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segunda-feira, junho 17, 2013

Democracia e repressão de manifestações

Aqueles que crêem na presidente Dilma me desculpem mas eu não consigo mais crer em qualquer coisa vinda dela ou do partido a que ela pertence, e isso já faz tempo. Na primeira coligação entre PT e PMDB "me caíram os butiás do bolso" como se diz por aqui. E o que mais me deixou decepcionada foi o fato de ambos os partidos, que foram um dia de esquerda com uma farta história de protesto e de luta junto ao povo, ter mudado completamente suas atitudes para com o povo. Lula e Dilma representavam uma grande esperança para este Brasilzão. Esperança de tempos mais democráticos, de uma visão mais igualitária, menos paternalista e demagógica. E o que a gente vê? Uma mobilização sem tamanho para adequar o país para os turistas que vem participar da copa e das olimpíadas. Cadê a mobilização para adequar o Brasil para os brasileiros?
Parece que não se deram conta de que a luta pela qual foram presos tornou o povo menos alienado. Hoje a gente obtém informações de vários ângulos, em vários níveis de profundidade, de veículos de comunicação, de blogs pros e contras e não mais apenas a versão oficial. Na hora da campanha política todos os candidatos orgulham-se de dizer que começaram suas atividades políticas junto aos grêmios, D.As e outras agremiações que juntavam as pessoas por um país melhor. Mas ao serem eleitos muitos deles se entorpecem com o poder e esquecem quem os elegeu voltando a realidade de quatro em quatro anos quando precisam novamente voltar aos locais mais variados para pedir votos. Ainda que a grande força da massa não tenha sido sentida nas urnas e criaturas como Sarney, Renan Calheiros e mais uma camarilha continuem sendo reeleitos o povo tem outros meios de mobilizar-se e se fazer ver.
Os últimos protestos contra o aumento das tarifas de ônibus estão deixando bem claro o quanto as pessoas estão sabendo o que está acontecendo. São manifestações pacíficas sim, do contrário não restaria mais pedra sob pedra. Como em todos os meios existem sim aqueles que querem mais é ver o circo pegar fogo e incitam ao quebra-quebra. Ir para rua é atuação política, porque a política é exercida assim, no dia-a-dia. Todos somos seres políticos, embora tu não queira discutir ou mesmo votar não estás neutro, tem coisas com as quais tu concordas e outras não.
De tudo que tenho visto, o que mais me decepciona, sempre é a posição da presidente Dilma. Primeiro diante das reivindicações feitas direto a ela em relação a revisão da lei da Anistia. É uma decepção pra quem acreditou que ter sido presa e torturada faria com que ela fosse mais forte no seu posicionamento. Depois o fato da comissão da verdade e de direitos humanos estar nas mãos de pessoas que vão totalmente contra os ideais defendidos primeiramente. E mesmo que o povo promova abaixo assinado e se manifeste pacificamente deixando claro seu desgosto para com certos políticos, eles ignoram totalmente a vontade dos eleitores e mantém as criaturas lá, mesmo com provas contundes e cabais de que seu lugar é o xadrez.
Como acreditar numa presidente "socialista" que não está próxima do povo? Desculpem-me, mais uma vez aqueles que crêem nela, mas é tanta mudança na mesma pessoa que ela nem parece a mesma de algum tempo atrás. E não digo só a aparência física, mas a postura política mesmo.
O país é muito grande e os investimentos para que as coisas aconteçam devem ser muito grandes também. O povo jamais vai entender como que existem milhões de reais (ou dólares, ou euros) para investir em estádios e não tem para investir em saúde, segurança, transporte, educação. Como que pode ter dinheiro para enviar, doar, emprestar para adequações em outros países e não tem para investir aqui no nosso Brasil. Os brasileiros estão fazendo sua parte. Quem trabalha paga impostos, quem empreende também e o retorno cadê?
Ir para as ruas foi a demonstração de que não estamos de acordo com tudo não. Passamos uma procuração através do voto mas estamos acompanhando e exigimos respeito. Estamos dando continuidade ao que vários fizeram durante a ditadura militar e outras épocas de repressão. Não é por 0,20 centavos, é contra a corrupção, é por respeito, por cidadania é porque queremos um país melhor. É porque vivemos numa democracia e reprimir manifestações não me parece coisa de país democrático. No início vai ser complicado, algumas pessoas vão chegar tarde em casa, vai ter alguns engarrafamentos, outros se sentirão incomodados. E o objetivo é incomodar sim, é incomodar quem está no poder até que eles adeqüem seus discursos e suas promessas de campanha às suas atitudes. Não queremos políticos como FHC que disse esqueçam o que escrevi. Queremos políticos que digam eu sou o que vivi  lutei e não me esqueci.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

