quarta-feira, abril 25, 2012

Eu quero o Teatro Sete de Abril de volta!


Eu também quero o Teatro Sete de Abril de volta. Entre muitos motivos está o da importância que ele representa por se tratar de um dos mais antigo do país, pela representação histórica, pela beleza arquitetônica. O Teatro Sete de Abril recebeu as companhias de teatro mais renomadas do Brasil e de fora dele. É um ícone e está jogado as traças, esquecido.
O desrespeito por ele vai além da questão política! Há anos atrás foram feitas campanhas com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração do teatro, coisa que nunca veio a ocorrer. Depois esteve fechado, passou por uma reforma no seu interior e agora está fechado novamente.
O Teatro Guarany é lindo, mas está em situação ainda mais precária que o próprio Sete que está fechado. Falo com conhecimento de causa, os camarins estão terríveis. Seria muito necessário uma limpeza das cortinas do palco, das paredes, do teto, enfim, faxina completa. E ainda que seja alugado o dinheiro não parece ser investido no próprio teatro. A pergunta que fica é: como receber grandes nomes do teatro ou da música sem ter aonde recebê-los?
Os camarins estão ruins para o pessoal da terra que se apresenta no teatro, mas também para os atores conhecidos da mídia. Porque abandonar a cultura assim, desta forma?
Comemorar 200 anos deveria começar por preservar e cuidar dos símbolos da cultura da nossa cidade. O Teatro Sete de Abril faz parte da história de Pelotas, faz parte dos 200 anos, mas sua história está com as portas lacradas. Que vergonha!

segunda-feira, abril 23, 2012

Responsabilidade

Há algum tempo estou para escrever este texto. Venho ruminando as palavras, pensando nos argumentos, nisto e naquilo e tenho deixado pra lá, para, talvez, não causar constrangimentos. Mas sempre há o dia em que o nó na goela precisa ser desfeito e antes que este nó me sufoque vou por pra fora alguns pensamentos.
Não tenho a intenção de falar mal de pessoas ou religiões, tal qual prevê a Constituição creio que a liberdade de culto deve ser respeitada. Sou espírita, ou espiritualista para ser exata e estar de acordo com a Doutrina Espírita. Algumas vezes sinto minha religião desrespeitada, ainda que a Constituição me assegure professá-la. No entanto, não é sobre religião que quero falar. Quero, e vou falar sobre a responsabilidade de gurus, pais de Santos, pastores e outros mais que usam da boa fé das pessoas para arrancar-lhe dinheiro prometendo curas e milagres.
Como disse antes, sou espiritualista, vou no centro espírita, no terreiro de umbanda e nunca, em nenhum dos ambientes que fui até hoje, (e isto é quase minha vida inteira, 35 anos) me cobraram R$ 0,10 se quer para dar um passe ou auxiliar-me. Assim como, em NENHUM DESTES LUGARES ME DISSERAM QUE NÃO PROCURASSE O MÉDICO PARA TRATAR UMA DOENÇA. Pelo contrário, lugares sérios ressaltam que: "Se houver cobrança, vá embora!". Além de que, orientam que as pessoas sigam fazendo o tratamento médico e tomando os remédios prescritos pelos doutores. E eu tenho isto pra mim deste sempre.

Tem um tempo que ouvimos e assistimos em telejornais e especias de televisão que alguns templos (eles se dizem) vendem a cura para as mais diversas doenças. Eu sei, tem os pais de santo que trazem o amor em três dias, curam de fimose a unha encravada, fazem de um tudo prevendo passado, presente e futuro. Mas destes, todos já estão avisados. Sabe-se de antemão que são charlatões que vendem até gatos bentos que "descagam" dinheiro. Agora, aqueles homens, sérios que lá do púlpito discorrem sobre a palavra de Deus, muitas pessoas, a grande maioria desesperada por alento, não está vacinada. São pessoas muitas vezes ingênuas que já recorreram a todas as possibilidades na vida para resolver seus problemas e sua última esperança é Deus. Não vou dizer que é a religião porque, embora compreenda a etimologia da palavra, as diferentes crenças tratam Deus e sua palavra conforme lhe convém.
Não importa se tu crê ou não em Deus, se és materialista ou espiritualista, nada disso importa. Porque o que precisamos ter por estas pessoas, que estão muitas vezes desesperadas, é compaixão. Pode ser que não sejam cultas, nem espertas ou inteligentes. Concordo até que algumas se deixam enganar, mas elas buscam algo maior. E é nesta busca que entram os irresponsáveis que vendem curas e unções milagrosas. Óbvio que uma pessoa diagnosticada com um câncer maligno ou HIV vai buscar consolo, seja aonde for, seja em todos os templos religiosos do planeta, é natural de quem não quer morrer. Assim como podemos até ver pessoas materialistas chamarem por Deus num momento de perigo. Não há nada de errado nisto.

O errado é usar do desespero alheio para ganhar dinheiro! Eu jamais acreditei que um... (vou usar mentor espiritual porque esta expressão na minha concepção engloba todas as religiões) mentor espiritual fosse tão irresponsável a ponto de dizer a um doente, diagnosticado com um câncer maligno que ele não precisava fazer tratamento ou cirurgia porque após uma atividade realizada por ele estaria curado.
Na minha mente não há como conceber! Não são apenas os doentes de câncer que recebem este tipo de "consolo" irresponsável, doentes de Aids e portadores de HIV são curados após sessões sabe-se-lá-do-quê. Há mentores que orientam estas pessoas a refazerem seus exames para comprovarem que ficaram curados. Mas sempre que os exames comprovam que a doença não foi curada, até porque não tem cura, ainda, a culpa é do doente que não mereceu a graça, foi algo que eles fizeram de errado ou não fizeram corretamente.

