O Brasil se declara um país não racista. Mas eu não vejo assim. Somos um país miscigenado, misturado, no entanto ainda tem muita gente que acredita que a cor da pele determina caráter e, mesmo que sobe tortura neguem o racismo, acabam dando preferência para as peles brancas. Uma das coisas que mais me incomoda neste falso politicamente correto é a troca da palavra negro pela moreno. O que demonstra o racismo, além das palavras e atitudes, é a forma de falar a respeito das pessoas.
Um deputado chamou o juiz Joaquim Barbosa de "moreno escuro" e isto foi muitíssimo racista. É óbvio que não seria menos racista se ele o chamasse de negro, negrão, "escurinho" porque a maneira como ele estava falando e o tom era carregado de racismo! Eu sei que não sou a pessoa mais indicada para falar a melhor maneira de alguém defender uma ideia, porque quando argumento oralmente sou ríspida, apaixonada, exaltada e agressiva. Quero muito mudar e tornar-me mais ponderada e defender minhas ideias em um tom que não agrida tanto. Mas ainda não cheguei lá! Aliás, creio estar longe disto...
Só que aprendi com o tempo que, quando discutimos uma ideia ou trabalho com alguém, envolver suas questões pessoais é errado, é irrelevante. A resposta de Joaquim Barbosa foi ótima na minha opinião!
Mas não encerra a questão do racismo, porque assim como a violência contra mulher, o preconceito não deixa de acontecer porque a vítima tem grana! Aconteceu com o ministro do STF, Joaquim Barbosa que veio de família humilde e aconteceu com um jovem baiano também de família simples, talvez o único a obter a formação universitária em sua família. Aliás, isto seria o que ele conseguiria não fossem as ameaças e a perseguição que o fizeram pedir proteção e abandonar seus estudos em Jaguarão.
Hipocritamente dizemos que no Brasil não tem racismo. Os fatos demonstram o contrário!
Esta página é para quem acredita que um mundo melhor é possível e que o jornalismo deve ser livre, íntegro, revolucionário, questionador e formador de opiniões, ou pelo menos fazer com que a gente pense. Segundo Millôr Fernandes "a função do Jornalista é trabalhar para ser demitido". Eu já estou no 3 a zero. "Livre pensar é só pensar" Millôr Fernandes
domingo, março 27, 2011
quinta-feira, março 24, 2011
Memórias em movimento
Instituto Mário Alves realiza nos dias 13, 14 e 15 de abril, no auditório do Colégio São José em Pelotas o Seminário Memórias em Movimento - Juventude, Cultura e Política. Estudantes e pesquisadores poderão apresentar trabalhos de pesquisa. Os interessados podem se inscrever através do email: memorias.emmovimento@gmail.com. Junto ao email devem ser enviados: a cópia do comprovante de pagamento, cópia do (s) trabalho (s) submetido(s), ficha de inscrição preenchida.
Mais informações sobre o evento e a programação podem ser obtidos no blog do IMA.
quarta-feira, março 23, 2011
Seminário debate marcas das ditaduras do Conesul
"Porto Alegre discute as marcas das ditaduras do Cone Sul
Seminário será sediado no Memorial do Rio Grande do Sul, na Assembleia e na Ufrgs
Porto Alegre será sede, nos dias 30 e 31 de março e 1º de abril, do Seminário ‘Memória, Verdade e Justiça: Marcas das Ditaduras do Cone Sul’. A atividade tem como objetivo discutir os reflexos das ditaduras do Cone Sul e marca o aniversário do golpe militar de março de 1964, e que decretou um longo período de exceção, encerrado apenas em 1985.
O evento acontecerá no dia 30, no Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, 1020, Centro), às 18h30; no dia 31, no Plenarinho da Assembleia (Praça Marechal Deodoro, 101, Centro), às 18h30; e no dia 1º de abril, no Salão de Atos II da Ufrgs (Av. Paulo Gama, 110, Centro), às 18h. A cada dia, as mesas serão precedidas por manifestações culturais. Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade.
Veja mais informações e a programação no Coletiva.net.
Seminário será sediado no Memorial do Rio Grande do Sul, na Assembleia e na Ufrgs
Porto Alegre será sede, nos dias 30 e 31 de março e 1º de abril, do Seminário ‘Memória, Verdade e Justiça: Marcas das Ditaduras do Cone Sul’. A atividade tem como objetivo discutir os reflexos das ditaduras do Cone Sul e marca o aniversário do golpe militar de março de 1964, e que decretou um longo período de exceção, encerrado apenas em 1985.
O evento acontecerá no dia 30, no Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, 1020, Centro), às 18h30; no dia 31, no Plenarinho da Assembleia (Praça Marechal Deodoro, 101, Centro), às 18h30; e no dia 1º de abril, no Salão de Atos II da Ufrgs (Av. Paulo Gama, 110, Centro), às 18h. A cada dia, as mesas serão precedidas por manifestações culturais. Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade.
Veja mais informações e a programação no Coletiva.net.
sábado, março 19, 2011
Vaga de trabalho para jornalista blogueiro em empresa americana
Empresa americana procura jornalista blogueiro no Brasil
A Nearshore Americas está buscando um jornalista brasileiro para publicar matérias sobre TI, exportação, negócios e trabalhos em blog. É necessário ser fluente em Português e Inglês e experiência em redação bilíngue - o blog deverá ser em línguia inglesa. O pagamento será de mais de 1000 dólares, e os currículos devem ser enviados até o dia 25 de março para kirk@nextcoastmedia.com.
Fonte Sindicato dos Jornalistas RS
A Nearshore Americas está buscando um jornalista brasileiro para publicar matérias sobre TI, exportação, negócios e trabalhos em blog. É necessário ser fluente em Português e Inglês e experiência em redação bilíngue - o blog deverá ser em línguia inglesa. O pagamento será de mais de 1000 dólares, e os currículos devem ser enviados até o dia 25 de março para kirk@nextcoastmedia.com.
Fonte Sindicato dos Jornalistas RS
quinta-feira, março 17, 2011
Guia para jornalistas sobre aborto será lançado no Sindicato no próximo dia 25
No próximo dia 25 de março, às 14h30min, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, será apresentado o Guia de Apoio para Profissionais de Comunicação, uma publicação das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro - coalização feminista de redes, organizações e ativistas que trabalham pelos Direitos Humanos das mulheres, da qual a Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, sediada em Porto Alegre, é componente. Esta apresentação integra as atividades do Fórum Municipal da Mulher de Porto Alegre comemorativas ao dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e é organizada pela Rede Feminista de Saúde, Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas, Ilê Mulher, Coletivo Feminino Plural, Themis Assess oria Jurídica e Estudo de Gênero, Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras, Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher- Cladem/Brasil. O evento tem apoio dos Núcleo de Jornalistas pela Igualdade de Gênero e Jornalistas Afrobrasileiros do Sindicato dos Jornalistas do RS.
O guia é um documento completo de dados que traz a perspectiva histórica dos avanços e retrocessos políticos, consolidando todos as informações de pesquisa relevantes à temática e que servirá de fonte de informação para o trabalho de jornalistas que atuam nas redações ou em assessorias de Imprensa. A publicação foi elaborada com base em fontes oficiais, de governos e institutos de pesquisa nacionais e internacionais, trazendo informações que poucas vezes estão na agenda pública. Além disso, indica fontes especializadas de forma a colaborar com reportagens e releases sobre o assunto. Para saber mais sobre o guia, acesse abortoemdebate.com.br.
Fonte: Sindicato dos Jornalistas do RS
O guia é um documento completo de dados que traz a perspectiva histórica dos avanços e retrocessos políticos, consolidando todos as informações de pesquisa relevantes à temática e que servirá de fonte de informação para o trabalho de jornalistas que atuam nas redações ou em assessorias de Imprensa. A publicação foi elaborada com base em fontes oficiais, de governos e institutos de pesquisa nacionais e internacionais, trazendo informações que poucas vezes estão na agenda pública. Além disso, indica fontes especializadas de forma a colaborar com reportagens e releases sobre o assunto. Para saber mais sobre o guia, acesse abortoemdebate.com.br.
Fonte: Sindicato dos Jornalistas do RS
quarta-feira, março 16, 2011
Primeira Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos
O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, em parceria com o Programa de Pós Graduação em História da UFRGS, a Escola do Legislativo da Assembléia Legislativa do Estado, e a Associação de Amigos do APERS, está organizando a I Jornada de Estudos sobre Ditaduras e Direitos Humanos.
O evento, que ocorrerá em abril de 2011, tem como principais objetivos oportunizar espaço para divulgação e discussão a respeito da produção intelectual sobre a temática Ditaduras de Segurança Nacional na América Latina e Direitos Humanos; divulgar locais de pesquisas e seus respectivos acervos documentais; e estimular a produção de conhecimento que possa ser utilizado no ensino, na pesquisa e como forma de reflexão e conscientização social.
Contanto com atividades múltiplas, como palestras, depoimentos e apresentação de filmes, a Jornada terá como foco principal a apresentação de trabalhos produzidos por pesquisadores da área, que deverão ser encaminhados para análise da Comissão de Seleção até o dia 30 de janeiro de 2011. Os artigos selecionados, além de apresentados no evento, serão publicados eletronicamente. Aos que desejarem participar apenas como ouvintes as incrições vão até o dia 25 de março de 2011.
O evento, que ocorrerá em abril de 2011, tem como principais objetivos oportunizar espaço para divulgação e discussão a respeito da produção intelectual sobre a temática Ditaduras de Segurança Nacional na América Latina e Direitos Humanos; divulgar locais de pesquisas e seus respectivos acervos documentais; e estimular a produção de conhecimento que possa ser utilizado no ensino, na pesquisa e como forma de reflexão e conscientização social.
Contanto com atividades múltiplas, como palestras, depoimentos e apresentação de filmes, a Jornada terá como foco principal a apresentação de trabalhos produzidos por pesquisadores da área, que deverão ser encaminhados para análise da Comissão de Seleção até o dia 30 de janeiro de 2011. Os artigos selecionados, além de apresentados no evento, serão publicados eletronicamente. Aos que desejarem participar apenas como ouvintes as incrições vão até o dia 25 de março de 2011.
Dia Mundial da Água
Recebi por email o convite da ação que o Instituto Ambiental Gabrielle Brandão irá realizar, dia 22/03 para comemorar o "Dia Mundial da Água". A iniciativa será realizada pelo Instituto e pela "jovem Gabrielle Brandão de apenas 13 anos que desde os 10 anos luta pelo nosso meio ambiente, vamos estar na avenida Paulista às 14:30h, distribuindo 1000 squeezes e 1000 rosas." Conheça o instituto pelo site http://www.gabriellebrandao.com.br/
Vamos participar!