São os trabalhadores que "quebram" o Brasil

Faz tempo estou querendo escrever, mas sou uma trabalhadora assalariada e tenho horas de trabalho a cumprir. Mas toda esta lenga-lenga em relação ao salário mínimo nacional e a argumentação absurda dos defensores do governo, formado hoje por toda a sorte de siglas partidárias, com exceção do PSOL e do PSDB (os mais ferrenhos nas suas críticas), me fez levantar a voz. Podem me chamar de "a esquerda que a direita gosta" ou "extrema esquerda incendiária" por criticar o governo de "esquerda" que comanda o país. Não me importo! Pelo contrário sinto-me lisonjeada, afinal de contas minhas palavras estão causando incômodo a alguém. Faz um mês e 17 dias que a primeira mulher assumiu a presidência do Brasil, ela é remanescente da luta armada contra a Ditadura Militar (que durou 20 anos) foi presa e torturada. Respeito-a pela sua história, creio que atuou de forma ativa na defesa do país. Mas isto foi há mais de 40 anos, hoje ela está coligada com um dos partidos mais combatidos pelo seu próprio partido no passado. Parece loucura! Mas basta abrir os jornais para ver.
Todos estes políticos que estão no Congresso, no Senado, nas Câmaras de Vereadores, nos governos dos estados, nas prefeituras e na Presidência da República foram votados por nós (talvez não diretamente, mas como vivemos numa democracia representativa aonde a maioria ganha...) por defenderem a ideia de melhorias para os cidadãos trabalhadores deste país. Mas os trabalhadores são o verdadeiro problema do Brasil. Vejamos só: nós recebemos um salário mínimo que não chega ao final do mês, contribuímos para a nossa aposentadoria por 35 anos e só podemos usufruir deste "benefício" após trabalhar por 65 anos, pagamos impostos embutidos em todos os produtos que consumimos, precisamos pagar por assistência médica pois o SUS não comporta a quantidade de pessoas que dele necessitam, a segurança é precária e a educação também vai mal. Trabalhamos, pagamos, contribuímos, ralamos para no final, após votar em promessas vãs, somos surrupiados e achincalhados pelos nossos representantes.
FHC disse que aqueles que se aposentaram com menos de 60 anos eram vagabundos! Lula disse que se não vamos procurar aonde tem juros mais "baratos"  (se é que existe juro barato no Brasil) é porque não queremos descolar a bunda da cadeira, em outras palavras somos vagabundos. Sim, vagabundos! Agora deputados e presidência argumentam que um aumento maior para o salário mínimo vai onerar o país. Ou melhor, este aumento "quebraria" o país. Eu no lugar dos representantes do PT em qualquer instância teria vergonha do que está acontecendo. Sim, o partido que se diz "DOS TRABALHADORES" que permitiu que deputados reajustassem seus salários em 60%, argumenta que um SM de R$ 560,00, R$ 600,00 ou R$ 700,00 é uma IRRESPONSABILIDADE.
O que eu entendo de tudo isto? Que a culpa é dos trabalhadores. Somos nós os culpados pelo rombo na previdência, afinal de contas fomos nós que pagamos todo aquele dinheiro que a Jorgina desviou e até hoje não devolveu. É nossa culpa!
Meu pai começou a trabalhar com seis ou sete anos, minha mãe com 14, a maioria dos meus familiares também, assim como os familiares de muitos dos meus amigos e conhecidos, mas se aposentar e aproveitar o período de descanso merecido após 60 anos de trabalho é impossível. Conheço raríssimas exceções que não continuam trabalhando em casa fazendo um artesanato, ou mesmo exercendo a sua atividade. E porque? Porque a aposentadoria não dá. E mais uma vez a culpa é do trabalhador, pois se eles continuam em atividade depois de se aposentar faltam empregos para quem está começando. Essa é a lógica de quem defende o atual governo. Lógica que não existia quando o este governo era oposição, diga-se de passagem.
Proponho que os trabalhadores acabem com este problema que tanto prejudica o Brasil. Que tal se todos nós parássemos de contribuir pagando impostos?