Então fico pensando... podemos responsabilizar estes mentores pela morte de alguma destas pessoas? Como podemos proceder nestes casos. Sim, vejo de perto uma situação destas e ouço médicos e enfermeiros relatando situações de pacientes que não realizam os tratamentos acreditando que sua fé já lhes curou. Como ser alguém tão vil e egoísta a ponto de deixar que um ser humano morra na dor, sem tratamento? Não é uma questão de religião, não é. É responsabilidade diante da vida de outra pessoa. É amor ao próximo, é compaixão, tá lá no livro, foi dito por Jesus, que eles dizem que seguem, que amam.

Quem responderá pelas vidas perdidas irresponsavelmente por estes mentores que vendem curas?
Pergunto porque no caso de um erro médico ou coisa parecida pode-se recorrer a Justiça, processar, pedir indenização, responsabilizar médicos, enfermeiros, hospitais. Mas no caso de alguém que comprou a cura num templo religioso qualquer? Quem é o culpado? Mais uma vez o pobre coitado que foi buscar consolo, porque é um lunático que interpretou tudo errado, que quer provar que é um mártir e sabe-se-mais-o-quê podem dizer de alguém que está deteriorado por uma doença. Acreditar, sim, eu tenho fé e peço socorro aos meus guias e orixás quando me sinto em perigo. No entanto, todas as vezes que pedi ajuda me disseram "há coisas que são do espírito e há coisas que são do corpo, aqui cuidamos do espiritual, vá ao médico, faça o tratamento recomendado. Cuide do corpo, pois ele é a casa do espírito"! Jamais disseram, esqueça os médicos e fique rezando ou fazendo oferendas nas encruzilhadas e acendendo velas e tua cura virá.

Charlatões há de toda ordem e credo. Mas alguns respondem pelos seus crimes com o rigor  da Lei, outros...
Meu objetivo com este texto é questionar mesmo, porque tenho visto gente padecendo  destes fanatismos e fé cega e definhando dia-a-dia. Podem dizer que bem feito pra esta pessoa que se deixou enganar, que o pior cego é o que não quer ver. Eu compreendo a posição de vocês! Também já tive raiva do doente. Mas o fato de ele se deixar enganar isenta o enganador de culpa?


terça-feira, abril 17, 2012

Ditadura militar (1964-1985): repressão, resistência e memória

O Prof. Dr. Carlos Fico (UFRJ) irá proferir a palestra "Ditadura militar (1964-1985): repressão, resistência e memória", no dia 28 de abril, as 10h 30min no Auditório Vitae.
Trata-se do primeiro Encontro de Aprofundamento Temático deste ano e tem o objetivo de discutir, de forma atualizada, questões que envolvem o aparato repressivo estruturado durante o regime militar para vigiar, desarticular e punir as ações da resistência política organizadas por setores da sociedade brasileira. Outro tema a ser abordado, é o tratamento dado às marcas da memória do período, incluindo, neste sentido, a implantação da Comissão Nacional da Verdade.

Carlos Fico
É mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e doutor em História pela Universidade de São Paulo, onde também fez estágio de pós-doutoramento. Atualmente, é Professor Titular e História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro e desenvolve pesquisas relacionadas aos seguintes temas: ditadura militar no Brasil e na Argentina, historiografia brasileira, rebeliões populares no Brasil republicano e História política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Foi "Cientista do Nosso Estado" da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) entre 2003 e 2006 e recebeu o Prêmio Sergio Buarque de Holanda de Ensaio Social da Biblioteca Nacional em 2008.

Público alvo: professores, educadores, estudantes universitários (graduação e pós-graduação)
Inscrições: de 16 a 26 de abril, somente pelos telefones (11) 3324.0943 ou 0944, com Valdir ou Paulo (de segunda à sexta, das 10h às 17h 30min)
Local: Largo General Osório, 66 Luz
Entrada Franca
Haverá entrega de declarações de comparecimento aos interessados 

quinta-feira, abril 05, 2012

Falha nossa!

No texto anterior troquei o parentesco da pessoa que foi impedida de discursar na cerimônia da Comissão da Verdade. Embora tenha pesquisado, troquei pois quem foi impedida de discursar foi a filha do ex-deputado Rubens Paiva e não a viúva como coloquei no texto.
Peço desculpas aos amigos leitores!

domingo, abril 01, 2012

5ª Blogagem coletiva #desarquivandoBR

Outro dia assisti, na companhia do meu sobrinho, um filme dirigido pelo Clint Eastwood e protagonizado pela Angelina Jolie. Na trama do filme "A troca", Angelina tem seu único filho sequestrado e na ânsia de conseguir calar as reclamações da população (e da mãe) a polícia local a induz a receber um outro menino no lugar de seu filho desaparecido. Muitos abusos são cometido pela polícia até que um policial  vai atrás de um pista e descobre um assassino em série que caça meninos na rua e os mata em seu sítio. Entre os possíveis mortos pelo serial killer está o filho de Angelina Jolie, que está perfeita no papel da mãe. Como ela não se cala e vai buscando provas de que o menino que recebeu não é seu filho acaba sendo trancada em um manicômio, sob o argumento de que não queria reassumir, segundo o investigar corrupto, seu papel materno. Ao final da película a mãe segue em busca do filho desaparecido, visto que não foi encontrado corpo, portanto, para qualquer mãe segue existindo esperança de que o filho volte.

No final do filme eu lembrei das centenas de mães brasileiras que tiveram seus filhos roubados pela ditadura militar. E dos militares, que ironicamente comemoram no dia 1° de Abril uma Revolução, que nunca passou de um golpe militar. Na primeira vez que participei da blogagem coletiva eu falei sobre este tema, e volto a ele porque de todos os arquivos escondidos da ditadura militar do Brasil o direito de não enterrar seus mortos ainda é o mais difícil no meu entendimento, aliás, é o mais cruel! É a tortura institucionalizada da ditadura que ainda acontece.