Vamos participar!
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
São os trabalhadores que "quebram" o Brasil
Faz tempo estou querendo escrever, mas sou uma trabalhadora assalariada e tenho horas de trabalho a cumprir. Mas toda esta lenga-lenga em relação ao salário mínimo nacional e a argumentação absurda dos defensores do governo, formado hoje por toda a sorte de siglas partidárias, com exceção do PSOL e do PSDB (os mais ferrenhos nas suas críticas), me fez levantar a voz. Podem me chamar de "a esquerda que a direita gosta" ou "extrema esquerda incendiária" por criticar o governo de "esquerda" que comanda o país. Não me importo! Pelo contrário sinto-me lisonjeada, afinal de contas minhas palavras estão causando incômodo a alguém. Faz um mês e 17 dias que a primeira mulher assumiu a presidência do Brasil, ela é remanescente da luta armada contra a Ditadura Militar (que durou 20 anos) foi presa e torturada. Respeito-a pela sua história, creio que atuou de forma ativa na defesa do país. Mas isto foi há mais de 40 anos, hoje ela está coligada com um dos partidos mais combatidos pelo seu próprio partido no passado. Parece loucura! Mas basta abrir os jornais para ver.
Todos estes políticos que estão no Congresso, no Senado, nas Câmaras de Vereadores, nos governos dos estados, nas prefeituras e na Presidência da República foram votados por nós (talvez não diretamente, mas como vivemos numa democracia representativa aonde a maioria ganha...) por defenderem a ideia de melhorias para os cidadãos trabalhadores deste país. Mas os trabalhadores são o verdadeiro problema do Brasil. Vejamos só: nós recebemos um salário mínimo que não chega ao final do mês, contribuímos para a nossa aposentadoria por 35 anos e só podemos usufruir deste "benefício" após trabalhar por 65 anos, pagamos impostos embutidos em todos os produtos que consumimos, precisamos pagar por assistência médica pois o SUS não comporta a quantidade de pessoas que dele necessitam, a segurança é precária e a educação também vai mal. Trabalhamos, pagamos, contribuímos, ralamos para no final, após votar em promessas vãs, somos surrupiados e achincalhados pelos nossos representantes.
FHC disse que aqueles que se aposentaram com menos de 60 anos eram vagabundos! Lula disse que se não vamos procurar aonde tem juros mais "baratos" (se é que existe juro barato no Brasil) é porque não queremos descolar a bunda da cadeira, em outras palavras somos vagabundos. Sim, vagabundos! Agora deputados e presidência argumentam que um aumento maior para o salário mínimo vai onerar o país. Ou melhor, este aumento "quebraria" o país. Eu no lugar dos representantes do PT em qualquer instância teria vergonha do que está acontecendo. Sim, o partido que se diz "DOS TRABALHADORES" que permitiu que deputados reajustassem seus salários em 60%, argumenta que um SM de R$ 560,00, R$ 600,00 ou R$ 700,00 é uma IRRESPONSABILIDADE.
O que eu entendo de tudo isto? Que a culpa é dos trabalhadores. Somos nós os culpados pelo rombo na previdência, afinal de contas fomos nós que pagamos todo aquele dinheiro que a Jorgina desviou e até hoje não devolveu. É nossa culpa!
Meu pai começou a trabalhar com seis ou sete anos, minha mãe com 14, a maioria dos meus familiares também, assim como os familiares de muitos dos meus amigos e conhecidos, mas se aposentar e aproveitar o período de descanso merecido após 60 anos de trabalho é impossível. Conheço raríssimas exceções que não continuam trabalhando em casa fazendo um artesanato, ou mesmo exercendo a sua atividade. E porque? Porque a aposentadoria não dá. E mais uma vez a culpa é do trabalhador, pois se eles continuam em atividade depois de se aposentar faltam empregos para quem está começando. Essa é a lógica de quem defende o atual governo. Lógica que não existia quando o este governo era oposição, diga-se de passagem.
Proponho que os trabalhadores acabem com este problema que tanto prejudica o Brasil. Que tal se todos nós parássemos de contribuir pagando impostos?
Todos estes políticos que estão no Congresso, no Senado, nas Câmaras de Vereadores, nos governos dos estados, nas prefeituras e na Presidência da República foram votados por nós (talvez não diretamente, mas como vivemos numa democracia representativa aonde a maioria ganha...) por defenderem a ideia de melhorias para os cidadãos trabalhadores deste país. Mas os trabalhadores são o verdadeiro problema do Brasil. Vejamos só: nós recebemos um salário mínimo que não chega ao final do mês, contribuímos para a nossa aposentadoria por 35 anos e só podemos usufruir deste "benefício" após trabalhar por 65 anos, pagamos impostos embutidos em todos os produtos que consumimos, precisamos pagar por assistência médica pois o SUS não comporta a quantidade de pessoas que dele necessitam, a segurança é precária e a educação também vai mal. Trabalhamos, pagamos, contribuímos, ralamos para no final, após votar em promessas vãs, somos surrupiados e achincalhados pelos nossos representantes.
FHC disse que aqueles que se aposentaram com menos de 60 anos eram vagabundos! Lula disse que se não vamos procurar aonde tem juros mais "baratos" (se é que existe juro barato no Brasil) é porque não queremos descolar a bunda da cadeira, em outras palavras somos vagabundos. Sim, vagabundos! Agora deputados e presidência argumentam que um aumento maior para o salário mínimo vai onerar o país. Ou melhor, este aumento "quebraria" o país. Eu no lugar dos representantes do PT em qualquer instância teria vergonha do que está acontecendo. Sim, o partido que se diz "DOS TRABALHADORES" que permitiu que deputados reajustassem seus salários em 60%, argumenta que um SM de R$ 560,00, R$ 600,00 ou R$ 700,00 é uma IRRESPONSABILIDADE.
O que eu entendo de tudo isto? Que a culpa é dos trabalhadores. Somos nós os culpados pelo rombo na previdência, afinal de contas fomos nós que pagamos todo aquele dinheiro que a Jorgina desviou e até hoje não devolveu. É nossa culpa!
Meu pai começou a trabalhar com seis ou sete anos, minha mãe com 14, a maioria dos meus familiares também, assim como os familiares de muitos dos meus amigos e conhecidos, mas se aposentar e aproveitar o período de descanso merecido após 60 anos de trabalho é impossível. Conheço raríssimas exceções que não continuam trabalhando em casa fazendo um artesanato, ou mesmo exercendo a sua atividade. E porque? Porque a aposentadoria não dá. E mais uma vez a culpa é do trabalhador, pois se eles continuam em atividade depois de se aposentar faltam empregos para quem está começando. Essa é a lógica de quem defende o atual governo. Lógica que não existia quando o este governo era oposição, diga-se de passagem.
Proponho que os trabalhadores acabem com este problema que tanto prejudica o Brasil. Que tal se todos nós parássemos de contribuir pagando impostos?
domingo, fevereiro 13, 2011
Compartilhando texto da Niara de Oliveira
Compartilho este texto da Niara de Oliveira por concordar inteiramente com ela. "O jornalismo deles e o nosso" é um post dedo na ferida, do jeito que eu gosto.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Pare a tortura dos familiares dos desaparecidos políticos - Blogagem coletiva #desarquivandoBR
Hoje é o último dia da blogagem coletiva #desarquivandoBR encabeçada pela Niara e o Tsakkov . Juro que eu pensei em muita coisa para escrever e quis muito, muito ter tido tempo para escrever uns 15 posts sobre este assunto. Mas o tempo foi curtíssimo para mim e cá estou eu nos últimos segundos do segundo tempo.
O período da Ditadura Militar, que durou vinte anos, os mais duros (ou pelo menos alguns dos) na história do Brasil sempre me despertaram interesse. O tema e a história do nosso país são muito importantes e me interessam demais, tanto que a censura foi o tema do meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo e a Anistia foi o tema do meu artigo de conclusão da especialização em História do Brasil. Durante a pesquisa para realizar estes trabalhos eu precisei (e ainda hoje busco muito) ler a respeito dos anos de chumbo. Li coisas que me chocaram e fizeram chorar tamanha a perversidade utilizada pelos militares para com os presos políticos. Coisas absurdas com nome e sobrenome como pau-de-arara e cadeira do dragão que li no livro "Cale a boca jornalista!" do Fernando Jorge. Mas, para mim, a maior perversidade que ainda resiste no Brasil é esta negação da abertura dos arquivos secretos, o reconhecimento e a punição dos torturadores e (o pior de tudo) ainda existirem desaparecidos políticos e o governo, no caso os últimos FHC e Lula, não tomar uma atitude efetiva de esclarecimento disto.
Não existe tortura maior do que privar as famílias de enterrarem seus mortos, de saberem o que realmente aconteceu com seus entes queridos e saber que talvez a Justiça nunca venha a ser feita . Dizem que precisamos saber e lembrar para que coisas terríveis como a tortura ou o holocausto não se repitam. É terrível saber que funcionários públicos torturavam e matavam cidadãos que se opunham a politica do governo a mando deste mesmo governo.
Quando um homem do povo, sindicalista, presidente do partido dos trabalhadores chegou pela primeira vez a presidência do Brasil muitos pensaram (como eu pensei) que os arquivos seriam abertos e os culpados punidos, mas nada disto aconteceu. Porque este mesmo governo (que se diz) de esquerda mudou muito durante dois mandatos presidenciais. Agora uma mulher, ex-guerrilheira que foi torturada, perseguida e exilada foi eleita Presidenta (como ela gosta e prefere ser chamada) do nosso país. Na minha cabeça, não há, entre inúmeros brasileiros quem queira mais que torturadores sejam punidos do que uma vítima de tortura. Espero sinceramente que isto seja verdade e a nossa presidenta atue para que este desarquivamento aconteça. Haverá pressão dos militares que foram anistiados junto aos presos e exilados, mas Dilma não deve aceitar. Ela deve resistir como aconteceu no passado. E nós continuaremos mobilizados.