quarta-feira, dezembro 22, 2010

O aumento foi de 73%, mas o argumento é de que podia ter sido 75%

É o seguinte, o fato de a Constituição prever que o aumento seja de até 75% em relação ao salário dos deputados federais, não significa, OUÇAM BEM SENHORES DEPUTADOS ESTADUAIS, NÃO SIGNIFICA, que o reajuste deve ser deste percentual. Assim como é absurdo, abusivo, estapafúrdio, imoral e anti ético que os parlamentares aumentem seus rendimento com um percentual tão alto.  Mas não adianta falar não é? Quando a regra é para os outros eles sabem interpretar muito bem, mas quando a regra é para eles...
É incrível como cada um dos que votou a favor de aumentar seus próprios salários tem argumentos para se justificar. Alguns dizem coisas que dá vontade de rir, NÃO FOSSE A TRISTEZA E VONTADE DE CHORAR DIANTE DE UMA ATITUDE COMO ESTAS DE REPRESENTANTES DO POVO. (isto dá vontade de rir, entendeu? Representantes do povo, sacaram?)
Gostei muito do argumento da deputada Zila Breitenbach (PSDB), que votou a favor e disse a seguinte pérola em entrevista ao Click RBS: "Nós entendemos que é um cargo que não tem nenhuma gratificação posterior ao exercício dele onde as pessoas deixam todas as duas atividades para se dedicar exclusivamente à Assembleia".
Coitada dela né? Tem que receber bastante enquanto exerce o cargo porque depois não receberá nada. Ela deixou suas atividades. E usa este argumento como se tivesse sido forçada a candidatar-se. E como se não tivesse nenhum benefício.
Senhora dona Zilá, olha só, nós cidadãos entendemos que o cargo que a senhora exerce na Assembleia Legislativa é voluntário e está sendo exercido por sua livre e espontânea vontade.  O argumento utilizado pela senhora é falho e não convence. Minha dica é, renuncie e volta às suas atividades antes de ser uma deputada. Talvez não seja o melhor para a senhora (financeiramente falando), mas será melhor para o nosso estado, com certeza!
 Mas realmente convincente, muito convincente, é o argumento do dep. Raul Carrion (PC do B), que também votou a favor, e disse: "Se deu por entender que deve haver uma isonomia nos salários dos diversos poderes, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.". Portanto... vamos aumentar nossos salários conforme quisermos. É isto? Pensei que o comunismo fosse pela igualdade, mas não, pelo que diz Carrion a igualdade é apenas para os PODERES! Os pobres coitados que são assalariados devem continuar igualmente pobres.
Entendo o socialismo, comunismo, anarquismo de forma diferente disso tudo que está aí.
Decepção total! Vergonha de ter tais representantes. Indignação com o desrespeito por quem os elegeu.

terça-feira, dezembro 21, 2010

D. Manuel o Bispo de Limoeiro

Defendo que o Estado deve ser laico, que devamos separar política de religião. O Brasil diz-se um país Laico. Está prevista na Constituição a liberdade de credo, no entanto, apenas ter o direito de professar sua religiosidade abertamente não garante a dita "laicidade". Para isto seriam necessárias muitas mudanças como a ausência de objetos religiosos em fóruns e órgãos públicos. Ou a presença de objetos de todas as religiões. Mas isto é assunto para outro post.
Embora não seja católica admiro algumas personalidades desta religião, como D. Hélder Câmara, Madre Tereza de Calcutá e outros. E agora passei a admirar, mesmo sem conhecer o D. Manuel, que é bispo de Limoeiro/CE. Mas, pra mim, claro, seu mais importante feito, além do trabalho  em defesa dos oprimidos, foi ter recusado a comenda D. Hélder Câmara e ter dito com todas as letras que:
 "A Comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho".
Quero lembrar que os deputados cearenses, todos os sete, votaram a favor do reajuste de 61% aos seus próprios salários. Admiro D. Manuel pela coerência, afinal de contas não compreendo e não concebo a possibilidade de defender os oprimidos e a um aumento como este, uma disparidade, uma afronta.
Defendo e admiro a coerência do religioso porque é uma coisa que não percebo em muitos políticos, salvo os do PSOL e alguns raras exceções em outros partidos.
Ficaria ainda mais feliz se todos os outros homenageados seguissem o exemplo do bispo e recusassem a dita comenda a fim de fazer pensar aqueles que deveriam nos representar. Será que estou sendo ingênua?
A D. Manuel dou meus parabéns pela atitude, se outras pessoas tivessem a mesma postura e capacidade de indignação diante das injustiças o mundo seria outro.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Apoiado!