Talvez ocorra com os nossos governantes (que ainda não abriram realmente os arquivos secretos) o mesmo que acontece com meu sobrinho, que assistiu o filme "A troca" e não gostou do fato da mãe seguir em busca do filho desaparecido. Creio que não seja necessário ser pai ou mãe para se sensibilizar com a dor destes pais que perdem seus filhos. Mas há quem não tenha esta capacidade e ainda que os direitos humanos ou qualquer outra  instituição internacional condene ou determine a abertura dos arquivos a dor de não saber aonde estão os restos mortais de seus entes queridos segue uma ferida aberta no peito de pais, mães, filhos, esposas. Já escutei várias mães dizendo que "ter um filho morto é uma dor inominável, mas ter um filho desaparecido deve ser muito pior, porque não se sabe como está, onde está, com quem está". E é nestas palavras que eu penso todo ano quando vejo as notícias de comemoração do golpe militar, porque foi um golpe.

É muita crueldade manter familiares há mais de 40 anos sem saber o que aconteceu com seus entes. Muitas mães já morreram, em desgosto e desespero, sem ter podido dar um enterro digno aos filhos. Sim, existem cemitérios clandestinos, de onde poderão ser retirados os restos mortais e se realizar exames de DNA para determinar de quem se trata, mas e aqueles que foram jogados ao mar?

Tão cruel quanto manter familiares sem saber, sem poder sepultar seu entes queridos é um governo, dito de esquerda se eximir diante de tudo isto de cumprir as determinações a que foram condenados a cumprir. É cruel, numa solenidade de assinatura da anunciada e festejada Comissão da Verdade, cortar o discurso da filha de um ex- deputado assassinado nos porões da ditadura.
Como isto pode acontecer no governo de uma ex-guerrilheira, de uma mulher que foi torturada e sofreu abusos? Compreendo que para governar é preciso ter jogo de cintura, realizar coligações, ceder alguns pontos. Mas atualmente o que vejo não é isto, mas uma completa mudança, parece até que nada das ideologias do passado restou. Chego a pensar que a verdadeira Dilma, a que tinha sonhos, ideologia, a que sofreu tortura sem entregar companheiros ficou perdida em algum lugar daqueles porões. Daqueles porões saiu uma Dilma modificada.  E infelizmente insensível aos apelos de companheiros do passado.

Todos nós que buscamos e pedimos a abertura dos arquivos e promovemos o #desarquivandoBR esperamos que o Brasil admita o erro que foi o golpe militar, reveja a Lei de Anistia e tome o período da ditadura como lição para que não volte a acontecer. Que os passos sejam dados com vagar, mas que sejam dados e sejam firmes para a abertura verdadeira. E principalmente, que acabe definitivamente esta tortura que ainda ocorre dos familiares que não podem dar um sepultamento digno a seus mortos.

Este texto faz parte da 5ª blogagem coletiva #desarquivandoBR pela abertura dos arquivos secretos, pela efetivação e cumprimento da  determinação da OEA pelo caso dos mortos na Guerrilha do Araguaia.

domingo, março 11, 2012

#Mulheres de Fibra

A série mulheres de fibra teria muita gente para colocar aqui. Nosso mundo ainda tem muito  o que  avançar nas conquistas femininas, mas há mulheres pelo mundo a fora que fazem toda a diferença, artistas plásticas, escritoras, ativistas, políticas e por aí a fora.
Quando comecei a série pensei em publicar um post sobre Margaret Tatcher pela lembrança que tenho de ouvir na "Dama de ferro". A impressão que tinha, quando criança, era do uso deste apelido de uma forma pejorativa, como se ela fosse uma mulher fria, calculista, capaz de qualquer coisa pela política inglesa. Lendo sobre sua biografia, e este ano tem o filme em que Tatcher é interpretada por Meryl Streep, vi que ela não era a pedra fria que eu imaginava ao ouvir o tal apelido. Não sei ao certo se concordo com sua ideologia, mas tenho respeito por esta mulher que era uma referência, uma das pessoas mais poderosas do mundo num período em que apenas os homens detinham o poder. Não conheço bem sua história, confesso e muitos podem descordar de mim, mas estar a frente do governo de um país por 11 anos na década de 80 não é pra qualquer um.

Pela admiração que tenho quero homenagear também as artistas plásticas Tarsila do Amaral e Frida Kahlo. Cada uma delas com uma forte história de vida, de amor e de talento. São muitas mulheres e suas histórias de vida são  histórias de luta. Todos nós conhecemos alguma mulher que precisou lutar muito para conquistar seus objetivos. Minha bisavó por exemplo criou sozinha seus filhos trabalhando na lavoura para tirar seu sustento de sol a sol. Esta é a luta diária a que temos que reverenciar, pois fazendo o seu pouco estamos fazendo muito para mudar o mundo. Sós a mudança não representa muito, pode inclusive ser pequena, mas no montante geral é uma grande mudança. Falando em vida difícil tem a admirável Florbela Espanca.

Aqui no Brasil uma das leis mais importantes da história foi assinada por uma mulher, a Princesa Isabel. Sabemos que o ato de libertar os escravos, embora um bem, foi também um grande problema, afinal depois de libertos o que tinham aqueles homens e mulheres? Para onde iriam, o que fariam? Foi-lhe dado a liberdade, mas também a miséria e a rua. As leis que antecederam a abolição da escravatura e a própria lei Áurea, tinham um objetivo nobre, ainda que os escravagistas e abonados senhores não aceitassem e continuassem a agir sob suas próprias regras.