O período da Ditadura Militar, que durou vinte anos, os mais duros (ou pelo menos alguns dos) na história do Brasil sempre me despertaram interesse. O tema e a história do nosso país são muito importantes e me interessam demais, tanto que a censura foi o tema do meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo e a Anistia foi o tema do meu artigo de conclusão da especialização em História do Brasil. Durante a pesquisa para realizar estes trabalhos eu precisei (e ainda hoje busco muito) ler a respeito dos anos de chumbo. Li coisas que me chocaram e fizeram chorar tamanha a perversidade utilizada pelos militares para com os presos políticos. Coisas absurdas com nome e sobrenome como pau-de-arara e cadeira do dragão que li no livro "Cale a boca jornalista!" do Fernando Jorge. Mas, para mim, a maior perversidade que ainda resiste no Brasil é esta negação da abertura dos arquivos secretos, o reconhecimento e a punição dos torturadores e (o pior de tudo) ainda existirem desaparecidos políticos e o governo, no caso os últimos FHC e Lula, não tomar uma atitude efetiva de esclarecimento disto.
Não existe tortura maior do que privar as famílias de enterrarem seus mortos, de saberem o que realmente aconteceu com seus entes queridos e saber que talvez a Justiça nunca venha a ser feita . Dizem que precisamos saber e lembrar para que coisas terríveis como a tortura ou o holocausto não se repitam. É terrível saber que funcionários públicos torturavam e matavam cidadãos que se opunham a politica do governo a mando deste mesmo governo.
Quando um homem do povo, sindicalista, presidente do partido dos trabalhadores chegou pela primeira vez a presidência do Brasil muitos pensaram (como eu pensei) que os arquivos seriam abertos e os culpados punidos, mas nada disto aconteceu. Porque este mesmo governo (que se diz) de esquerda mudou muito durante dois mandatos presidenciais. Agora uma mulher, ex-guerrilheira que foi torturada, perseguida e exilada foi eleita Presidenta (como ela gosta e prefere ser chamada) do nosso país. Na minha cabeça, não há, entre inúmeros brasileiros quem queira mais que torturadores sejam punidos do que uma vítima de tortura. Espero sinceramente que isto seja verdade e a nossa presidenta atue para que este desarquivamento aconteça. Haverá pressão dos militares que foram anistiados junto aos presos e exilados, mas Dilma não deve aceitar. Ela deve resistir como aconteceu no passado. E nós continuaremos mobilizados.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Caminhada de concientização pela doação de medula
Acontece neste domingo, 13 de fevereiro, na praia do Laranjal Caminhada de concientização de Doação de Medula Óssea. A saída será do Shoping Mar de Dentro às 17 horas. Compareça!!!!!!
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Cavalheirismo ou apenas uma forma "sutil" de dominação?
Outro dia lendo o comentário de uma amiga sobre a iniciativa de um homem que não te conhece se oferecer para te pagar uma bebida e sobre qual seria a reação dele se a sua atitude fosse responder, "não, eu mesma pago o que vou beber". Fiquei pensando em como NÃO GOSTO desta situação no meu dia-a-dia. Desde que comecei a sair nunca gostei de fazê-lo sem grana. Também nunca aceitei que os guris pagassem bebidas ou entradas em eventos. Óbvio que algumas vezes os rapazes pagaram a conta sozinhos, mas não sem algum protesto meu. Alguns amigos argumentavam não ver nada demais em pagar a conta sozinho "afinal de contas somos amigos". Outros acreditam que assim é que deve ser, pois é uma atitude normal e até tradicional. Para eles quem deve pagar a conta é o homem e assumem se sentir muito desconfortáveis quando a mulher paga a conta sozinha. Eu acho que, justamente por sermos amigos não há mal algum em dividirmos a conta. Não fica pesado pra ninguém!Só que neste "cavalheirismo" em que o homem paga a conta, te pega e te leva em casa, estes dois últimos no tempo dele, é claro, há algo implícito. E me incomoda demais.
Não gosto que os homens paguem a conta sozinhos. Para mim é uma forma de dominação sobre a minha pessoa. No meu entender a independência financeira é um ponto determinante para a independência da mulher de um modo geral. Não é que a paquera não vá acontecer, não quer dizer que nos encontros a conta deva sempre ser rachada. A questão é que sempre me senti numa situação desagradável quando outra pessoa paga as minhas contas, seja quem for. E mais, me sentia como uma espécie de "propriedade" do pagante, pois muita coisa vem implícita naquele convite "inocente" de pagar uma bebida.
Quando eu comecei a escrever este post e quando li os comentários da minha amiga Anucha e mais precisamente quando comecei a pensar em como me sinto em relação a esta situação, cheguei a pensar que estava falando uma bobagem. Que muitas mulheres e homens (com certeza os 20 seguidores, a quem sou muito grata por lerem meu blog) fossem ler minhas palavras e dizer BOBAGEM, ISTO QUE DIZES É UMA GRANDE BOBAGEM! No entanto, vivemos num mundo machista e que esta sim entranhado na nossa sociedade. E mesmo que conscientemente e tão hipocritamente, como sabemos, se diga através dos lábios que isto não existe mais e que as mulheres "dominaram" o mundo, a verdade é que muitas mulheres se submetem aos caprichos de maridos e companheiros violentos por serem dependentes financeiramente.
Alguns crimes passionais, inclusive, se dão justamente por existir entre o homem e a mulher esta relação de dono e propriedade. Como fala a Dra. Luiza Nagib Eluf no livro A paixão no banco dos réus* "O crime passional costuma ser uma reação daquele que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamento sexual mas também do fator econômico. O homem, em geral, sustenta a mulher, o que [pg. XIII] lhe dá a sensação de tê-la “comprado”. Por isso, quando se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar."
Creio que há base para o meu argumento. Claro que é legal tu sair sem te preocupar com a conta. É óbvio que às vezes a gente gosta de ser paparicada! Só que alguns homens confundem dar um presente com "comprar" a mulher! É como se fosse uma negociação comercial, te levo pra jantar e tu me dá depois. Tá certo que algumas mulheres se vendem! Tenho uma ou duas amigas que só saem com caras que bancam tudo! O que eu acho absurdamente errado!
Fico assustada com a existência de situações como estas ainda hoje! Fico perplexa quando ouço alguém dizer que fulana deve casar com um cara bem de vida para sustentá-la! Na minha cabeça sinto como se voltasse a década de 20, 30, sei lá! Vai saber se o choque maior não é porque fui criada para ser independente? E isto foi uma criação dada não só pela minha mãe, mas meu pai também defendia que eu devia estudar, trabalhar e ser independente desde que eu era criança. Pode ser que esta forma dele agir seja interpretada por algumas pessoas como machismo, também. E até certo ponto é, afinal de contas ele tem mais de 60 anos. A questão primordial é que ele não pretendia, e não pretende ainda, me casar. Não faz parte da ideia dele encontrar um "homem de boa família e situação financeira" que me assuma. Meu pai me criou para que eu não dependesse de ninguém, para que eu fosse dona da minha vida. Claro, ele quer que eu o obedeça, mas isto é outra história.
*Neste link dá pra baixar o livro em PDF.
"Inimigo íntimo" ou "Dormindo com o inimigo"
Sempre fico muito chocada quando leio sobre casos de agressão, morte ou violência. Os casos que mais me chocam são aqueles regados a crueldade, os que acontecem sobre a tutela ou revelia do Estado, os que atacam diretamente as mulheres, as crianças e os idosos. Estes são os que me deixam destruída, pensando que tipo de criatura maltrata uma criança? Todos os outros crimes de violência, sejam eles individuais, sejam aqueles ocorridos em situações extremas (como as guerra) fazem com que o meu sentimento de estar num mundo que vai de mal a pior só aumente. É duro ler tantas notícias a respeito destas coisas. Mas não posso simplesmente virar as costas e hipocritamente, como já ouvi algumas vezes, dizer que as matérias me chocam tanto que não leio mais jornal ou assisto televisão. Me chocam, me machucam e me levam as lágrimas sim, mas faço o possível para que outras pessoas ao meu redor saibam que este tipo de coisa desumana acontece e que é nossa obrigação não permitir que continuem acontecendo. São elas também que não me permitem perder o poder de me indignar.Quis deixar isto pra lá, adormecido em algum lugar qualquer do meu ser, mas com o amadurecimento (e espero crescimento como ser humano e espiritual) percebi que não posso me eximir das minhas culpas e ficar, logo agora, calada diante de uma injustiça. Acredito que se as pessoas buscam ajuda junto a mim, mesmo que eu acredite não saber como ajudar, preciso fazer algo, nem que seja apenas escutar. Nunca ficar passiva. Confesso que na maioria das vezes (e estou trabalhando muito para mudar isto) me envolvo demais nos problemas dos outros. Perco sono, me angustio e me irrito demasiado. Desperdiço energia de forma descontrolada e fico com a carga ruim toda comigo. Já me aconselharam, como estou aprendendo a ser espírita*, entrar num grupo de trabalho e estudo da doutrina, coisa que estou determinada a fazer neste ano. Junto a isto também quero fazer um trabalho voluntário. Preciso me organizar e disciplinar, é verdade! Mas atualmente sinto-me um pouco mais... não sei se preparada é a palavra certa, talvez a expressão mais correta seja consciente. Desta forma poderei me dedicar de forma adequada, não só para as questões universais, espirituais, etc, mas as coisas no mundo, que quero sim, que seja melhor. Utopia???
Pode ser... Mas me comprometo a fazer a minha parte e prefiro tentar fazer o melhor.
Agora voltando ao tema que tanto tem me preocupado nos últimos dias... a violência doméstica me assusta bastante, principalmente quando vejo que tem muita gente que culpa a vítima pela agressão que sofre. Mesmo eu, ainda custo a compreender a passividade de algumas mulheres que sofrem violência. Sei que existe uma teia que acaba prendendo a mulher ao agressor. Percebo-a, mas meu coração tão rebelde, tão indignado quer que elas gritem e esperneiem, que vão a luta, fujam de casa, salvem os filhos, salvem suas próprias vidas. E me dói não compreender o medo que elas tanto sentem e o amor que elas tanto tem por estes homens que as agridem. Mas eu não acho que elas sejam culpadas, aliás isto é coisa que não me passa pela cabeça. A menos, claro, que a mulher me diga que no momento do sexo ela aceita tomar uns tapas! Daí sim, eu acho que não tem jeito! Até falei sobre isto aqui. O texto é pequeno até, em relação ao quanto sou prolixa e escrevo muito, mas transmite a ideia que tenho em relação a questão.
