionário desinteressado, que não cumpre suas obrigações consegue aumento de salário?
O único motivo pelos quais esta camarilha se candidata é meter a mão no dinheiro e nos direitos do povo. As questões importantes para o cidadão comum não importam pra eles. Só o que importa é estar nos meandros do poder. O Tiririca não saber o que um deputado federal faz não me admira, pois ele veio do povo. Admirada eu fico quando os deputados são questionados sobre as leis que eles deveriam votar e eles sequer sabem do que se trata. É uma tremenda falta de respeito com quem vota neles. E os que poderiam se salvar, que são oposição, que são os corretos pouca adiantam. Uma maçã podre num cesto apodrece todas as outras que estavam boas. Infelizmente uma maçã boa num cesto de maçãs podres apodrece também.
São milhões de vozes pedindo um salário digno para os verdadeiros trabalhadores do Brasil e ouvindo que reajustar seus salários é impossível. No entanto, estas mesmas vozes se calam em saber que seus REPRESENTANTES (que cá pra nós só representam eles mesmos) aumentaram os próprios salários, que já eram exorbitantes sem considerar as ajudas de custo, em mais de 60%. Mas quem não quer um salário de R$ 26 mil reais? O Tiririca que é palhaço mas não é burro quis. O Romário e por aí vai. Todos querem só não querem é trabalhar, porque isto cansa e não dá dinheiro.
Não estou criticando Tiririca ou Romário, acho que eles estão certos, todo livro de autoajuda diz isto, vai atrás do que queres, pense positivo e trabalhe para isto. Eles foram eleitos pelos méritos deles, pelo carisma deles. Nós é que erramos quando votamos repetidamente em nomes como Michel Temer (nosso futuro vice presidente), Jader Barbalho (este coitadinho renunciou por conta de perseguições), José Sarney e tantos outros que já fizeram o desenho das suas bundas nas cadeiras do Congresso.
Nós somos os culpados, a culpa é toda nossa que acreditamos que "pior do que tá não fica"!
quinta-feira, dezembro 09, 2010
"O Sarney quer mais"
Ontem ao ouvir esta fala de uma repórter sobre os seis ministérios que a presidente eleita Dilma Rousseff deu ao PMDB eu pensei: óbvio que o Sarney quer mais! Mas este risco tanto o partido como a presidenta deveriam estar cientes, afinal o senador faz parte do governo há anos, de forma que acha-se dono das coisas. Pode parecer preconceito da minha parte, mas não é não. Durante minha pesquisa sobre a anistia e antes dela, quando pesquisei sobre a censura, lá estava Sarney sendo parte do governo, ora pela Arena, ora pelo MDB. Gente, vocês tem noção de que os partidos eram completamente antagônicos né? Pois então, ele estava no governo quando a Arena era situação, depois não lembro exatamente, mas foi quase no final da ditadura militar foi pro MDB, manteve-se no governo. Acabou o regime e indicaram presidente e vice, quem estava lá???? Pois é, o presidente Tancredo Neves morreu e quem assumiu foi Sarney. Depois disso foram tantos cargos que é quase impossível pensar em Brasília sem lembrar do bigodão do Sarney. É capaz de ter gente que pense que quando fundaram Brasília ele já estava lá, coisa que eu não duvido.
Já fizeram denúncias envolvendo ele e sua família, e ele lá. Vários outros caíram, mas não ele.
E uma das coisas que me fizeram me decepcionar com o governo do presidente Lula foi justamente esta ligação com Sarney. É sabido que para fazer uma boa gestão é necessário negociar, barganhar. Faz parte da democracia. Mas negociar tudo bem, agora coligar-se considero demais, tanto para um partido quanto para o outro. Reconheço a história do PMDB, sei que foi uma sigla importante durante o período mais negro da história do país. Só não se pode esquecer que tem coisas que não podem ser admitidas.
Eu sei que o Anarquismo é algo bem utópico, no entanto para mim é a única e a melhor maneira de governar, não existir governo e todos serem governo. O que é bem difícil já que faz parte do inconsciente de muita gente o famoso "jeitinho". Como não podemos mudar, devemos então entender como funciona a democracia e como ela deveria funcionar, em verdade sabe-se que na democracia as decisões também são do povo tanto direta como indiretamente. É que os governantes esqueceram disso e só lembram na época das eleições, quando dizem que farão tudo pelo povo, depois esquecem.
Mas voltando as novos ministros da presidenta Dilma e a gula de Sarney...
Desta forma, conhecendo o histórico do senhor José Sarney e sabendo como as coisas acontecem nas negociações para cargos (com destaque redobrado pois estes cargos não são simples secretarias, mas ministérios federais e gente que terá um poder enorme nas mãos) não me admira nada, mas nadinha de que Sarney queira mais.
No lugar da presidenta Dilma eu ficaria muito ligada, afinal não é nada improvável que ele queira a cadeira dela. Eu confiaria... desconfiando, como dizem.
Já fizeram denúncias envolvendo ele e sua família, e ele lá. Vários outros caíram, mas não ele.
E uma das coisas que me fizeram me decepcionar com o governo do presidente Lula foi justamente esta ligação com Sarney. É sabido que para fazer uma boa gestão é necessário negociar, barganhar. Faz parte da democracia. Mas negociar tudo bem, agora coligar-se considero demais, tanto para um partido quanto para o outro. Reconheço a história do PMDB, sei que foi uma sigla importante durante o período mais negro da história do país. Só não se pode esquecer que tem coisas que não podem ser admitidas.
Eu sei que o Anarquismo é algo bem utópico, no entanto para mim é a única e a melhor maneira de governar, não existir governo e todos serem governo. O que é bem difícil já que faz parte do inconsciente de muita gente o famoso "jeitinho". Como não podemos mudar, devemos então entender como funciona a democracia e como ela deveria funcionar, em verdade sabe-se que na democracia as decisões também são do povo tanto direta como indiretamente. É que os governantes esqueceram disso e só lembram na época das eleições, quando dizem que farão tudo pelo povo, depois esquecem.
Mas voltando as novos ministros da presidenta Dilma e a gula de Sarney...
Desta forma, conhecendo o histórico do senhor José Sarney e sabendo como as coisas acontecem nas negociações para cargos (com destaque redobrado pois estes cargos não são simples secretarias, mas ministérios federais e gente que terá um poder enorme nas mãos) não me admira nada, mas nadinha de que Sarney queira mais.
No lugar da presidenta Dilma eu ficaria muito ligada, afinal não é nada improvável que ele queira a cadeira dela. Eu confiaria... desconfiando, como dizem.
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