Mas uma das  mulheres que mais admiro e queria homenagear é uma poetisa, considerada uma das principais escritoras brasileiras, Cora Coralina. Ela era doceira, uma senhorinha linda com muito pra contar, com poesias lindas! Uma mulher simples que através da palavra dá lições de vida contando o cotidiano simples das cidades do interior. Cora Coralina é um exemplo pra mim que espero um dia escrever um livro, pois sua primeira publicação foi feita quando ela estava com 76 anos.
Somos muitas mulheres neste mundão de meu Deus, que temos muita força para conquistar tudo o que merecemos. Enquanto vou escrevendo vou lembrando de outros nomes tão importantes como: Indira Gandhi, Zélia Gatai, Simone de Beauvoir, Cristina de Kirchner, Dilma Roussef, entre tantas outras. Como diz a música "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher", mas antes de mais nada somos cidadãs. Lutamos por nós e lutamos por um mundo melhor e sem preconceitos.
Encerro a série Mulheres de fibra deste ano com o poema:


Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.

Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.

Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.

Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.

Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.

Venho do século passado.
Pertenço a uma geração
ponte, entre a libertação
dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república
que se instalava.

Todo o ranço do passado era presente.
A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez,
Os adultos eram sádicos
aplicavam castigos humilhantes.

Tive uma velha mestra que já
havia ensinado uma geração
antes da minha.
Os métodos de ensino eram
antiquados e aprendi as letras
em livros superados de que
ninguém mais fala.

Nunca os algarismos me
entraram no entendimento.
De certo pela pobreza que marcaria
Para sempre minha vida.
Precisei pouco dos números.

Sendo eu mais doméstica do
que intelectual,
não escrevo jamais de forma
consciente e racionada, e sim
impelida por um impulso incontrolável.
Sendo assim, tenho a
consciência de ser autêntica.

Nasci para escrever, mas, o meio,
o tempo, as criaturas e fatores
outros, contra-marcaram minha vida.

Sou mais doceira e cozinheira
Do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.

Nunca recebi estímulos familiares para ser literata.
Sempre houve na família, senão uma
hostilidade, pelo menos uma reserva determinada
a essa minha tendência inata.
Talvez, por tudo isso e muito mais,
sinta dentro de mim, no fundo dos meus
reservatórios secretos, um vago desejo de analfabetismo.
Sobrevivi, me recompondo aos
bocados, à dura compreensão dos
rígidos preconceitos do passado.

Preconceitos de classe.
Preconceitos de cor e de família.
Preconceitos econômicos.
Férreos preconceitos sociais.

A escola da vida me suplementou
as deficiências da escola primária
que outras o destino não me deu.

Foi assim que cheguei a este livro
Sem referências a mencionar.

Nenhum primeiro prêmio.
Nenhum segundo lugar.

Nem Menção Honrosa.
Nenhuma Láurea.

Apenas a autenticidade da minha
poesia arrancada aos pedaços
do fundo da minha sensibilidade,
e este anseio:
procuro superar todos os dias
Minha própria personalidade
renovada,
despedaçando dentro de mim
tudo que é velho e morto.

Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.

Quem sentirá a Vida
destas páginas...
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer.

(Meu Livro de Cordel, p.73 -76, 8°ed, 1998)

sábado, março 10, 2012

"Quando uma mulher avança nenhum homem retrocede"

Hoje pela manhã e início da tarde participei da Marcha das Vadias de Pelotas, debaixo de muito sol e num calor absurdo mas a marcha aconteceu e estávamos tod@s lá lutando contra o preconceito de gênero, de raça e contra a homofobia. O pessoal tinha cartazes, faixas, pintou o rosto e o corpo na luta por respeito! Algumas mulheres fizeram relatos de situações cotidianas de humilhação, desrespeito e violência. O relato que mais me tocou foi de uma mãe falando do desrespeito de um vizinho com suas filhas. Ela destacou que educa seus filhos para respeitar os outros, mas nem sempre, na casa dos vizinhos acontece o mesmo.

Durante o percurso os manifestantes foram hostilizados por motociclistas, por causa das ruas interrompidas. Outros motoristas não foram simpáticos a causa, mas apenas quem estava nas motos é que ficou acelerando como se a qualquer momento fossem romper a corrente humana dos manifestantes. Alguns não quiseram esperar e invadiram um posto de gasolina ou esperou uma brecha na rua e passou a milhões, podendo bater em alguém. Tais atitudes levaram uma baita vaia!

Nossa manifestação teve o apoio de um personagem muito querido da nossa cidade o Alemão do Círculos, que esteve em meio a preparação, ouviu os discursos e participou da marcha ao lado da mulherada. Havia mães com seus filhos, mulher  grávida, homossexuais e Homens, com H maiúsculo por que são companheiros que não se deixaram contaminar com a ideia de que lugar de mulher é na cozinha, ou que a mulher é uma propriedade. Como foi lembrado por uma das manifestantes que discursou, eles também sofrem preconceito por não se encaixarem no esteriótipo do machão.

E de todos os cartazes que vi e fotografei durante a marcha dois me fizeram pensar, de forma, ainda mais minuciosa nestas questões. Um deles era empunhado por um Homem e referia-se sobre o aborto e a forma como o debate atualmente se atém apenas a questão religiosa. Esta é uma questão que a presidenta assumiu  discutir e ampliar na sociedade, podendo descriminalizar a prática. No entanto, cada vez que a sociedade, digo que nós mulheres, cidadãs trazemos o assunto a pauta, de outro lado erguem-se milhares de religiosos que pegam-se apenas na questão do pecado, sem considerar que quem paga o dito pecado é a mulher que escolhe fazer um aborto. Esta "pecadora" é dotada de um benefício chamado Livre arbítrio através do qual faz escolhas e toma atitudes em sua vida e responde por eles. E que só a ela cabe!
Já escrevi outras vezes sobre o que penso em relação ao aborto. Mas o fato de pensar nas inúmeras formas de prevenção da gravidez, acho que cabe só a mulher decidir que se quer ou não levar a gravidez adiante. É o corpo dela, a consciência dela, a escolha e a vida dela. Devem ser respeitados, embora não concordemos. Além disso, conheço algumas mulheres que interromperam uma gravidez e garanto que estas mulheres não se orgulham disso e muitas sofrem de culpa por isto.
O debate que buscamos em relação ao aborto é a descriminalização. Não quer que a interrupção de uma gravidez ou gestação na adolescência aconteça? Invista na educação! Mas o que ocorre quando as escolas criam mecanismos de trabalhar a sexualidade na escola? Muitos se levantam dizendo que o trabalho é inadequado, que as crianças não estão preparadas.