Digo que saber que mulheres são agredidas e violentadas diariamente me perturba muito. E passou a me incomodar ainda mais quando soube de amigas próximas que haviam sofrido agressões. Não sou capaz de olhar para qualquer um destes homens que cometeram violência sem sentir nojo! Cresce dentro de mim uma náusea que sob até a garganta, uma biles quente e amarga. E ver (um dos agressores eu conheço) a pessoa sorrindo e brincando é muito difícil.
O mais preocupante é a situação de uma guria que gosto muito, tem uma filhinha e hoje está morando longe dos pais. Ela foi embora, para outro estado, para viver com o pai da sua filha. As vezes até me sinto culpada, pois ela me falou sobre sua decisão e eu acreditei que era uma coisa boa eles viverem e criar a filha juntos. Logo que ela foi as coisas estavam ótimas. Ela sempre falava bem dele, que pagava pensão direitinho, que ligava pra saber da filha, ia visitar.
Um alarme piscou dentro de mim quando soube que ele era da polícia militar do lugar aonde elas foram morar. É sim, eu sempre digo que não tenho preconceitos e luto todo santo dia contra qualquer pensamento preconceituoso que possa invadir a minha mente, tal qual escreveu o Thiago neste post primoroso. No entanto, quando se trata de policiais e mais especificamente militares, eu tenho um pé (ou dois) atrás. Tento fazer algo para espantar o sentimento de que eles são pessoas bem mais violentas do que as outras e que muito disso vem do próprio trabalho. Não pensem que criei esta ideia da minha cabeça não! Tampouco que generalizo. O fato é que a grande maioria dos brigadianos (aqui no sul são a polícia mais conhecida) são pessoas truculentas. Não vou entrar no mérito da questão em relação aos PMs. Mas meu sexto sentido me indicou que algo não era assim tão cor de rosa como parecia com a minha amiga.
Fui percebendo alguns sinais que me alertaram. Primeiro uma discussão que ele teve com ela, por telefone, por estar utilizando o chip que havia comprado para falar com ele para falar comigo. Achei absurdo o bate-boca! Mas ela argumentou que gostava dele, que queria o melhor para a filha e iria tentar a vida com ele. A família dela em peso era contra a mudança, passou o último mês de gestação aqui e ficou até a filha completar um ano de idade. Na visão deles não havia necessidade de ir pra lá, ela estava bem aqui. Mas ela sentia-se obrigada a tentar pela filha, para quem quer o melhor.
Logo que minha amiga chegou na casa dele vez por outra nos falávamos por msn ou gtalk. Então ela começou a me perguntar como fazer para não salvar as conversas no msn e no gtalk, pois ele tinha a senha e lia as conversas dela com as amigas. Foi numa destas conversas que ela me falava sobre como ele era organizado e exigente e ficava irritado com a menina fazendo manha. Ele reclamava das coisas fora do lugar, de brinquedos espalhados pela casa e gritava com a criança, que perguntei se ele era violento. O que ela negou. Só que ele lia nossas conversas daí concluo que ela pode ter negado por isto.
Após ler a meu questionamento, mais tarde, ele perguntou se ela o achava violento. Ao que ela, querendo ser engraçada talvez respondeu com a boa e velha "dependendo do momento um tapa até pode ser bem vindo"!
É o que eu disse acima, para mim não é possível discernir e separar esta coisa de na cama pode tapa e fora da cama não pode. Como escrevi no post (com link lá em cima) sexo é pra ser feito com carinho e amor. Tudo bem, se a pessoa aceita algemas, cinta-liga e chicotes, quem sou eu pra julgar? Não estou julgando ninguém, apenas deixo claro que pra mim não serve. PRA MIM. Quem for chegado tudo bem! Também não tenho como discorrer a respeito do tema, pois não sou psicóloga, nem psiquiatra, não tenho conhecimento necessário para debater a respeito. Apenas exponho o que não gosto pra mim. Mas cada um com o seu fetiche!
É que no caso da minha amiga, que o comportamento dele vinha mudando e a violência vinha num crescendo, não me parece muito inteligente dizer que "dependendo do momento um tapa vem bem". Até porque não está especificado o momento de quem.
E para ela que reclamava que ele saia com os amigos e ela não podia, que ela trabalhava fora e ainda assim ele reclamava muito da casa não estar arrumada, que a comida era ruim, que ela mimava muito a filha e por aí ia... O que tinha ficado demonstrado (pra mim) é que ela tinha aceitado a posição de submissa. Ele mandava e ela obedecia. Bem desse jeito!
Tanto que mais tarde minha amiga também relatou que uma outra mulher, ex-namorada do dito cujo, estava grávida e que ele tinha outras mulheres e mais uma série de coisas. Ele não aceitava que ela se metesse na vida dele. É sim, ele tinha uma vida e ela não deveria interferir. O dever dela era cuidar dele e da casa, quanto ao que acontecia fora, não lhe dizia respeito. Meu critério para que duas pessoas fiquem juntas é o amor e o respeito que cada um tem pelo outro. Me parece óbvio, não? Portanto, sempre que ela reclamava eu questionava se ela gostava dela e ela dele, como eram as outras coisas, se a ex-namorada interferia na vida dos dois. As respostas eram quase sempre as mesmas, ela gostava dele, ele dela, a ex não interferia, mas ela sentia ciúme do tratamento dispensado a outra e dos cuidados. Isto até o dia em que ela me relatou que ele havia batido nela. Ela dizia-se envergonhada, que não tinha com quem conversar a respeito, que não sabia o que fazer. A declaração mais chocante foi dele para ela sobre a agressão, que para ele não havia ocorrido pois, nas palavras dele, "se ele tivesse realmente batido nela, ela estaria no hospital"!
Eu disse que ela fosse apresentar queixa e deixasse dele o quanto antes. Fiquei com medo. Mas... como disse não compreendo os motivos que prendem vítima e agressor na mesma teia, só sei que ela existe e é resistente. É preciso muita força para romper com ela. Passaram alguns meses, continuava existindo briga e aconteceu uma nova agressão. O outro filho já tinha nascido e ele acompanhava a mãe e o bebê ao médico, pagava remédios, enfim... As brigas continuavam! Ela argumentava não ir fazer queixa por ele ser da polícia e que todos na cidade ficariam falando. Além dos bate bocas sempre havia a ameaça de que ele tiraria a filha dela. Com medo disso ela adiava sua separação dele. Mas ela me ligava e falava, queixava-se e eu sempre ia dizendo que ela precisava ir embora. Que esquecesse a vergonha, afinal de contas quem deveria sentir-se envergonhado ERA ELE. Não sei se ela está prestes a vir ou não. Não nos falamos mais desde este dia. Estou preocupada com a sua situação e de sua filha. Fico apreensiva pela falta de notícias e me angustia saber que, infelizmente, é conhecido o fato de que em algumas regiões do Brasil, inclusive a que ela está, acontecem muitos casos de violência doméstica. Tantas que algumas vezes não são nem noticiados como bem escreveu o psiquiatra, poeta, escritor (e lindo) Jaime Vaz Brasil no texto "Dormindo com o inimigo"**, no Jornal Zero Hora do dia 16/09/2006. Inclusive neste texto ele fala sobre os sinais de alerta sobre a personalidade violenta.
Pesquisei o comentário na Internet, para poder postar o link, no entanto só o encontrei no blog Mme. Mean.
Desejo profundamente que minha amiga esteja bem e que a teia seja rompida de forma definitiva! Estou procurando contato com ela. Espero consegui-lo ainda hoje.
Agradeço a vocês que leram até aqui, pois o texto é realmente longo, mas não há como falar sobre a violência contra mulher sem se estender. É impossível pra mim dizer dos meus sentimentos de forma sintética. No comentário do post anterior a Livia destacou que as mudanças acontecem de forma lenta e muita coisa mudou. Mas ainda tem muito mais o que mudar. A violência, o preconceito parecem estar muito longe de nós porque recebemos as informações pelo jornal ou TV, a verdade é que ela pode estar muito mais próxima do que se pensa. Precisamos parar para observar.
*Estou aprendendo a ser espírita porque para isto é necessário uma grande reforma por dentro e por fora. Desprender de preconceitos, desapegar de coisas, não super valorizar pequenas coisas, aprender a mar... enfim... é uma caminhada. Não basta ir ao centro e tomar um passe para ser espírita. E não é tão somente pela questão espirita religiosa. Vai mais além. Creio que não seja possível ser um espírita, um católico-cristão, evangélico, umbandista, muçulmano, budista ou seja lá qual religião sem ser um SER HUMANO DE VERDADE, MELHOR, CARIDOSO, VERDADEIRO, BOM, JUSTO. Por isto digo que estou aprendendo, algumas vezes erro feio.
** Como não encontrei no link do jornal o texto do Jaime Vaz Brasil, copiei ele do blog Mme. Mean e colo ele aqui embaixo.
Dormindo com o inimigo.
(JAIME VAZ BRASIL in Zero Hora, 17.09.2006)
Até o momento, os indícios são de que o coronel Ubiratan Guimarães foi assassinado por sua ex-namorada. Situação rara, o homem vítima de crime passional. O contrário chega a ser tão corriqueiro, que pode até não dar notícia. Mas os números assustam: são mais de 2,5 mil mulheres mortas no Brasil, por ano, vitimadas por seus companheiros ou ex-companheiros. Mais de sete casos por dia. E a estatística contempla apenas casos comprovados.
Em que pese uma duvidosa paixão (do grego pathos: doença, sofrimento), a passionalidade da maioria desses crimes é premeditada e não deriva apenas - como se poderia pensar - de uma forte emoção momentânea. O homicida passional é geralmente narcisista. A raiz narc significa sono. Daí as palavras narcóticos e narcolepsia, por exemplo. Assim, o narcisista está enamorado de si e também "adormecido em si mesmo". Ao criar o próprio mundo fantasioso (sono para ele, pesadelo para ela), os regramentos desse mundo-umbigo trazem à tona o egocentrismo e os núcleos paranóides, expressos através do ciúme e condutas controladoras.
O perfil geralmente é de um homem com mais de 30 anos, ciumento ao extremo, possessivo e vaidoso. Não raro, está unido a uma mulher mais jovem. Se a paixão pode levar ao crime, é preciso entendê-la como a paixão-doença propriamente dita, com a carga de sofrimento inerente. (Lembremos que a paixão de Cristo significa o seu martírio.) Quando o potencial agressor se sente infidelizado ou abandonado, pouco importará se a infidelidade realmente aconteceu. Do mesmo modo que pensar-se apaixonado é o mesmo que estar apaixonado, pelo menos em atitudes.