Apoio incondicionalmente o projeto de Lei apresentado hoje ao Congresso Nacional pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Pedro Simon (PMDB - RS) que estende o mesmo percentual de reajuste dado aos parlamentares do Congresso Nacional aos professores da educação básica das escolas públicas brasileiras. Sou totalmente a favor, principalmente porque o salário de R$26 mil de um deputado federal paga o salário de pelo menos 15 professores. Isto já pelo valor reajustado pelos 61, 78%.
Sim, existem as custas trabalhistas que duplica o custo de um funcionário. Neste caso o salário de um dePUTAdo seria suficiente para pagar o salário mais as custas de sete professores.
Na minha modesta opinião os professores merecem um milhão de vezes mais do que os deputados. Começa pelo estudo, não se pode ser professor apenas sabendo ler e escrever. A maioria dos professores trabalha mais do que 20 horas, mesmo que esta seja a carga horária do contrato, pois precisa preparar aula, atualizar-se constantemente, corrigir provas... Algumas vezes, e estou sendo boazinha, não há estrutura adequada para dar aulas adequadas, em algumas escolas falta segurança, noutras as salas estão caindo aos pedaços. E justamente por conta do salário baixo os professores precisam atuar em mais de uma escola, sempre correndo contra o tempo, aproveitando o tempo de viagem entre uma escola e outra para ler, corrigir provas ou descansar.
Já os deputados... nós sabemos trabalham de terça a quinta, ganham casa, passagens aéreas para viajar para sua base política, muitas outras vantagens que elevam o salário, 13º, 14º e por aí vai. E não merecem. Para qualquer outra função existem pré-requisitos e para ser político precisa exatamente o quê?

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Decepção com votos a favor do aumento!

Fiquei decepcionada ao ler o nome dos votantes pelo aumento de 62% para deputados federais, senadores, vice,  presidente da República e ministros. Minha decepção foi principalmente ao ler o nome do deputado federal, Fernando Marroni do PT ao lado do voto SIM. Sei que algumas pessoas, conhecidos e amigos meus talvez me critiquem por falar isto, mas o fato é que me sinto a vontade de externar meu sentimento já que já fiz campanha pela eleição do Marroni a prefeitura de Pelotas, e já votei nele. Como eleitora, conterrânea e cidadã demonstro a minha profunda tristeza em saber que seu voto foi favorável a um aumento absurdo destes. Sei que não é o meu único voto que fará diferença pra ele, talvez ele pouco se importe. Mas eu me importo de ter votado e apoiado uma pessoa que, pensava, tivesse os mesmos ideais que os meus.
Sou do tipo que acredita que "quem espera sempre alcança" e não do tipo que pensa que "se não pode vencê-los junte-se a eles".
Ainda bem que entre tantos que entregam os pontos por crerem não ter saída, existem alguns, poucos é verdade, que não cansam de dizer não aos absurdos e se mantém lutando pelo bem comum. É chocante saber que os deputados da Bahia e Minas Gerais dos dois estados com maior número de representantes no Congresso votaram todos, EU DISSE TODOS a favor do aumento, respectivamente 31 e 37 deputados. São Paulo, que possui o maior número de representantes, dos 42 deputados apenas seis votaram não e vou destacar seus nomes, são eles: Dr. Talmir (PV), Emaunel Chiarelli (PDT), Ivan Valente (PSOL), Jose Stangarlini (PSDB), Luiza Erundina (PSB).
Tristemente digo que dos representantes do meu estado Rio Grande do Sul apenas dois deputados foram contrários ao reajuste dos salários, são eles Luciana Genro (PSOL) e Paulo Pimenta (PT).
Não foi surpresa para mim que a bancada do PSOL toda votou contra o aumento. No post anterior tem um comentário do LuaBR que destaca isto e ressalta o quanto devemos apoiar os partidos pequenos como o PSOL. Eu apoio e destaco que meus votos nas últimas eleições foram para candidatos deste partido. Compreendo que o voto nulo ou em branco é a perpetuação,mas minha decepção é muito grande! Talvez eu vote, mas com certeza não será em ninguém que esteja concorrendo a reeleição. Para quem quer saber quem foram os candidatos, nossos representantes que votaram sim pelo reajuste em seus próprios salários, basta consultar o site Congresso em foco.
Como disse sou partidária do "quem espera sempre alcança" mas trabalho pra chegar lá.