Existem políticas públicas, é verdade, no entanto, não atingem o país de forma igual. E esta é só mais uma demonstração da desigualdade em que vivemos. Quem tem grana interrompe a gravidez numa clínica com acompanhamento médico, mas quem não tem, faz o procedimento em casa, ou seja lá aonde for, e consequentemente acaba tendo de recorrer ao SUS. Este é um diálogo que deve ser feito, a presidenta precisa dar início a ele.

Mesmo em casos de estupro a interrupção da gravidez é uma polêmica. É um direito da mulher, mas leva tanto tempo para ser concedido que quando chega o momento a gestação está adiantada e realizar o procedimento torna-se ainda mais arriscado.
O outro cartaz, cuja frase deu nome a este post, interpreto de duas formas. A primeira que é a da violência, visto que a força física do homem é maior que a da mulher, e quando uma mulher vai pra cima de um homem, no máximo ele se esquiva do ataque, mas não dá um passo atrás ou se encolhe.

Já a outra, que me parece muito mais abrangente é a questão do avanço da mulher na sociedade. Quando uma mulher avança profissionalmente, nenhum homem retrocede. Quando uma mulher cresce economicamente ou consegue conquistar seu espaço como cidadã, nenhum homem retrocede. Homens não ficam pobres se mulheres enriquecem, por exemplo.  Quando as mulheres passaram a votar ou concorrer na política os homens não foram prejudicados por isto.

É possível crescermos todos juntos respeitando as diferenças, convivendo com tolerância. Como diz o velho ditado, corrigido, "do lado de um grande homem sempre tem uma grande mulher"! É nisso que penso, não é preciso oprimir para crescer, embora durante muito tempo isto tenha ocorrido. A opressão demonstra a fraqueza do opressor que se vale da força, ou do dinheiro, para se manter no poder. Separados podemos ser fracos, mas juntos somos mais, somos fortes.
A caminhada com certeza ainda será muito longa, mas o primeiro passo foi dado. Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!

quinta-feira, março 08, 2012

A mulher - Florbela Espanca

I

Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimento cheio, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!

Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta: sê em Vénus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão-de pisar-te!

Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arminho
Eles deixam pra sempre maculada;

E gritam então vis: "Olhem, vejam
É aquela a infame!" e apedrejam
a pobrezita, a triste, a desgraçada!


II

Ó Mulher! Como é fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma image
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=380#ixzz1oaJyny3k
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quarta-feira, março 07, 2012

Mulheres de Fibra - Isabel Allende

Na postagem de hoje a mulher de fibra que traga está entre minhas escritoras latino americanas que mais gosto e admiro. Isabel Allende é uma jornalista e escritora chilena mundialmente conhecida. Entre seus romances mais renomados estão: A casa dos Espíritos, De amor e de sombras e Paula. Segundo relata, a própria autora no livro Paula, seu primeiro romance foi escrito com o auxílio de seus avós, pois era justamente a história de sua família.

Admiro Isabel não só pelo seu talento, mas principalmente pela sua força e sua história de vida. Filha de um primo irmão de Salvador Allende, ela viveu e lutou ativamente durante a ditadura militar no Chile, ajudando ativistas políticos. Poderia me arriscar a falar coisas de sua vida, pois após ter lido Paula, sinto Isabel como uma pessoa íntima, alguém que conheci no momento de maior sofrimento pra ela. É exatamente isto que deve ter causado esta proximidade, pois toda a história da doença de sua filha, do tempo vivido no corredor de um hospital ansiando que Paula acordasse me fez ver a autora famosa como uma mulher de verdade.

A autora escreveu para a filha, com o objetivo de colocá-la a par, quando acordasse do coma, a história da família e a sua própria. Mas todo o seu sofrimento de mãe foi sendo relatado dia-a-dia, até o momento em que ela precisou despedir-se, deixar que Paula fosse embora e ambas pudessem, cada uma em um mundo, seguir seus caminhos.

Todas as outras personalidades que prestei homenagem aqui na série pelo dia da Mulher são pessoas que eu admiro pelo seu trabalho, pela história de vida e pelas mudanças que fizeram no mundo a partir dos seus exemplos. A diferença com a Isabel Allende é sua militância e sua história de vida, tão apaixonante!

Agora um pouco da biografia desta mulher tão especial. Isabel Allende Llona nasceu em Lima, no dia 2 de agosto de 1942. É filha de Tomás Allende e Francisca Llona. Nasceu no Peru, mas logo voltou ao Chile. Atualmente está radicada nos Estados Unidos. Seu reconhecimento literário veio após a publicação do romance A Casa dos Espíritos, editado em 1982. A história dos antepassados virou filme, protagonizado por Meryl Streep e Jeremy Irons.