O sentimento de abandono que é gerado pela separação pode, nesses caldos de cultura, ocasionar um movimento regressivo do psiquismo. Ou seja: o comportamento volta a ser regido com batutas de primeira infância, onde adormecer no colo da mãe representa - em tese - a maior das seguranças. Mas é exatamente lá que o abandono ilusório arma a trama e a cama do pesadelo: o bebê, ao não ver o rosto da mãe (ou cuidador) no seu campo visual, tende a ler isso como um abandono, pois não possui instrumentos psíquicos para compreender que o mundo existe além do que enxerga. Por isso, cria o seu próprio. E também com suas leis de sobrevivência, pois o bebê humano, se realmente abandonado, não sobrevive. A regressão do homicida chega a esse berço pré-verbal, e ali estende o lençol. Recria o mundo onde abandono e aniquilamento viram sinônimos. A sensação de ser destruído pelo abandonante está intimamente ligada aos crimes passionais. Assim, as reações às pequenas frustrações do cotidiano pode ser um preditor, como em uma regra de três: reagindo de tal forma em uma situação cotidiana simples, como agirá frente a um estressor real e maior?
Os homens agressivos e com maior ou menor potencial homicida costumam dar sinais deste comportamento com certa antecedência. Desde adolescentes. Por exemplo: um jovem acostumado a gritar com a própria mãe, como tratará a futura esposa? No mínimo, repetirá a conduta.
O aspecto machista não pode ser desconsiderado. Vale a lembrança de que Doca Street foi praticamente absolvido em seu primeiro julgamento (1979) e saiu do tribunal sob aplausos, pois a absurda tese da "legítima defesa da honra" saiu vencedora. Felizmente, pela última vez: a partir daquele caso esse tipo de tese não vingou mais. (E, no segundo julgamento, foi condenado.)
Ao contrário das mulheres das classes mais pobres, as de classe média ou alta não costumam acorrer na mesma proporção à delegacia da mulher, por dupla vergonha. Nisso, o fator financeiro também conta no par dominante-dominado: mulheres independentes tendem a tolerar menos as condutas agressivas e o ciúme exagerado.
Se, por um lado, o termo ciúme deriva de zelus, zelumen (zelo em si, cuidado), há que colocá-lo em um gradiente de quantidade. Como o fogo, pode ser muito útil ao homem, desde que na dose certa e com nosso controle sobre ele. Se o fogo assume o comando, o resultado é desastroso. O elemento é o mesmo, mas incêndio sempre é trágico, pois saímos de controladores para controlados.
Quando a mulher se encontra ameaçada pelo parceiro, não deve esperar passivamente que os atos agressivos se repitam. A cronicidade dos comportamentos violentos aumenta a chance de algo maior, ali adiante. É um indicador forte. Especialmente se acompanhado de ciúme exagerado e consumo de bebidas alcoólicas. Esse trio de fatores é de tirar o sono. Contudo, melhor perder o sono hoje do que a vida amanhã.
PS.: As imagens foram retiradas do google imagens.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Little Rock nine - 4 de setembro de 1957
Recebi um email com "45 fotografias históricas". Junto a cada foto veio a data e o momento histórico. Esta aí ao lado, é do dia 4 de setembro de 1957, em Little Rock, Arkansas, exatamente 20 anos antes de eu nascer. A moça da imagem é Elisabeth Eckford que foi acossada ao ir a escola, depois que a corte decretou o fim da segregação racial na educação. Quando vi a data da fotografia não pude deixar de exclamar: "eu sabia! Algo de importante contra o preconceito tinha que ter acontecido no dia do meu aniversário!". Deve ser a energia desta data, com destaque para a coragem da moça que enfrentou as agressões, a força dos negros que lutaram (e ainda lutam) para vencer a segregação racial e alguns episódios da vida passada (descobertos por acaso) que me dão esta revolta que não me deixa aceitar que este tipo de coisa ainda ocorra. Não é porque alguns dizem que isto não existe, que é normal que devemos aceitar. Hipocrisia é um veneno que só faz atrapalhar. O preconceito é um mal e devemos lutar contra. Quando se clama por leis, não se busca apenas proteção, antes disso se busca o RESPEITO. Não podemos perder a capacidade de nos indignar diante das injustiças, ao contrário do que possam dizer ou parecer, ELAS NÃO SÃO NORMAIS!terça-feira, janeiro 25, 2011
O trânsito
Não estou desviando do assunto que tanto tem me ocupado, comovido e balançado nas últimas semanas para escrever sobre um assunto que considero importante e é pauta em praticamente todas as cidades. Na verdade fui deixando e deixando pra lá. O motivo de eu escrever é, ao mesmo tempo, os problemas estruturais de trânsito e irresponsabilidade dos motoristas. Não queria escrever, mas não aguento saber que as coisas são discutidas de forma distorcida.
Antes da rótula da avenida Ferreira Vianna (que dá acesso as charqueadas e praia do Laranjal) com avenida São Francisco de Paula ficar pronta e a duplicação ser liberada, meu pai disse que o canteiro era muito grande e seria o motivo de acidentes. De fato a rótula é bem grande e para quem desconhece a mudança pode se tornar um problema. Pensei que se a sinalização fosse observada e a velocidade respeitada não haveria maiores problemas.
Logo em seguida da liberação soube de um acidente ocorrido na madrugada de sexta para sábado, justo ali, naquele lugar. Concordo que as dimensões da rótula parecem exageradas, no entanto, não posso concordar que a Secretaria Municipal de Trânsito seja culpada sozinha. O acidentado foi salvo pelo airbag do carro importado que dirigia, mas estava sem cinto, em alta velocidade e havia ingerido bebida alcoolica. Certamente para os pais deste jovem a culpa seja somente da má realização de uma obra municipal, que realmente naquele local como em outros tantos pontos da cidade deixa a desejar. No entanto, observando do lado de fora, sem protecionismo, não se pode ignorar a irresponsabilidade do condutor. Para a sorte deste motorista os prejuízos foram apenas materiais. Ele não feriu ninguém. Mas poderia.
Eu não dirijo, não tenho carteira, não tenho carro e transito pelas ruas de carona e a pé. Acompanho a luta de amigos ciclistas que solicitam mais ciclo faixas e apóio as iniciativas tanto para a melhoria do trânsito quanto pela preservação do meio ambiente. Talvez algumas pessoas digam que se não conduzo veículos, não posso opinar quanto a sinalização e as condições estruturais deste. Respondo logo, tenho olhos para ver que algumas coisas funcionariam muito melhor se fossem de outra forma. Por exemplo, o trevo do Big, na Juscelino com Bento Gonçalves, ali deveria existir uma rótula e não aquela coisa que tem ali. Já foram feitas, que eu me lembre duas mudanças no local e continua ruim. Os carros que vem pelo prolongamento da avenida, do bairro, tem que fazer uma super volta se precisar entrar na Juscelino, a menos que façam um gato (o que é comum). O pedestre que desce a rua precisa cuidar os carros que dobram da Bento para a Juscelino e mais os "gateiros". Noutras ruas o estacionamento paralelo não permite que quem está atravessando a rua - a pé ou de carro- enxergue os veículos que transitam. Há buracos, falta sinalização.
Falta fiscalização para que a legislação, como a lei Seca, se cumpram. E falta consciência da população, pois todos nós fazemos o trânsito das cidades o inferno que é. Com uma ajudinha das secretarias que algumas vezes ao invés de melhorar atrapalham. Pedestres, ciclistas, motociclistas, condutores, taxistas, motoristas de ônibus, charreteiros, cada um de nós tem sua parcela de participação, para que o trânsito na nossa cidade flua ou se torne um caos. Como pedestre vamos começar a atravessar na faixa ou aonde tem semáforo. Como motorista vamos respeitar a sinalização. Motociclista não esqueça que também é um veículo e está sujeito as leis. Enfim...
Antes da rótula da avenida Ferreira Vianna (que dá acesso as charqueadas e praia do Laranjal) com avenida São Francisco de Paula ficar pronta e a duplicação ser liberada, meu pai disse que o canteiro era muito grande e seria o motivo de acidentes. De fato a rótula é bem grande e para quem desconhece a mudança pode se tornar um problema. Pensei que se a sinalização fosse observada e a velocidade respeitada não haveria maiores problemas.
Logo em seguida da liberação soube de um acidente ocorrido na madrugada de sexta para sábado, justo ali, naquele lugar. Concordo que as dimensões da rótula parecem exageradas, no entanto, não posso concordar que a Secretaria Municipal de Trânsito seja culpada sozinha. O acidentado foi salvo pelo airbag do carro importado que dirigia, mas estava sem cinto, em alta velocidade e havia ingerido bebida alcoolica. Certamente para os pais deste jovem a culpa seja somente da má realização de uma obra municipal, que realmente naquele local como em outros tantos pontos da cidade deixa a desejar. No entanto, observando do lado de fora, sem protecionismo, não se pode ignorar a irresponsabilidade do condutor. Para a sorte deste motorista os prejuízos foram apenas materiais. Ele não feriu ninguém. Mas poderia.
Eu não dirijo, não tenho carteira, não tenho carro e transito pelas ruas de carona e a pé. Acompanho a luta de amigos ciclistas que solicitam mais ciclo faixas e apóio as iniciativas tanto para a melhoria do trânsito quanto pela preservação do meio ambiente. Talvez algumas pessoas digam que se não conduzo veículos, não posso opinar quanto a sinalização e as condições estruturais deste. Respondo logo, tenho olhos para ver que algumas coisas funcionariam muito melhor se fossem de outra forma. Por exemplo, o trevo do Big, na Juscelino com Bento Gonçalves, ali deveria existir uma rótula e não aquela coisa que tem ali. Já foram feitas, que eu me lembre duas mudanças no local e continua ruim. Os carros que vem pelo prolongamento da avenida, do bairro, tem que fazer uma super volta se precisar entrar na Juscelino, a menos que façam um gato (o que é comum). O pedestre que desce a rua precisa cuidar os carros que dobram da Bento para a Juscelino e mais os "gateiros". Noutras ruas o estacionamento paralelo não permite que quem está atravessando a rua - a pé ou de carro- enxergue os veículos que transitam. Há buracos, falta sinalização.