Fontes: Wikipédia, blog A arte que é poesia e os livros da autora.
A foto é do blog.
Ah! Minha sugestão para que conheçam melhor Isabel Allende, leiam seus livros, vale muito a pena!

terça-feira, março 06, 2012

Mulheres de Fibra - Madre Teresa de Calcutá

Dando seguimento a série Mulheres de Fibra trago uma das personalidades mais marcantes do último século. Madre Teresa de Calcutá é conhecida pela sua vida religiosa, mas principalmente pelo trabalho incansável junto aos pobres, crianças e doentes.
Nascida Agnes Gonxha Bojaxhiu em Skopje a 26 de agosto de 1910 ficou conhecida no mundo inteiro como Madre Teresa de Calcutá ou Beata de Calcutá. A missionária católica albanesa nasceu na República da Macedônia e naturalizou-se indiana. Ela foi beatificada pela igreja católica em 2003 e tornou-se conhecida como "Santa das Sarjetas", vindo a ser considerada por muitos como a missionária do século XX. Madre Teresa fundou a congregação "Missionárias da Caridade".

Ainda muito cedo, com 18 anos ela fez seus votos nas Irmãs de Nossa Senhora do Loreto,na Irlanda, onde viveu por pouco tempo.  Na Índia atuou como professora a serviço desta congregação no primeiro lar infantil ou "Sishi Bavan" (Casa da Esperança) fundada em 1952 e juntou-se ao "Lar do Moribundos", em Kalighat. Inicialmente passou por problemas de ordem religiosa e cultural com grupos que professavam outra fé. Mas com o passar do tempo e o seu trabalho todos aceitaram que sua obra tinha um caráter nobre. Com isto passa a receber donativos de hindus, muçulmanos e budistas entre outros e atua em situações problemáticas e difíceis como o caso de crianças abandonadas, doentes de Aids, mulheres abusadas que engravidavam e leprosos.

Em 1965 a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias de Caridade. Vários países tiveram a presença das missões de Madre Teresa, entre eles Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Sri Lanka|Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China, etc.
"O reconhecimento do mundo pelo seu trabalho concretizou-se com o Prêmio Templeton, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.
Morreu em 05 de setembro de 1997, aos 87 anos, de ataque cardíaco, quando preparava um serviço religioso em memória da Princesa Diana de Gales, sua grande amiga e falecida ela própria 6 dias antes, num acidente de automóvel em Paris. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem."

Seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita  sua sucessora . Várias são as histórias sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá entre elas de que ela usava sua própria saliva para curar os doentes. Verdadeiras estas histórias ou não, não sei. O que sei é que sua bondade é notária e seu amor pelo próximo incontestável.

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”. Madre Teresa de Calcutá

Fonte: Wikipédia
Foto: Google imagens

segunda-feira, março 05, 2012

Mulheres de fibra - Dra. Zilda Arns

Minha intenção era ter começado esta série de mulheres de fibra, guerreiras e exemplares no dia primeiro de março, mas o tempo e o trabalho não me permitiram! Por isto dedicarei esta semana para homenagear mulheres que foram importantes para a história do mundo feminino, algumas ativistas feministas, outras exemplos incontestáveis de que podemos sim, se quisermos, mudar o mundo.
Começo a série falando da Dra. Zilda Arns. Não conheço tão bem a biografia dela, mas fiquei encantada com a admiração que uma colega do curso de doutrina espírita, apresentou em relação a vida da Dra Zilda. Minha colega contou algumas coisas a respeito da médica que criou e  salvou várias crianças da desnutrição e da morte com a "Pastoral da Criança".

Dra. Zilda Arns Neumann é natural de Forquilhinha (SC) e residia em Curitiba (PR). Teve cinco filhos e dez netos. Cursou medicina na Universidade Federal do Paraná, especializou-se em "saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário." Sua percepção de que a educação seria o meio de mudar as coisas fez com que criasse uma metodologia muito especial de espalhar conhecimento e solidariedade entre as famílias pobres, inspirada no milagre da multiplicação relatado no Evangelho de São João.

Incansável na busca do conhecimento Dra Zilda foi aperfeiçoando-se em diversas áreas, atuando de forma incisiva contra a fome e a miséria. Em 1983 fundou, a pedido da CNBB a Pastoral da Criança. "Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 de famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social." A forma encontrada para multiplicar a educação e a solidariedade a cada mês eram realizados visitas domiciliares às famílias, dia a do Peso, ou Dia da Celebração da Vida; e reunião Mensal para Avaliação e Reflexão.

Em 2004 a CNBB passou uma nova meta a esta missionária incansável, fundar a Pastoral da Pessoa Idosa, que atende, atualmente, mais de cem  mil idosos, que são atendidos mensalmente por mais de doze mil voluntários de 579 município. São 141 dioceses em 25 estados brasileiros.

Dra Zilda morreu em janeiro de 2010 em Porto Príncipe quando realizava uma missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança. O país sofreu um violento terremoto que fez centenas de vítimas, entre elas a Dra. Zilda Arns.

Um grande exemplo de mulher e de brasileira. Dra Zilda Arns recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005 e o Prêmio "Heroína da Saúde Pública das Américas", concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002.

Fonte: Pastoral da Criança e Wikipédia .
Fotografia de Antônio Marques encontrada na internet, publicada no blog Clau Medori

quinta-feira, março 01, 2012

Marcha das Vadias - 10 de março em Pelotas


Dando largada a semana da mulher aqui no blog, dou destaque a Marcha das Vadias, que ocorre dia 10, em Pelotas. Durante estes dias, que antecedem o dia internacional da Mulher, pretendo destacar grandes personalidades femininas que representaram e representam a nossa luta pela igualdade.
A Marcha das Vadias é uma passeata que chama atenção para um fato recorrente nos casos de estupro que é culpar a vítima pela violência que sofreu. Não importa a roupa, a hora ou o local em que a violência sexual ocorre, É uma violência, é um crime e não se pode culpar a vítima!
Mulheres não são objetos tampouco propriedades de grandes senhores. As mulheres conquistaram um espaço relevante na sociedade, tão importante que a maioria dos chefes de família hoje é mulher. Considerando-se apenas uma área da sociedade, ainda tem a política, a ciência,a economia, o direito, a medicina e tantas outras.

A luta pelo fim da violência contra mulher é uma luta de todos. Há muitos casos de violência doméstica que não vem a tona e há, até, quem considere normal. Mas não é. Quantos de nós ouviu falar de alguém que apanhou do marido, ou pôde escutar os gritos e o choro de uma vizinha? Quantas vezes a briga não virou fofoca nos corredores dos prédios ou nas conversas na calçada, sem resultar em nenhuma atitude de compaixão e solidariedade para com a vítima? "Em briga de marido e mulher não se mete a colher!" dizem alguns, e usam também da maledicência para falar da vida alheia sem usar seu conhecimento para ajudar ou produzir algo de bom.

Ainda que, existam leis e medidas protetivas, ainda existe a vergonha, o preconceito e o medo. Muitos sentimentos que, algumas vezes atrasam as atitudes e o resultado pode acabar sendo fatal.
A violência não se constitui só do tapa, do estupro, ela se forma também das humilhações, das ameaças, da coação, da tortura psicológica, na ameça de tirar a guarda dos filhos e de tantas outras formas que o medo passa a ser a única companhia da mulher, o sentimento mais presente que só dá lugar a angústia e o desespero.

Há alguns meses soube de um caso de violência doméstica, na qual a vítima era uma grande amiga. Violência esta que refletiu em um parto prematuro e a possibilidade do nascimento de uma criança com sequelas. Além da terrível vergonha e da culpa de haver apanhado do companheiro, existia o medo da reação da família. Depois veio o afastamento do trabalho por causa do risco da perda do bebê. Semanas de repouso para evitar a morte do nenê em seu ventre. O nascimento antes do previsto trouxe ao mundo um vitorioso! Meses na UTI pediátrica para o ganho de peso e o acompanhamento médico. E a angústia da mãe que sofria entre culpada e preocupada com a saúde de sua cria. O momento mais tenso veio a seguir com a transferência para um hospital mais equipado para a realização de uma cirurgia de emergência, mas que representava a salvação do bebê. Mas todas as angústias deram lugar a uma imensa alegria depois do sucesso da cirurgia. Com tanto tempo de apreensão a tão sonhada volta pra casa, com o filho nos braços foi de grande felicidade!

Pude ter a compreensão de como podemos nos sentir impotentes diante de uma situação como esta. Quando assistimos na televisão é possível até, num lampejo, questionar, porque ela não vai embora,  ou até realmente Nelson Rodrigues tinha razão, "elas gostam de apanhar"! Mas o acontecimento está muito longe de nós. No entanto, quando atinge uma amiga, uma familiar o sofrimento toma cores mais fortes. Minha reação, ao saber da agressão sofrida pela minha amiga, foi de mandá-la para a delegacia da mulher, foi de dizer que fizesse queixa e pedisse medidas protetivas. Mas minha amiga ficou constrangida de expor sua vida a toda vizinhança na pequena cidade onde residia. Passou um tempo até que a coragem viesse e a denúncia acontecesse. Eu não poderia ficar indiferente, é uma AMIGA MINHA! Mas não podemos ficar indiferentes diante de qualquer tipo de violência!

Recentemente tivemos o maravilhoso exemplo do Vitor, que arriscou sua própria vida na defesa de um morador de rua que estava sendo espancado. Não vamos ficar apenas achando que é uma atitude a ser admirada, vamos admirá-la e multiplicá-la.

Tod@as dizem não a violência contra mulher! Participe da Marcha das Vadias, dia 10 de março, às 11h, na esquina Democrática (Chafariz do Calçadão). Organização DCE da UFPel - Todas as Cores, RadioCom, Instituto Mario Alves, Coletivos Nacional Levante, Barricadas Abrem Caminhos, Juntos!, (Des) Construindo Gêneros e Levante Popular da Juventude!

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Em quê democracia vivemos?