Falta fiscalização para que a legislação, como a lei Seca, se cumpram. E falta consciência da população, pois todos nós fazemos o trânsito das cidades o inferno que é. Com uma ajudinha das secretarias que algumas vezes ao invés de melhorar atrapalham. Pedestres, ciclistas, motociclistas, condutores, taxistas, motoristas de ônibus, charreteiros, cada um de nós tem sua parcela de participação, para que o trânsito na nossa cidade flua ou se torne um caos. Como pedestre vamos começar a atravessar na faixa ou aonde tem semáforo. Como motorista vamos respeitar a sinalização. Motociclista não esqueça que também é um veículo e está sujeito as leis. Enfim...
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Legitima defesa... da honra????
Com o argumento da legítima defesa da honra no passado muitos assassinatos de mulheres ficaram por isso mesmo, ou melhor, as mulheres, que deveriam ser as vítimas, ficaram como culpadas do próprio assassinato ou agressão. O detalhe é que este argumento não vale para as mulheres. Só tinha direito a "lavar sua honra com sangue" o homem que se considerasse traído. Para as mulheres não valia, sendo que o assassinato não é uma das opções mais escolhidas pelas mulheres que se sentem lesadas. Numa entrevista, há alguns anos atrás, a autora do livro "A paixão no banco dos réus", Luiza Nagib Eluf destacou que crimes passionais são uma atitude geralmente masculina. Na época, inclusive, lembro que ela usava este argumento sobre o caso da morte de PC Farias e sua namorada, aliás não esclarecido.
Ouvi e li outras pessoas que reforçam o argumento de que crimes passionais são, em sua maioria, atitudes masculinas. Mas o mundo vai evoluindo através dos anos e a gente pensa que as pessoas também.
Sim, muita coisa mudou. Algumas leis de proteção feminina surgiram, uma sob a denominação de Maria da Penha. A intenção seria apressar a prisão de homens que agridem as mulheres e evitar a possível morte delas. No entanto, algumas revisões legislativas sob o parecer de alguns juízes pode colocar em perigo a efetiva funcionalidade de tal lei. A 6ª Turma do STJ "entendeu que processos envolvendo a Lei Maria da Penha podem ser suspensos condicionalmente por até quatro anos". Este entendimento me parece bem estranho, já que a função/objetivo da lei era o de acelerar e endurecer as penas em relação a violência doméstica.
Fico pensando comigo... as penas em regime semi-aberto de crimes como assaltos, homicídios, lesões corporais ou tráfico de drogas são problemáticas! O sistema penitenciário, como bem sabemos, não recupera ninguém. O endurecimento das penas para este tipo de crimes é importante, e são reivindicadas por todos afinal, atingem a sociedade de forma geral e preocupa a todos. Mas as reviões destas penas, assim como a condicional são cheias de falhas, o homem que foi recolhido não tem como ser recuperado em cadeias super lotadas e quando saem para o semi aberto acabam voltando a vida de crimes.
Já a violência doméstica... bem, este crime atinge de forma direta as mulheres e por muito e muito tempo foram considerados problemas particulares, que deveriam ser resolvidos entre marido e mulher dentro de quatro paredes. Então, vejamos... uma legislação que visa proteger as mulheres que vivem sob o mesmo teto que seus agressores e que tem a intenção de punir e prevenir os homicídios com raízes dentro dos lares não pode ser alterada de forma tão leviana, mesmo que seja realizada por juízes e magistrados.
Quando li a matéria sobre a suspensão dos processos fiquei muito fula e perplexa. Porque não basta a mulher estar sendo agredida dentro da própria casa, ser violentada e violada. Ela precisa ter força e muita coragem para romper o medo e a vergonha de expor suas marcas e revelar o quão difícil foi sua vida. Para o homem nada fica feio, enquanto que para a mulher, ser espancada, ser a vítima de uma situação de abuso ainda é considerado feio. E ao invés de romper o silêncio ela se esconde. Mesmo sendo a vítima ela é vista com a culpada pelo ocorrido.
A suspensão poderá se dar conforme o comportamento do acusado. A pergunta que não quer calar... como poderão saber e mais GARANTIR a segurança da mulher agredida?
Como não bastasse há juízes que argumentam que a lei não se aplica em caso de legítima defesa. Mais uma vez sou obrigada a questionar... o que é legítima defesa em relação a uma agressão feminina? Não são os homens mesmo que dizem sermos o sexo frágil? Um tapa no rosto respondido por um soco é legítima defesa? Qual é a defesa da mulher que é tratada como objeto? Como podem se defender se mais uma vez é preciso superar o preconceito e provar que ela é a vítima? Um chute no saco é considerado legítima defesa a um estupro ou os senhores juízes dirão que o chute pode ser defendido com estrangulamento? Porque, com certeza, ainda hoje a mulher vítima de estupro ainda passa pelo constrangimento de responder sobre a roupa que estava trajando e porque andava em tal lugar que a deixou vulnerável.
Estas mudanças me parecem a reafirmação de que os homens continuam podendo lavar sua "honra com sangue", enquanto que à mulher cabe o lugar de provocadora/responsável pela sua própria agressão. Estas revisões são retrocessos claros e absurdos! E embora tenham acontecido avanços, o sexo feminino tenha conseguido chegar a postos mais altos de poder, na verdade ainda há quem acredite que nós só chegamos lá por que eles deixaram.
PS.: Desculpem os advogados e advogadas que possam ler este blog, não sou entendida em leis, aliás, geralmente não compreendo como argumentos tão frágeis conseguem chegar a absolvição. Ouço falar em brechas na lei e são justamente estas tais brechas que sempre vencem e me assustam. As tais "brechas" me fazem ver um mundo injusto demais, apesar de uma legislação farta que pretende nos proteger.
Ouvi e li outras pessoas que reforçam o argumento de que crimes passionais são, em sua maioria, atitudes masculinas. Mas o mundo vai evoluindo através dos anos e a gente pensa que as pessoas também.
Sim, muita coisa mudou. Algumas leis de proteção feminina surgiram, uma sob a denominação de Maria da Penha. A intenção seria apressar a prisão de homens que agridem as mulheres e evitar a possível morte delas. No entanto, algumas revisões legislativas sob o parecer de alguns juízes pode colocar em perigo a efetiva funcionalidade de tal lei. A 6ª Turma do STJ "entendeu que processos envolvendo a Lei Maria da Penha podem ser suspensos condicionalmente por até quatro anos". Este entendimento me parece bem estranho, já que a função/objetivo da lei era o de acelerar e endurecer as penas em relação a violência doméstica.
Fico pensando comigo... as penas em regime semi-aberto de crimes como assaltos, homicídios, lesões corporais ou tráfico de drogas são problemáticas! O sistema penitenciário, como bem sabemos, não recupera ninguém. O endurecimento das penas para este tipo de crimes é importante, e são reivindicadas por todos afinal, atingem a sociedade de forma geral e preocupa a todos. Mas as reviões destas penas, assim como a condicional são cheias de falhas, o homem que foi recolhido não tem como ser recuperado em cadeias super lotadas e quando saem para o semi aberto acabam voltando a vida de crimes.
Já a violência doméstica... bem, este crime atinge de forma direta as mulheres e por muito e muito tempo foram considerados problemas particulares, que deveriam ser resolvidos entre marido e mulher dentro de quatro paredes. Então, vejamos... uma legislação que visa proteger as mulheres que vivem sob o mesmo teto que seus agressores e que tem a intenção de punir e prevenir os homicídios com raízes dentro dos lares não pode ser alterada de forma tão leviana, mesmo que seja realizada por juízes e magistrados.
Quando li a matéria sobre a suspensão dos processos fiquei muito fula e perplexa. Porque não basta a mulher estar sendo agredida dentro da própria casa, ser violentada e violada. Ela precisa ter força e muita coragem para romper o medo e a vergonha de expor suas marcas e revelar o quão difícil foi sua vida. Para o homem nada fica feio, enquanto que para a mulher, ser espancada, ser a vítima de uma situação de abuso ainda é considerado feio. E ao invés de romper o silêncio ela se esconde. Mesmo sendo a vítima ela é vista com a culpada pelo ocorrido.
A suspensão poderá se dar conforme o comportamento do acusado. A pergunta que não quer calar... como poderão saber e mais GARANTIR a segurança da mulher agredida?
Como não bastasse há juízes que argumentam que a lei não se aplica em caso de legítima defesa. Mais uma vez sou obrigada a questionar... o que é legítima defesa em relação a uma agressão feminina? Não são os homens mesmo que dizem sermos o sexo frágil? Um tapa no rosto respondido por um soco é legítima defesa? Qual é a defesa da mulher que é tratada como objeto? Como podem se defender se mais uma vez é preciso superar o preconceito e provar que ela é a vítima? Um chute no saco é considerado legítima defesa a um estupro ou os senhores juízes dirão que o chute pode ser defendido com estrangulamento? Porque, com certeza, ainda hoje a mulher vítima de estupro ainda passa pelo constrangimento de responder sobre a roupa que estava trajando e porque andava em tal lugar que a deixou vulnerável.
Estas mudanças me parecem a reafirmação de que os homens continuam podendo lavar sua "honra com sangue", enquanto que à mulher cabe o lugar de provocadora/responsável pela sua própria agressão. Estas revisões são retrocessos claros e absurdos! E embora tenham acontecido avanços, o sexo feminino tenha conseguido chegar a postos mais altos de poder, na verdade ainda há quem acredite que nós só chegamos lá por que eles deixaram.
PS.: Desculpem os advogados e advogadas que possam ler este blog, não sou entendida em leis, aliás, geralmente não compreendo como argumentos tão frágeis conseguem chegar a absolvição. Ouço falar em brechas na lei e são justamente estas tais brechas que sempre vencem e me assustam. As tais "brechas" me fazem ver um mundo injusto demais, apesar de uma legislação farta que pretende nos proteger.
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Perseguições, olhares invasivos, medo...
Quando escrevi o post anterior em que minhas amigas relatavam sobre homens que desrespeitam mulheres sozinhas na rua tocando seus corpos de forma indecente, puxei pela memória para lembrar se havia acontecido algo assim comigo. Eram tantas pessoas comentando, minha mãe mesma relatou de uma vez que ia pela rua e aconteceu. Minhas primas, tias, amigas, todas tinham uma história sobre a constrangedora situação e do sentimento inexplicável que fica. É um misto de vergonha, medo, raiva, nojo, impotência, insegurança...