Isto não é um ataque! Mas eu queria realmente compreender o que passa na cabeça daqueles homens e mulheres que estão dirigindo o nosso país e as nossas cidades. Tanto tempo e tanto sangue foi derramado para que chegássemos a liberdade de escolha, de expressão em nosso país e algumas coisas parecem retrocederem sob um escudo muito frágil e mal posto. Tão frágil e mentiroso quanto a desculpa da "Segurança Nacional" que protegia as ações duvidosas e inescrupulosas da ditadura militar. Sob argumentos como perseguição e falta de respeito os defensores do governo acusam qualquer um que levante uma crítica ao governo de serem da direita, de esquerda que a direita gosta e por aí vai. A defesa não se faz a partir de coerência ideológica e não passa pela defesa de ideais. Pelo contrário vai de forma raivosa de encontro ao crítico como um opositor infame de um partido. Partido este que vem renegando toda a sua história de luta junto aos trabalhadores do Brasil.
Não me venham dizer que isto é o que a mídia me faz crer e que tudo não passa de um engodo para me confundir. Quem se confundiu foram os políticos que fazem parte do partido dos trabalhadores, das bases aliadas e das não tão aliadas assim. Antigamente qual fosse o partido no comando do governo sempre havia um dedo em riste apontando coisas erradas, atitudes suspeitas e falhas em governos, licitações e outras coisas. Mas agora? Coligaram-se com os piores inimigos políticos com a desculpa de garantir a governabilidade. A sacanagem é tão grande e tão confusa que estão cada qual mais dentro do bolso do outro, com os rabos presos de forma que no máximo se tira um ministro e se coloca outro, do mesmo partido, da base aliada no lugar. Não, não estou dizendo que são todos iguais, que ninguém presta ou que não existem políticas realmente importantes que sim foram feitas e tratadas com a verdadeira seriedade que mereciam.
O que mais me incomoda é que as possibilidades de debate sobre os assuntos importantes vão se extinguindo cada dia mais e mais para evitar de magoar "os aliados". Questões como a descriminalização do aborto, pisos salariais para categorias  como os professores, os policiais e outras vão sendo deixadas a margem, como se marginais fossem estes profissionais. Questões antes defendidas com unhas, dentes e bandeiras em punho como as causas indígenas, reforma agrária, o Estado Laico e dos direitos humanos vão sendo paulatinamente deixadas de lado ou sendo abafadas por defesas estarrecedoras e estapafúrdias (como as feitas por Bolsonaro). E quando alguém do governo se manifesta de forma contrária a alguma crença da base, o ofendido faz uso da tribuna da Câmara para vociferar e jogar em cara o apoio dado em momentos difíceis, como se este apoio não estivesse sendo garantido por algum acordo, por troca de cargo ou seja o que for. É muito absurdo junto acontecendo no nosso país. E cada vez mais eu me decepciono com o tão sonhado governo de esquerda.
Outra atitude antidemocrática que me estarreceu foi a tentativa do prefeito de Rio Grande, Fábio Branco de tentar processar pessoas que fazem parte de comunidades que criticam seu governo em redes sociais. Aonde já se viu isto!? Não podemos mais dizer que uma determinada atitude de um governante vai contra as promessas feitas por ele em campanha????????? Temos que calar e ficar quietinhos diante de toda e qualquer atitude com a qual não concordamos sob ameaça de sermos processados pelos políticos??????
Eles enrolam licitações e votações, eles desrespeitam a Constituição  e ignoram que fomos NÓS quem os colocou no cargo, eles fazem e desfazem com o NOSSO DINHEIRO e não podemos dizer nada????????? Eles lutaram, e muitos enchem a boca para dizer isto, contra a ditadura militar para virarem tiranos?????
Digo e repito ESTE ANO É ANO DE ELEIÇÃO E A DECISÃO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS! Não votem no menos pior, não vote em quem está no cargo a mais de dois mandatos. Escolha, observe e investigue. Porque, depois que eles estão lá parece que a bunda deles se funde com a cadeira e não há jeito de arrancá-los. A mudança deve começar nos nossos municípios e se estender até o senado e a câmara. A limpeza precisa ser feita e o momento de começar é agora! E digo mais, eu preferia quando o PT era tido e visto pela oposição como um partido ameaçador, como o "bicho papão" de antigamente. Hoje ele flerta, namora e casa com os mais improváveis opositores. E disto eu tenho até vergonha!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

SAFADA WANDO

Chora coração Wando se foi!


Como boa brega e romântica que sou tenho na minha lista de músicas favoritas muitas canções na voz do sedutor colecionador de calcinhas Wando. Na minha adolescência passava horas na garagem ou na sala de casa escutando os discos do Wando e dançando como uma doida.
Os LPs do Wando mais dançados por mim foram Obsceno e Coração Aceso! Aí como vai fazer falta aquele olhar malemolente do mineiro Wando que nasceu  Wanderley Alves dos Reis, na cidade de Cajuri, em  2 de outubro de 1945. Nesta manhã, (08 de fevereiro de 2012) depois de hospitalizado em Nova Lima, por alguns dias com problemas cardíacos, nosso querido  cantor brega-romântico se foi deixando muita saudade.
Fico triste de nunca ter assistido um show ao vivo dele, de não ter jogado minhas calçolas no palco. Mas pode ter certeza, toda vez que alguém escutar uma música na voz do lindão do Wando ele continuará vivo!

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Ei polícia...


Não é apologia, mas eu não podia deixar de publicar a fotinho! Quase todo o dia passo por esta frase/provocação. Acho mais engraçado do que realmente um problema, embora possa ser visto como apologia a droga.
Minha opinião sobre a afirmação? Não tenho ideia, graças a um trauma de infância com o meu primeiro cigarro nunca aprendi a tragar e me sufoco com a fumaça, desta forma não consigo fazer uso do famoso cigarrinho do capeta. Há quem diga que podemos fazer bolinhos e comer, mas eu francamente prefiro chocolate!

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Uma lágrima pelo #Pinheirinho

Dedico a lágrima tão bem representada neste grafite a desocupação violenta do #Pinheirinho em São José dos Campos. Compreendo que muitas pessoas acham uma violência a ocupação de uma área particular, mas o que mais me deixa indignada é o porquê de a prefeitura ou responsáveis não se manifestarem tão logo a ocupação começa. Como posso achar correto se os responsáveis permitem que os ocupantes construam suas casas e seus barracos, morem anos e simplesmente um belo dia resolvem tirá-los. Sei de muitas histórias de gente que se infiltra nos movimentos sociais na tentativa de tirar vantagens, mas 1.600 famílias?
Outro fato que muito me indigna é um massacre para devolver a um estelionatário (para dizer o mínimo) como Naji Nahas, que há anos é acusado de especulação imobiliária, desvios e mais um monte de crimes ligados a corrupção.
E mais ainda, com tudo isto acontecendo e os assuntos mais falados na internet E nos telejornais era uma falsa gravidez de quadrigêmeos, a tal da Luiza e o caso de abuso sexual naquele reality show. Sinceramente... não tenho o que dizer!

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Super bem estacionado!

O cidadão (ou cidadã) viu a placa de pare e... parou mesmo! Estacionou do lado contrário do que é permitido, se bem que... naquele ponto é proibido estacionar inclusive daquele lado! Fico boba! E nenhum azulzinho ou BM para aplicar uma multinha ou dar uma advertência!
A fotografia foi tirada na terça feira, próximo do meio dia, na Rua Major Cícero.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Em tempos de BBB


Em tempos de BBB e outras cositas más... a crítica social nas paredes do centro de Rio Grande vem bem a calhar!