Puxando pela memória (e isto demorou pois estava evitando acessar o arquivo de lembranças tristes) lembrei de uma vez em que estava participando de um almoço do Sindicato de Couros e Peles aqui em Pelotas. O lugar estava cheio, muitas famílias, crianças e homens bebendo. Quando fui a copa comprar um refrigerante um dos "bêbados" encostado ao balcão puxou assunto, mas eu não respondi, apenas me arredei mais para o lado, enquanto esperava ser atendida. Ele então, sem respeitar a mim ou a qualquer outra pessoa por ali, passou a mão pelo meu cabelo e foi descendo até a minha bunda. Se meu olhar tivesse raios com certeza ele teria sido fulminado na hora!
Quando me virei minha mãe estava próxima de mim, mas ela não é dada a discussões e barracos. Diferente de mim que, mesmo sendo contra a violência, entro na briga. O mais absurdo da história, pra mim, é que eu tinha uns doze anos era uma criança! Pensa que aquela aberração pediu desculpas??? Claro que não! Pois como todo o criminoso, na sua doentia mente pensa, a culpada sempre é a vítima.
Mas este não é o pior caso ou o que me causou mais pânico. Próximo a minha casa vivia um sujeito mal encarado, daqueles que olham pra gente de um jeito que dá medo! Tipo os tarados dos filmes e novelas, que causam asca só de olhar! Este cara, praticamente meu vizinho, me perseguia. Eu tinha tanto medo dele, que evitava sair na rua, não gostava de ir a venda que ficava na esquina, quase em frente a casa do dito cujo. Se bem que... ele sempre estava na esquina, na rua, de bicicleta.
Uma vez precisei ir ao bar, não lembro buscar o que, no entanto lembro o medo que senti quando voltava pra casa e ele vinha atrás de mim dizendo barbaridades, palavrões e todo o tipo de coisas que pretendia fazer comigo. Entrei no portão da minha casa como um vento! A cara de pavor e as lágrimas escorriam pelo rosto! Havia contado para minha mãe que não gostava daquele cara. Era hora do almoço, meu pai tava em casa e eu tinha medo de dizer pra ele o que o nojento fazia e ele rebentar a cara do dito... Mas naquele dia não dava pra disfarçar. Então meu pai me levou a rua e perguntou quem era o cara, eu apontei e ele disfarçando como se não entendesse do que se tratava.
Meu pai, meu herói, foi pra cima dele e disse: "ela é minha filha, ela vai andar na rua e tu nunca mais vai nem olhar pra ela! Se ela falar que tu disse uma palavra, eu te arrebento a fuça!". Não sei dizer a sensação que tive, morria de medo daquele cara e olha que era muito novinha, não tinha nem ideia das coisas nojentos do que ele falava. Agora mesmo comentando com minha mãe a sensação de nojo volta e ao falar, um pouco exaltada com a lembrança, ela diz que não vale a pena, que uma pessoa como esta não merece raiva ou nojo, merece o esquecimento e o desprezo. Concordo que guardar raiva ou ódio não serve de nada pra gente, só faz mal. Por outro lado, deixar pra lá coisas assim não significa "permitir" que sujeitos como este sigam fazendo o mesmo com outras pessoas, ou melhor, com crianças?
Não desejo mal a ele! Graças a esta situação me tornei uma pessoa ainda mais atenta nas ruas. Por mais que pareça distraída não deixo de cuidar quem vem atrás ou a frente quando caminho, passo longe de homens parados na calçada, atravesso a rua sim, me desculpem os homens decentes. Por que as palavras não machucam, mas agridem. Que consciência tem uma criança de sete, oito anos sobre sua sexualidade? O que pode fazer uma menina desta idade que provoque ou seduza um homem? É absurdo quando sabemos de casos de violência sexual com crianças, mas quantas pessoas dentro da própria casa sofreram constrangimentos com tios ou primos e nunca falaram por serem parentes, por serem mais velhos? Uma professora certa vez comentou de um tio que ela e as primas viviam fugindo por ser "meio tarado"!
Minhas reações em situações como esta podem ser as mais diversas, como já foram. Já corri, já fiz que não ouvi, já respondi. E uma vez, quando o tarado não contente em dizer coisas e falar besteira, arriou as calças até os tornozelos, veio pra cima de mim com o membro a mostra. Bati nele de sombrinha! Não aconselho, afinal... ele poderia ter me batido e feito o que queria! Era de manhã cedinho e na parada de ônibus aonde eu estava não havia ninguém. Talvez minha reação tenha sido um choque pra ele, por isto vestiu a calça, pegou sua bicicleta e fugiu. Eu acabei voltando pra casa! Com as pernas bambas e as mãos tremendo. Que pavor!
Minha sorte foi ter tido presença de espírito e proteção do meu São Jorginho! Mas quantas mulheres, meninas, crianças não tem a mesma sorte? Quantas não tem tempo de fugir?
Começamos falando das grosserias que escutamos pelas ruas e nos fazem tanto mal e acabei chegando aqui, na violência criminosa que alguns cometem nas ruas. É o atentado ao pudor, a agressão sexual que levam a mulher a pensar que foi a causadora de tal atitude por estar vestindo uma calça mais justa, uma saia curta ou um decote mais "ousado". Em algumas situações, pela criação e pelo comportamento machista da sociedade achamos que a culpa é da mulher. "Também com aquela roupa"!
Quantas vezes não escutamos isto. Não foi exatamente o que ocorreu com a Geisy Arruda? Quer dizer que ela é a culpada por ter sido ofendida?
Eu acho que nós mulheres devemos nos dar ao respeito e exigir respeito. Eu particularmente não gosto de roupas curtíssimas ou ultra justas. Mas o fato é, que não são as roupas as culpadas por uma violência sexual. Afinal o que de ousado veste uma menina de 5 meses, 2 anos? As fraldas?????
Não são as roupas que devem mudar, mas nosso pensamento.
Puxando pela memória (e isto demorou pois estava evitando acessar o arquivo de lembranças tristes) lembrei de uma vez em que estava participando de um almoço do Sindicato de Couros e Peles aqui em Pelotas. O lugar estava cheio, muitas famílias, crianças e homens bebendo. Quando fui a copa comprar um refrigerante um dos "bêbados" encostado ao balcão puxou assunto, mas eu não respondi, apenas me arredei mais para o lado, enquanto esperava ser atendida. Ele então, sem respeitar a mim ou a qualquer outra pessoa por ali, passou a mão pelo meu cabelo e foi descendo até a minha bunda. Se meu olhar tivesse raios com certeza ele teria sido fulminado na hora!
Quando me virei minha mãe estava próxima de mim, mas ela não é dada a discussões e barracos. Diferente de mim que, mesmo sendo contra a violência, entro na briga. O mais absurdo da história, pra mim, é que eu tinha uns doze anos era uma criança! Pensa que aquela aberração pediu desculpas??? Claro que não! Pois como todo o criminoso, na sua doentia mente pensa, a culpada sempre é a vítima.
Mas este não é o pior caso ou o que me causou mais pânico. Próximo a minha casa vivia um sujeito mal encarado, daqueles que olham pra gente de um jeito que dá medo! Tipo os tarados dos filmes e novelas, que causam asca só de olhar! Este cara, praticamente meu vizinho, me perseguia. Eu tinha tanto medo dele, que evitava sair na rua, não gostava de ir a venda que ficava na esquina, quase em frente a casa do dito cujo. Se bem que... ele sempre estava na esquina, na rua, de bicicleta.
Uma vez precisei ir ao bar, não lembro buscar o que, no entanto lembro o medo que senti quando voltava pra casa e ele vinha atrás de mim dizendo barbaridades, palavrões e todo o tipo de coisas que pretendia fazer comigo. Entrei no portão da minha casa como um vento! A cara de pavor e as lágrimas escorriam pelo rosto! Havia contado para minha mãe que não gostava daquele cara. Era hora do almoço, meu pai tava em casa e eu tinha medo de dizer pra ele o que o nojento fazia e ele rebentar a cara do dito... Mas naquele dia não dava pra disfarçar. Então meu pai me levou a rua e perguntou quem era o cara, eu apontei e ele disfarçando como se não entendesse do que se tratava.
Meu pai, meu herói, foi pra cima dele e disse: "ela é minha filha, ela vai andar na rua e tu nunca mais vai nem olhar pra ela! Se ela falar que tu disse uma palavra, eu te arrebento a fuça!". Não sei dizer a sensação que tive, morria de medo daquele cara e olha que era muito novinha, não tinha nem ideia das coisas nojentos do que ele falava. Agora mesmo comentando com minha mãe a sensação de nojo volta e ao falar, um pouco exaltada com a lembrança, ela diz que não vale a pena, que uma pessoa como esta não merece raiva ou nojo, merece o esquecimento e o desprezo. Concordo que guardar raiva ou ódio não serve de nada pra gente, só faz mal. Por outro lado, deixar pra lá coisas assim não significa "permitir" que sujeitos como este sigam fazendo o mesmo com outras pessoas, ou melhor, com crianças?
Não desejo mal a ele! Graças a esta situação me tornei uma pessoa ainda mais atenta nas ruas. Por mais que pareça distraída não deixo de cuidar quem vem atrás ou a frente quando caminho, passo longe de homens parados na calçada, atravesso a rua sim, me desculpem os homens decentes. Por que as palavras não machucam, mas agridem. Que consciência tem uma criança de sete, oito anos sobre sua sexualidade? O que pode fazer uma menina desta idade que provoque ou seduza um homem? É absurdo quando sabemos de casos de violência sexual com crianças, mas quantas pessoas dentro da própria casa sofreram constrangimentos com tios ou primos e nunca falaram por serem parentes, por serem mais velhos? Uma professora certa vez comentou de um tio que ela e as primas viviam fugindo por ser "meio tarado"!
Minhas reações em situações como esta podem ser as mais diversas, como já foram. Já corri, já fiz que não ouvi, já respondi. E uma vez, quando o tarado não contente em dizer coisas e falar besteira, arriou as calças até os tornozelos, veio pra cima de mim com o membro a mostra. Bati nele de sombrinha! Não aconselho, afinal... ele poderia ter me batido e feito o que queria! Era de manhã cedinho e na parada de ônibus aonde eu estava não havia ninguém. Talvez minha reação tenha sido um choque pra ele, por isto vestiu a calça, pegou sua bicicleta e fugiu. Eu acabei voltando pra casa! Com as pernas bambas e as mãos tremendo. Que pavor!
Minha sorte foi ter tido presença de espírito e proteção do meu São Jorginho! Mas quantas mulheres, meninas, crianças não tem a mesma sorte? Quantas não tem tempo de fugir?
Começamos falando das grosserias que escutamos pelas ruas e nos fazem tanto mal e acabei chegando aqui, na violência criminosa que alguns cometem nas ruas. É o atentado ao pudor, a agressão sexual que levam a mulher a pensar que foi a causadora de tal atitude por estar vestindo uma calça mais justa, uma saia curta ou um decote mais "ousado". Em algumas situações, pela criação e pelo comportamento machista da sociedade achamos que a culpa é da mulher. "Também com aquela roupa"!
Quantas vezes não escutamos isto. Não foi exatamente o que ocorreu com a Geisy Arruda? Quer dizer que ela é a culpada por ter sido ofendida?
Eu acho que nós mulheres devemos nos dar ao respeito e exigir respeito. Eu particularmente não gosto de roupas curtíssimas ou ultra justas. Mas o fato é, que não são as roupas as culpadas por uma violência sexual. Afinal o que de ousado veste uma menina de 5 meses, 2 anos? As fraldas?????
Não são as roupas que devem mudar, mas nosso pensamento.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
As palavras são sujas e as mãos invadem desrespeitando totalmente
Existem situações na vida de uma mulher que... por mais que o homem se coloque, ou mesmo passe por algo semelhante, jamais saberá como aquilo nos atinge. Primeiro, não saberá porque, por mais "descaradas"* que algumas mulheres estejam sendo hoje em dia, a abordagem que elas fazem é totalmente diferente da maneira como um homem faria. E quando acontece o incômodo se dá mais pela audácia da mulher e por ela se colocar diante dele como igual do que propriamente por alguma palavra ou atitude feminina.
Para nós mulheres, as maneiras e abordagens causam sentimentos e sensações diversas não porque somos confusas, como muitos apregoam. Tem a velha história de quando se está com baixa estima deve-se passar por uma obra e aproveitar os "elogios". Elogios? Homens jamais compreenderão porque em algumas situações aquela palavra pode salvar teu dia e noutro ser a gota d'água que faltava para transbordar os hormônios e nossa sensação de "não sou nada" se apossar de vez do nosso pensamento.
Não é o olhar para o nosso corpo que nos constrange, mas a forma. Não é o fato de o homem ser um trabalhador braçal que torna o elogio uma grosseria, mas o que se diz, como e com que intenção. Alguns fazem questão de dizer coisas para mostrar o quanto são ousados, como são "os bons"!
Depois de ler este texto da Lola, que pede que passemos a tornar "TORNAR GROSSERIAS NA RUA INACEITÁVEIS" fiquei pensando, embora ouvir certas coisas nos dá uma sensação de sujeira, tem atitudes que nos desrespeitam ainda mais.
Ontem mesmo na aula de dança a professora comentava uma situação pela qual, se não passamos conhecemos uma amiga que já sofreu este tipo de abuso. Ela falava que durante sua caminhada estava indo pela calçada e vinham atrás dela três caras de bicicleta e a colocaram literalmente contra a parede. Num primeiro momento, explicou ela, pensou que fossem lhe assaltar, pois cercaram-na. Foi quando um deles enfiou a mão na bunda dela e saiu gargalhando pela rua.
Depois disso seguiram os comentários das colegas, cada uma contando uma situação diferente e um local diferente, mas todas elas repetindo a mesma sensação do quanto ficamos vulneráveis numa situação destas, da raiva que dá, da vergonha de outros olhando aquilo, da impotência que sentimos por não saber como reagir ao abuso. Outra amiga falou que certa vez a criatura lhe deu um tapa tão forte na nádega que sentia dor ao caminhar. Uma prima comentou ter sido vítima da situação quando estava grávida. E por aí vai...
È uma questão de respeito! No blog da Lola li alguns comentários de homens dizendo que queremos abolir a cantada, mas não é nada disso. Elogiar uma mulher não é dizer (como também já ouvi relatos) numa festa ou na rua que "está de pau duro"! Será que quem diz isso percebe o quanto uma mulher se sente humilhada ouvindo isto? "Ah! Mais tô dizendo que ela é atraente, é gostosa!".
Não amigo, não esta dizendo nada disso!! Está dizendo tu só serve pra transar, te vejo apenas como um objeto sexual, nada mais.
Como reagir a uma grosseria? Responder ao cara e ficar a mercê de sua reação? Ficar quieta e engolir as palavras a seco tentando não pensar mais no assunto até passar por outro que te diga coisa parecida? Se não sabemos reagir as palavras como poderemos reagir quando um cara passa por ti e invade teu corpo deste jeito?
Uma conhecida reagiu ao assédio, correu atrás do homem que estava de bicicleta e o derrubou. Detalhe, o homem já tinha cabelos brancos!
Óbvio que a reação não é responder com mais grosserias ou com agressões, até porque sabe-se-lá o que um sujeito destes não é capaz! Mas é manter a indignação ao saber de coisas assim, é exigir respeito, é não esquecer que abusos como estes não são normais. É lembrar sempre de que não somos nós que devemos mudar, mas os homens que fazem este tipo de coisa é que devem.
*Descaradas são as mulheres que assumem seus gostos e sua independência, admitem gostar de sexo e fazê-lo sem "compromisso".
Para nós mulheres, as maneiras e abordagens causam sentimentos e sensações diversas não porque somos confusas, como muitos apregoam. Tem a velha história de quando se está com baixa estima deve-se passar por uma obra e aproveitar os "elogios". Elogios? Homens jamais compreenderão porque em algumas situações aquela palavra pode salvar teu dia e noutro ser a gota d'água que faltava para transbordar os hormônios e nossa sensação de "não sou nada" se apossar de vez do nosso pensamento.
Não é o olhar para o nosso corpo que nos constrange, mas a forma. Não é o fato de o homem ser um trabalhador braçal que torna o elogio uma grosseria, mas o que se diz, como e com que intenção. Alguns fazem questão de dizer coisas para mostrar o quanto são ousados, como são "os bons"!
Depois de ler este texto da Lola, que pede que passemos a tornar "TORNAR GROSSERIAS NA RUA INACEITÁVEIS" fiquei pensando, embora ouvir certas coisas nos dá uma sensação de sujeira, tem atitudes que nos desrespeitam ainda mais.
Ontem mesmo na aula de dança a professora comentava uma situação pela qual, se não passamos conhecemos uma amiga que já sofreu este tipo de abuso. Ela falava que durante sua caminhada estava indo pela calçada e vinham atrás dela três caras de bicicleta e a colocaram literalmente contra a parede. Num primeiro momento, explicou ela, pensou que fossem lhe assaltar, pois cercaram-na. Foi quando um deles enfiou a mão na bunda dela e saiu gargalhando pela rua.
Depois disso seguiram os comentários das colegas, cada uma contando uma situação diferente e um local diferente, mas todas elas repetindo a mesma sensação do quanto ficamos vulneráveis numa situação destas, da raiva que dá, da vergonha de outros olhando aquilo, da impotência que sentimos por não saber como reagir ao abuso. Outra amiga falou que certa vez a criatura lhe deu um tapa tão forte na nádega que sentia dor ao caminhar. Uma prima comentou ter sido vítima da situação quando estava grávida. E por aí vai...
È uma questão de respeito! No blog da Lola li alguns comentários de homens dizendo que queremos abolir a cantada, mas não é nada disso. Elogiar uma mulher não é dizer (como também já ouvi relatos) numa festa ou na rua que "está de pau duro"! Será que quem diz isso percebe o quanto uma mulher se sente humilhada ouvindo isto? "Ah! Mais tô dizendo que ela é atraente, é gostosa!".
Não amigo, não esta dizendo nada disso!! Está dizendo tu só serve pra transar, te vejo apenas como um objeto sexual, nada mais.
Como reagir a uma grosseria? Responder ao cara e ficar a mercê de sua reação? Ficar quieta e engolir as palavras a seco tentando não pensar mais no assunto até passar por outro que te diga coisa parecida? Se não sabemos reagir as palavras como poderemos reagir quando um cara passa por ti e invade teu corpo deste jeito?
Uma conhecida reagiu ao assédio, correu atrás do homem que estava de bicicleta e o derrubou. Detalhe, o homem já tinha cabelos brancos!
Óbvio que a reação não é responder com mais grosserias ou com agressões, até porque sabe-se-lá o que um sujeito destes não é capaz! Mas é manter a indignação ao saber de coisas assim, é exigir respeito, é não esquecer que abusos como estes não são normais. É lembrar sempre de que não somos nós que devemos mudar, mas os homens que fazem este tipo de coisa é que devem.
*Descaradas são as mulheres que assumem seus gostos e sua independência, admitem gostar de sexo e fazê-lo sem "compromisso".
quarta-feira, janeiro 19, 2011
"Dia do Focinho Gelado"
![]() |
| Cartaz do 2º "Dia do Focinho Gelado" |
Para quem é fã de animais e já está com a casa cheia sem saber como continuar ajudando, taí uma boa dica.
Recebi por email o texto da Paula Soares Ferro, secretária da SOS Animais que está promovendo o evento junto com a Sorveteria Zum Zum do Laranjal. Segue abaixo o texto dela:
"Olá, amigos!
A SOS Animais e a Sorveteria Zum Zum do Laranjal estarão promovendo no dia 30/01, domingo, a 2ª edição do "Dia do Focinho Gelado". Nesse dia, a cada sorvete comprado na Sorveteria Zum Zum do Laranjal (Av. Antonio Augusto Assumpção, 8953), parte da renda reverterá para que a SOS Animais possa fazer alguns focinhos mais felizes. O horário de funcionamento da sorveteria é das 12h às 24h.
Avisem parentes, amigos, colegas, todo mundo! E não deixem de passar na Zum Zum do Laranjal para saborear 'aquele' sorvete especial, com gosto de solidariedade!
Também haverá produtos da SOS Animais à venda e distribuição de material informativo.
Aguardamos todos lá!
Paula Soares Ferro
1ª Secretária
--
SOS Animais Pelotas"
terça-feira, janeiro 18, 2011
Adendo ao post anterior
Gente, eu só usei Brasília como um exemplo porque lembrei dos casos semelhantes que ocorreram. Mas, apesar dos políticos safados que vivem lá. Gosto da cidade e tenho ÓTIMAS recordações do distrito federal. Conheci lugares lindos e pessoas maravilhosas!!!!
Perdoem se magoei ou ofendi alguém, não foi minha intenção!
Perdoem se magoei ou ofendi alguém, não foi minha intenção!
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